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Cultura 2008 | O 40º ANO DE VEJA
A revolução da imagem via internet

Michael Grecco/Countour/Getty Images
OS NOVOS MAGOS DA INTERNET
Chad Hurley e Steve Chen, os criadores do YouTube: acervo global de vídeos

Nenhuma manifestação cultural do século XXI poderá passar ao largo da internet. As grandes redes de televisão ainda não sofrem o mesmo tipo de ameaça que a indústria fonográfica enfrenta com o download de músicas, mas a divulgação de imagens pela rede já se provou uma revolução. Ela foi iniciada por uma dupla de típicos nerds americanos, Chad Hurley e Steve Chen. Em 2005, eles criaram o site YouTube – e no ano seguinte o venderam ao Google por 1,65 bilhão de dólares. O site inovou pela interatividade. Qualquer um pode ver ou divulgar um vídeo pelo YouTube, que se tornou uma gigantesca videoteca comunitária global. Ágil e diversificado, o site consegue dar repercussão instantânea e planetária a vexames de políticos, artistas ou simples celebridades – e ainda cria os próprios hits, com vídeos produzidos especialmente para exibição na internet. Além disso, por meio do site, é possível ter acesso a imagens históricas valiosas. A televisão ganhou um concorrente e tanto com o YouTube.

O que disse VEJA em 2006 "Às vezes as pessoas não percebem imediatamente que uma revolução está em andamento. É o que acontece agora em torno do site YouTube, que se tornou um dos mais populares. Lá estão filmagens históricas, trechos de seriados ou novelas, vídeos independentes, cenas caseiras de um bebê sorrindo ou de bichinhos de estimação. Cem milhões desses clipes são baixados diariamente por usuários de todas as partes do mundo. Embrionariamente o YouTube e seus concorrentes estão reinventando a maneira como as pessoas vêem televisão."

Perspectiva Facilitada pela popularização da banda larga e das câmeras digitais, a divulgação de vídeos pela internet tende a crescer exponencialmente. O YouTube permanece na linha de frente – o site está desenvolvendo novos modos de ganhar dinheiro com publicidade e tem feito parcerias com artistas e emissoras como a HBO, gigante da televisão a cabo. Seus rivais são o Hulu, site lançado pela rede de televisão americana NBC, e a News Corporation, que oferece filmes e episódios de séries. Alguns especialistas temem que a sobrecarga de imagens – a cada minuto, oito horas de vídeo são carregados no YouTube – possa trazer problemas de tráfego à internet nos próximos anos.

 

O estrelato dos anônimos

Divulgação/TV Globo
15 MINUTOS DE FAMA
Os competidores do último Big Brother Brasil (no alto): votação recorde de 64 milhões de telespectadores

A decantada profecia do artista americano Andy Warhol, segundo a qual no futuro todos serão famosos por quinze minutos, nunca esteve tão perto de se realizar. Sucesso no mundo todo, os reality shows transformaram o joão-ninguém em astro. Nada de atores, nenhum roteiro previsível: basta armar uma situação – por exemplo, uma competição de popularidade entre pessoas isoladas em uma casa – e acompanhá-la com as câmeras. Laboratórios improvisados do comportamento social, esses programas já exibiram conflitos de toda ordem, envolvendo questões de classe, raça e sexualidade. Não surpreende que o último Big Brother Brasil tenha alcançado uma votação recorde em um de seus paredões, com 64 milhões de votos.

O que disse VEJA em 2004 "Quando surgiu, em 1992, com a estréia de The Real World na MTV americana, o reality show foi encarado como novidade passageira. Críticos de nariz torcido achavam que a fórmula era repetitiva e logo se esgotaria. Erraram por não dar o devido peso a três fatores principais: a curiosidade e a identificação do público com os participantes, a multidão de candidatos dispostos a quase tudo para aparecer na televisão e a incrível diversidade de variações sobre o mesmo tema."

Perspectiva Desde os anos 90, quando o formato começou a se consolidar, os críticos vêm atacando a vacuidade e a mesmice dos reality shows. Estão errados: programas com gente "real" têm se mostrado muito versáteis, ocupando nichos que vão da decoração de interiores à cirurgia plástica. Na Holanda, há até um programa sobre doentes terminais. O reality show se consagrou como um gênero televisivo, ao lado da novela e das séries. E é mais barato de produzir – o que significa que ele ocupará um espaço na televisão por longo tempo.

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