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Gaúcho incendiário

Populista, bom de discurso, dono de um sotaque peculiar – e incendiário. Assim era Leonel Brizola (1922-2004), deputado federal em 1964. Quando sobreveio o golpe militar, ele queria pegar em armas, mas nem o presidente deposto, João Goulart, seu cunhado, lhe deu ouvidos.
Os dois acabaram fugindo para o Uruguai. No exílio, Brizola tentou organizar a luta armada no Brasil, sem sucesso. Voltou ao país em 1979, fundou o PDT e elegeu-se duas vezes governador do Rio de Janeiro. Sob sua administração, alastrou-se a favelização da capital fluminense. Ele enterrou sua credibilidade nos anos 90, ao dar apoio ao ex-presidente Fernando Collor durante o processo de impeachment.

Agência JB

Um profissional da tortura

AE

O delegado Sérgio Paranhos Fleury (1933-1979) foi o monstro mais notório produzido nos porões do regime militar. Em 1968, ele liderava o Departamento de Ordem Política e Social (Dops) de São Paulo na "caça aos subversivos". Fez escola com sua disposição animalesca para torturar presos políticos. Fleury também comandou o Esquadrão da Morte, como era chamada a quadrilha de policiais que se arrogava o direito de matar desafetos. Morreu ao cair de seu barco, no litoral de São Paulo, em circunstâncias suspeitas.

 


O líder dos Cem Mil

O principal rosto do movimento estudantil em 1968 era Vladimir Palmeira (1944). Ele ficou conhecido em todo o país ao organizar a Passeata dos Cem Mil, no Rio de Janeiro. Até hoje vive dessa fama. Preso pela ditadura, passou anos no exílio.
De volta ao país, ajudou a fundar o PT e a enfiar algumas excrescências na Constituição de 1988, como a nacionalização da exploração mineral (felizmente, já derrubada). Tornou-se eterno pré-candidato petista a qualquer eleição disputada
no Rio.

Ag. O Globo

 

Língua solta

Folha Imagem

Em 1968, o deputado federal Marcio Moreira Alves tinha 32 anos. Filiado ao MDB, de oposição consentida à ditadura, ele decidiu provocar os generais e fez um discurso na Câmara no qual exortava as moças brasileiras a não namorar militares enquanto a democracia não fosse restaurada. Pegou mal, muito mal. O governo usou o discurso como justificativa para cassar o mandato de Alves, fechar o Congresso e promulgar o AI-5.

 

O persistente

Álbum de família

O atual governador de São Paulo, José Serra (1942), entrou na política por meio do movimento estudantil. Em 1963, presidia a União Nacional dos Estudantes e era muito ligado ao então presidente João Goulart. Com o golpe de 1964, foi para o exílio, onde seguiu carreira acadêmica. De volta à política brasileira, foi secretário de Planejamento do governador paulista Franco Montoro e um dos fundadores do PSDB. Serra também foi deputado, senador, prefeito de São Paulo e ministro da Saúde na Presidência de Fernando Henrique Cardoso. Seu grande sonho é ser presidente do Brasil.

 

De terrorista a deputado

Nelson di Rago

Fernando Gabeira era apenas mais um jornalista esquerdista em 1968. No ano seguinte, desceu um degrau: aderiu a uma organização terrorista e participou do seqüestro do embaixador americano Charles Burke Elbrick. Preso e exilado, voltou ao Brasil em 1979, como um apóstolo da liberação de modos e costumes, período do qual faz parte a inesquecível tanga de crochê. No mesmo ano, lançou o livro O que É Isso, Companheiro?, um relato delicioso de sua participação no seqüestro de Elbrick e que sagrou sua ruptura com a esquerda careta. Fundador do Partido Verde, Gabeira é um dos deputados mais atuantes (no bom sentido) do Congresso, um exemplo de conduta impecável. Agora, aos 67 anos, ele quer ser prefeito do Rio.

 

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