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Eduardo Giannetti
Capital humano e desenvolvimento

Convidado por VEJA a produzir um artigo sobre como a ênfase na educação é essencial para o desenvolvimento de um país, o economista e escritor Eduardo Giannetti decidiu expor suas opiniões de forma inusitada: alinhavando uma antologia de citações sobre o tema. Giannetti tem experiência no assunto: neste ano, lançou O Livro das Citações. Na obra, de título auto-explicativo, ele cita o argentino Jorge Luis Borges para explicar por que gosta de exprimir idéias por meio de palavras alheias: "Que os outros se jactem das páginas que escreveram; a mim me orgulha as que tenho lido".

"O mais valioso entre todos os capitais é aquele investido em seres humanos."
Alfred Marshall (1842-1924), economista inglês, em 1920

"As estatísticas sobre poupança deveriam incluir o custo de investir em capital humano. A inversão em pessoas é a chave para o desenvolvimento e o crescimento das sociedades."
Gary Becker (1930), economista americano, em 1997

"A vanguarda do progresso pertence aos povos que cuidaram da educação do caráter em plano não inferior ao da educação da inteligência."
Eugenio Gudin (1886-1986), engenheiro e economista brasileiro, em 1936

"O valor econômico de um único grande gênio industrial é suficiente para cobrir as despesas com educação de toda uma comunidade; pois uma nova idéia, como a invenção principal de Henry Bessemer (processo de purificação do minério de ferro na produção de aço), acrescentou tanto ao poder produtivo da Inglaterra como o trabalho de 100 000 homens."
Alfred Marshall, em 1920

Agliberto Lima

Educar para crescer
"É a qualidade da população que constitui o elemento decisivo do desenvolvimento", já ensinava Eugenio Gudin

"Os inventores são a mais rara e a mais preciosa flor do mundo industrial. Com demasiada freqüência, porém, eles são esmagados pelos obstáculos da pobreza, preconceito e ridicularização. Embora hoje menos que na época de Roger Bacon e Galileu, ainda se requer um tempo excessivo para que os Bells, Edisons, Fords e De Forests tenham a chance de começar. A missão de qualquer sistema educacional deveria ser descobrir o gênio e prepará-lo para servir a sociedade, uma vez que, queira ele ou não, o inventor não consegue reter para si os benefícios de sua invenção. Os cidadãos do planeta são os beneficiários e, dado que não são inteligentes o bastante para serem capazes de inventar, deveriam ser ao menos suficientemente atentos a seus próprios interesses para não privar de recursos ou emprego o homem em um milhão que é capaz."
Irving Fisher (1867-1947), economista americano, em 1930

"Temos despendido somas imensas com os pobres. E temos todas as razões para crer que essa prática tende a agravar constantemente sua miséria. Mas na sua educação, que é talvez o único modo ao nosso alcance de realmente melhorar sua condição, e de torná-los homens mais felizes e cidadãos mais pacíficos, temos sido miseravelmente deficientes. Os benefícios oriundos da educação estão entre aqueles que podem ser obtidos sem restrições impostas pelo tamanho da população e, como está ao alcance dos governos fornecê-los, é indubitavelmente seu dever fazê-lo."
Thomas Malthus (1766-1834), economista inglês, em 1803

"Alguns dos mais resolutos oponentes do socialismo foram também os mais ardorosos defensores de uma educação gratuita para todos. Se tais pessoas tivessem sido chamadas a se juntar ao confisco das terras e do capital industrial dos ricos, e de sua distribuição aos pobres, elas teriam rejeitado de forma vigorosa essas medidas de cunho manifestamente socialista. Não obstante, elas participaram naquilo que pode ter sido a maior iniciativa socialista da história: a transferência dos ricos para os pobres e as classes médias de uma modalidade de capital que excede o valor de todo capital industrial e todas as terras de propriedade privada – o capital humano."
Robert Fogel (1926), economista americano, prêmio Nobel de 1993, em 2000

"O problema do desenvolvimento econômico tem sido geralmente encarado no Brasil sob o prisma do curto prazo e do imediatismo, ou seja, da execução de determinados melhoramentos materiais de resultados tangíveis em um período governamental. Se há, entretanto, problema que exija planejamento de longo prazo, com expectativa de resultados seguros mas só gradativamente evidenciáveis, este é o da formação de gente, isto é, de uma população sadia, ativa e capaz. É a qualidade da população que constitui o elemento decisivo do desenvolvimento."
Eugenio Gudin, em 1959

"A verdade é que o ensino público (no Brasil) está à orla do limite possível a uma nação que se presume livre e civilizada; é que somos um povo de analfabetos, e que a massa deles, se decresce, é numa proporção desesperadamente lenta; é que a instrução acadêmica está infinitamente longe do nível científico desta idade; é que a instrução secundária oferece ao ensino superior uma mocidade cada vez menos preparada para o receber."
Rui Barbosa (1849-1923), político brasileiro, em 1883

"As palavras no Brasil valem mais do que as ações e, de um modo geral, substituem-nas."
Barão de Butenval (1789-1851), diplomata francês, em 1848

"Uma das mais sérias e forçosas entre todas as obrigações – que é a de não trazer crianças ao mundo a não ser que elas possam ser mantidas adequadamente durante a infância, e criadas com a probabilidade de que possam manter-se a si próprias quando a idade chegar – é de tal forma negligenciada na vida prática e subestimada na teoria que chega a ser vergonhoso para a inteligência humana."
John Stuart Mill (1806-1873), filósofo e economista inglês, em 1848

"Os pequenos sofrem com a tolice dos grandes."
La Fontaine (1621-1695), escritor francês, em 1694

"Não há instituição mais importante que a família, já que o caráter da sociedade é determinado mais pelo caráter de suas famílias do que por qualquer outra coisa; a família, na verdade, é a única instituição que produz gente."
Kenneth Boulding (1910-1993), economista inglês, em 1983

"Podiam-se parir meninos educados, se os pais já fossem bem criados."
Wolfgang von Goethe (1749-1832), poeta e escritor alemão, em 1827

Eduardo Giannetti é economista, Ph.D. pela Universidade de Cambridge e professor
do Ibmec São Paulo. É autor de Felicidade e O Valor do Amanhã, entre outras obras

 

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