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Há quatro décadas, o Brasil mantinha
os dois pés fincados no Terceiro Mundo. Em 2008, um deles
está no Primeiro e o outro faz força para sair de
onde sempre esteve. O Brasil desenvolvido conta com instituições
democráticas em funcionamento, inflação em
níveis civilizados, estabilidade econômica, agronegócio
pujante e setores industriais competitivos globalmente. A parte
do país que se arrasta no atraso exibe um quadro de corrupção
endêmica, índices sociais ainda muito ruins, infra-estrutura
em frangalhos, cidades pouco aprazíveis e criminalidade alarmante.
Mas há um dado que permite afirmar que o Brasil não
demorará a entrar integralmente no clube das nações
avançadas: graças à estabilidade econômica,
a sociedade produtiva despegou-se do governo. A maioria dos empresários
e cidadãos empreendedores não aguarda mais a bênção
de Brasília para tocar seus projetos. Eles enfrentam os riscos
inerentes às suas iniciativas, sabedores de que há
um grande país a construir. Do governo, agora só esperam
que seja reduzida a carga tributária leonina que lhes pesa
sobre os ombros. Essa sociedade que se distanciou do estado ineficiente
e cartorial é a melhor notícia dos últimos
e dos próximos quarenta anos no Brasil.
A solidez interna se faz ainda mais necessária
diante de um contexto internacional instável. Quando se pensava
que a história havia chegado a um fim promissor, com a derrocada
do comunismo e a vitória do capitalismo, eis que o terrorismo
islâmico se voltou contra a civilização, obrigando
os Estados Unidos e aliados a ressuscitar a política do porrete
no Oriente Médio. A conflagração na maior região
produtora de petróleo do mundo, somada a um quadro de aumento
de demanda, perspectiva de escassez e muita especulação,
fez o preço dos combustíveis disparar. No extremo
asiático, a emergência da China como superpotência
econômica abriu decerto boas perspectivas, mas também
impõe desafios. Como escreve o cientista político
americano Robert Kagan no ensaio publicado na página 208
desta edição comemorativa, até o despertar
da China, acreditava-se que desenvolvimento e autocracia eram incompatíveis.
Os chineses e, em certa medida, os russos
estão provando que não. É um precedente
perigoso que, de acordo com Kagan, exige a formação
de uma liga das nações para defender a democracia
como a melhor forma de governo. Não bastassem as vicissitudes
políticas, o planeta dá sinais de exaustão.
O esgotamento dos recursos naturais exige providências imediatas.
É essencial encontrar uma alternativa viável para
os combustíveis fósseis, cuja queima provoca inúmeros
problemas ambientais. O etanol produzido a partir da cana-de-açúcar
é uma resposta ao problema fornecida pelo Brasil de Primeiro
Mundo.
O
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