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Dicas
do turista profissional
Um
especialista em boas oportunidades ensina
como facilitar e baratear as férias de cada um

Ricardo
Freire
Ilustrações Attílio
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O publicitário
e jornalista Ricardo Freire sabe do que está falando quando
o assunto é viajar. Aos 38 anos, ele é um veteraníssimo
viajante nacional ("Tirando Aracaju e Vitória, pode me soltar
em qualquer capital litorânea do Brasil que eu sei me movimentar")
e internacional (está indo para o quarto passaporte). Freire
viaja por prazer, por vocação e por interesse: já
escreveu três livros de viagem. O mais recente é o
utilíssimo Freire's Brasil Praias, produzido ao longo
de dois anos e meio e 35 000 quilômetros rodados no litoral
nacional. Aqui, ele divide um pouco do conhecimento acumulado.
A mão do mercado
Quem
quer viajar com conforto e economia precisa acatar a lei da oferta
e da procura e balizar-se por quatro regras básicas:
1)
Viajar fora de temporada, conselho fundamental para quem não
tem filhos ou os tem suficientemente pequenos para ser subtraídos
da escolinha por breve período. Fora das férias escolares
e dos feriadões, os preços caem, as multidões
diminuem e não se volta da viagem com a sensação
de ter pago uma exorbitância para disputar espreguiçadeiras
na piscina.
2)
Programar-se com antecedência. Quem pesquisa e se organiza
acaba encontrando bons negócios. A entrada da Gol no mercado
aéreo mexeu com os preços do mercado. Hoje, quem reserva
com antecedência encontra tarifas similares até em
companhias voltadas ao mercado executivo, como a TAM e a Rio Sul.
3)
Nunca, jamais aceitar a tarifa-balcão. Lute até o
fim pelo direito de não pagar um preço que é
apenas um ponto de partida e que, daí, só pode
ir para baixo.
4)
Pesquisar na internet. Nem que seja apenas para ver fotos de hotéis
e pousadas que só mostram os melhores ângulos. Sempre
dá para ter uma idéia razoável do que o aguarda
e evitar o tipo de decepção que pode arruinar a mais
preciosa das instituições, suas férias.
Abrindo os pacotes
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| Comprar
um pacote e viajar em grupo pode ser meio tumultuado, mas o
preço, em geral, compensa o desgaste. Quem prefere zarpar
por conta própria ganha em flexibilidade |
Sempre
que for viajar para lugar de alto apelo turístico, faça
a ronda dos pacotes disponíveis. Em geral, pelo menos financeiramente,
vale a pena embarcar em um, ainda que seja para, uma vez chegado
ao destino, descolar-se do grupo e fazer o que bem entender. Quando
fretam vôos especiais (ou compram grandes quantidades de assentos
em vôos regulares) e fecham acordos vantajosos com hotéis,
as grandes operadoras conseguem preços imbatíveis
e ainda financiam em suaves prestações. Na
ponta do lápis, verifica-se que, pelo preço que o
turista pagaria somente pela passagem aérea "cheia" (sem
descontos promocionais), os pacotes dão de lambuja uma semana
de hotel quatro-estrelas com café da manhã e city
tour.
Esteja
preparado para alguns percalços. No caso de fretamento, muitas
vezes o passageiro só é informado do número
de escalas na hora do embarque. Os dias da chegada e da saída
costumam ser perdidos em check-in e check-out e na lengalenga de
levar e buscar hóspedes nos hotéis. E alguns desses
hotéis são longe de tudo ou decadentes. Para escapar
deles, descubra os mais bem localizados de onde seja possível
ir a pé ou para as atrações diurnas (uma praia
ótima, por exemplo) ou para a vida noturna. Geralmente custam
um pouco mais caro, mas você não vai se arrepender.
Outra boa pergunta para fazer nessa hora é: "Qual hotel nunca
gerou reclamação?". E, se for se hospedar em hotéis
de cidades ou vilarejos turísticos, dispense a meia pensão.
A cozinha nunca será muito boa, e comer fora, afinal, é
uma das atividades-fim das férias.
Todo
cuidado é pouco com os tais "passeios opcionais" oferecidos
na maioria dos pacotes. Muitos até podem ser um bom passatempo:
por algo entre 25 e 40 reais por pessoa, as agências de turismo
oferecem um passeio diferente por dia. Entretanto, alguns são
meros caça-níqueis que internam o turista em lugares
conveniados com as agências. Quem gosta de ser dono de seus
horários e não é muito chegado a excursões
em grupo deve dispensar, sem receio, os tais tours. Em duas pessoas
é possível tratar esses passeios com taxistas, gastando
a mesma coisa e cumprindo o programa no próprio ritmo.
