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Alvejado pelo Watergate

Bill Pierce/Time&Life Pictures/Getty Images

"Você compraria um carro usado desse homem?" Os democratas usaram a pergunta para lançar uma sombra de suspeição sobre Richard Nixon, candidato republicano na eleição presidencial de 1968. A pergunta entrou para a história do marketing político e Nixon, para a história dos desastres políticos. Em 1974, no início do segundo mandato, ele seria obrigado a renunciar, depois que dois jovens repórteres do jornal Washington Post descobriram que a Casa Branca estava por trás da invasão da sede do Partido Democrata, no edifício Watergate, em Washington (daí o nome do escândalo). Na foto que registra a saída de Nixon da Presidência, ele faz o V da vitória, de braços estendidos, gesto que era sua marca registrada. A imagem, um tanto patética naquele momento, hoje tem algo de premonitório: passadas mais de três décadas, os americanos perceberam que Nixon, apesar de tudo, não foi dos piores presidentes que os Estados Unidos já elegeram.

 

Sobrancelhas e medalhas

Leonid Brejnev levou ao extremo o fetiche dos líderes do Kremlin por medalhas. No comando da União Soviética por dezoito anos, entre 1964 e 1982, ele acumulou mais de uma centena de condecorações. As medalhas tão pomposas quanto destituídas de significado, aliadas à expressão carrancuda, a que bem serviam de moldura as sobrancelhas grossas, compunham em Brejnev o retrato perfeito do chefão de um regime burocrático, fechado – e, portanto, destinado ao fracasso.

 

O pastor do Concílio Vaticano

Como João Paulo I teve um pontificado curtíssimo, de apenas 33 dias em 1978, pode-se dizer que, de fato, o último papa italiano foi Paulo VI. Giovanni Battista Montini, seu nome de batismo, era um homem de temperamento suave e intelecto refinado, que usou o tecido do vestido de noiva materno para fazer a batina com a qual se ordenou padre. A ele coube dar continuidade ao Concílio Vaticano II, inaugurado em 1962, para tirar a poeira do Trono de Pedro, conforme declarou seu idealizador, João XXIII. A ele coube também tentar situar a Igreja Católica em meio ao turbilhão de mudanças sociais, políticas e familiares das décadas de 60 e 70. Paulo VI, é claro, defendia as tradições da instituição milenar da qual estava à frente, mas procurava mitigar os seus anacronismos. Sob sua influência, o Concílio Vaticano, que chegou ao fim em 1965, saiu-se com fórmulas ambíguas, que hoje permitem tanto a conservadores como a menos conservadores reivindicar o seu legado.

 

O casamento da viúva

AP

"Para Jacqueline Kennedy, que ao limiar dos 40 anos inicia uma nova vida, o casamento com Onassis terá razões que a razão desconhece", disse VEJA em outubro de 1968. Baixinho, narigudo e velho, o armador grego decerto não era um Apolo moderno como o presidente John Kennedy, assassinado cinco anos antes, mas tinha um charme bilionário, por assim dizer. Com o casamento, a bela e elegante ex-primeira-dama americana reinventou-se como a bela, elegante – e ligeiramente apimentada – Jackie O. do jet set internacional (expressão, aliás, bem anos 60).

 

AFP


Sultão da "Pan-Arábia"

O ditador Gamal Abdel Nasser, que governou o Egito entre 1954 e 1970, cultivava a obsessão de unir o mundo árabe sob sua liderança. A isso dava o nome de pan-arabismo. Para além da religião, da língua e dos costumes, ele julgava necessário criar um fator de identidade que incendiasse a imaginação dos povos do Oriente Médio. E nada mais incendiário do que lançar-se contra Israel. Nasser guerreou três vezes contra os israelenses, ora com aliados, ora sem eles. Perdeu todas. Hoje, o Egito e a Jordânia são os únicos países da região a ter firmado um tratado de paz com o estado judaico.

 

 

 

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