Arrisque o vôo-solo
Quem
viaja desvinculado de grupos escolhe seus vôos e pode hospedar-se
em hotéis e pousadas de charme que não constam do
cardápio das operadoras. Também é mais fácil
ocupar o quarto antes da hora oficial ou conseguir ficar até
mais tarde. Problema: geralmente, custa mais caro. Economizar é
possível, mas dá trabalho. A chave está no
transporte viajando de ônibus, carro próprio
ou com passagens grátis dos programas de milhagem. Quem voa
com as companhias aéreas econômicas (Gol, B.R.A., Nacional,
ViaBrasil e Fly) ou aproveita os descontos promocionais (nas compras
feitas com antecedência, por exemplo) das companhias convencionais
e se hospeda em hotéis três-estrelas ou pousadas também
consegue preços finais parecidos com os dos pacotes.
Se
for encarar a viagem-solo, prepare-se: a pesquisa não será
fácil. A internet é muito útil para ver fotos
de hotéis e pousadas, mas a rede deve ser encarada como uma
biblioteca de folhetos de divulgação, e não
como o oráculo da verdade absoluta. Use as agências
de viagem virtuais para descobrir passagens superpromocionais e
as home pages dos hotéis e pousadas para checar eventuais
"tarifas especiais para internautas".
Em
épocas de movimento, jamais chegue a um hotel ou resort sem
reserva feita; os chamados "passantes" acabam pagando a tarifa-balcão,
que pode chegar ao triplo do que é cobrado de quem faz a
reserva por telefone. Já na baixa temporada, o turista que
deixar para escolher sua pousada in loco pode fazer bom negócio.
O tal "passante" é capaz de salvar o caixa numa época
de movimento fraco. E quem viaja por conta própria pode e
deve alugar carro, prática que, até que enfim, compensa
no Brasil. Há três anos, um automóvel 1.0 com
ar-condicionado custava 100 dólares por dia nas grandes locadoras;
hoje, sai por 100 reais, com quilometragem livre e seguro. Em locadoras
menores, que não têm balcão no aeroporto e oferecem
veículos mais rodados, é possível conseguir
tarifas de 50 ou 60 reais.
Manual do resort
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| Para
quem viaja com criança e quer conforto e segurança, o resort
é a melhor opção. Sugestões: fuja dos quartos perto das piscinas
e vá conhecer outras praias |
Os
resorts são filhos dos clubes de antigamente, primos dos
shopping centers e colegas de classe dos condomínios fechados.
Quem viaja com criança e quer conforto, atividades e segurança
num mesmo endereço não tem opção mais
conveniente. É bom saber, no entanto, que dificilmente as
praias são nota 10 e, quando são, os hóspedes
ainda parecem preferir as piscinas. Por isso mesmo, fuja dos apartamentos
próximos a elas, que são os mais barulhentos. Também
é fundamental informar-se ao chegar sobre os extras, como
telefonemas e bebidas, para não ter más surpresas
na saída. Se o almoço não estiver incluído,
prefira o peixinho frito do primeiro quiosque de praia. No hotel,
almoços à la carte costumam ser caros e não
têm a qualidade dos bufês do jantar. Lá pela
metade da estada, junte a família e alugue um carro. Você
vai descobrir praias mais bonitas e lugares com mais "cor local"
que seu resort.
Surpresas urbanas
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| A
entrada das empresas aéreas econômicas no mercado baixou o preço
das passagens. Até as companhias convencionais dão desconto
para reserva com antecedência |
Nem
só em praia e montanha deve gastar sola um turista
as grandes cidades também podem ser um achado. Hoje não
há capital que não tenha sofisticado sua cena gastronômica,
apurado o comércio e a vida cultural, restaurado e dado uso
a seu centro histórico. Ao contrário dos pequenos
vilarejos turísticos, que entram em colapso em feriadões
e na alta temporada, as grandes cidades absorvem turistas nessas
épocas sem transtornos. Um fim de semana prolongado numa
capital brasileira que se visita pela primeira vez pode ser um programa
surpreendente e valer por miniférias. Para aproveitar melhor
os atrativos urbanos, pesquise as tarifas de fim de semana praticadas
por hotéis voltados para o público executivo. Acesse
os sites dos jornais locais para informar-se sobre a programação
cultural. Dica especial: a Barra da Tijuca já é outro
Rio dentro do Rio e vai ficar melhor ainda com mais cinco hotéis
de luxo: um Meliá, inaugurado em abril, um Blue Tree Park
e um Sheraton em breve e outros dois até 2004. Com praia
na porta, uma profusão de shoppings e parques temáticos,
era o que faltava nessa cidadezinha maravilhosa.
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