Todo mundo quer ir para a ilha dos sonhos

De Porto Seguro a Trancoso, é um agito só

Salvador, tradição com modernidade

Férias com mordomia

Rio Quente, a número 1

Serra gaúcha, gostinho europeu e muito vinho

Tiradentes, uma jóia de Minas

Bocaina, segredos de uma serra com história

Porto de Galinhas, piscinas no mar e bons hotéis

Pipa e Natal, golfinhos e dunas

Fortaleza, capital do turismo bem planejado

Chapada Diamantina, o melhor destino radical
Exclusivo on-line: Clima de esoterismo total em Alto Paraíso

A preferida dos jovens — e das loiras

Os melhores lugares para namorar

Como descobrir o Pantanal

A transparente beleza de Bonito

Cataratas do Iguaçu para brasileiro ver

Amazonas, a imensidão é nossa
Exclusivo on-line: Alter do Chão, uma surpresa no coração
do Pará


Programa de 500 anos

Copacabana Palace e Emiliano no topo

Conselhos de um turista profissional

Uma lista de sites úteis para navegar pela internet antes de viajar pelo país
 
     

 
VIAGEM  
 

Dicas do turista profissional

Um especialista em boas oportunidades ensina
como facilitar e baratear as férias de cada um

Ricardo Freire

 

Ilustrações Attílio

O publicitário e jornalista Ricardo Freire sabe do que está falando quando o assunto é viajar. Aos 38 anos, ele é um veteraníssimo viajante nacional ("Tirando Aracaju e Vitória, pode me soltar em qualquer capital litorânea do Brasil que eu sei me movimentar") e internacional (está indo para o quarto passaporte). Freire viaja por prazer, por vocação e por interesse: já escreveu três livros de viagem. O mais recente é o utilíssimo Freire's Brasil Praias, produzido ao longo de dois anos e meio e 35 000 quilômetros rodados no litoral nacional. Aqui, ele divide um pouco do conhecimento acumulado.


A mão do mercado


Quem quer viajar com conforto e economia precisa acatar a lei da oferta e da procura e balizar-se por quatro regras básicas:

1) Viajar fora de temporada, conselho fundamental para quem não tem filhos ou os tem suficientemente pequenos para ser subtraídos da escolinha por breve período. Fora das férias escolares e dos feriadões, os preços caem, as multidões diminuem e não se volta da viagem com a sensação de ter pago uma exorbitância para disputar espreguiçadeiras na piscina.

2) Programar-se com antecedência. Quem pesquisa e se organiza acaba encontrando bons negócios. A entrada da Gol no mercado aéreo mexeu com os preços do mercado. Hoje, quem reserva com antecedência encontra tarifas similares até em companhias voltadas ao mercado executivo, como a TAM e a Rio Sul.

3) Nunca, jamais aceitar a tarifa-balcão. Lute até o fim pelo direito de não pagar um preço que é apenas um ponto de partida – e que, daí, só pode ir para baixo.

4) Pesquisar na internet. Nem que seja apenas para ver fotos de hotéis e pousadas que só mostram os melhores ângulos. Sempre dá para ter uma idéia razoável do que o aguarda e evitar o tipo de decepção que pode arruinar a mais preciosa das instituições, suas férias.


Abrindo os pacotes


Comprar um pacote e viajar em grupo pode ser meio tumultuado, mas o preço, em geral, compensa o desgaste. Quem prefere zarpar por conta própria ganha em flexibilidade

Sempre que for viajar para lugar de alto apelo turístico, faça a ronda dos pacotes disponíveis. Em geral, pelo menos financeiramente, vale a pena embarcar em um, ainda que seja para, uma vez chegado ao destino, descolar-se do grupo e fazer o que bem entender. Quando fretam vôos especiais (ou compram grandes quantidades de assentos em vôos regulares) e fecham acordos vantajosos com hotéis, as grandes operadoras conseguem preços imbatíveis – e ainda financiam em suaves prestações. Na ponta do lápis, verifica-se que, pelo preço que o turista pagaria somente pela passagem aérea "cheia" (sem descontos promocionais), os pacotes dão de lambuja uma semana de hotel quatro-estrelas com café da manhã e city tour.

Esteja preparado para alguns percalços. No caso de fretamento, muitas vezes o passageiro só é informado do número de escalas na hora do embarque. Os dias da chegada e da saída costumam ser perdidos em check-in e check-out e na lengalenga de levar e buscar hóspedes nos hotéis. E alguns desses hotéis são longe de tudo ou decadentes. Para escapar deles, descubra os mais bem localizados – de onde seja possível ir a pé ou para as atrações diurnas (uma praia ótima, por exemplo) ou para a vida noturna. Geralmente custam um pouco mais caro, mas você não vai se arrepender. Outra boa pergunta para fazer nessa hora é: "Qual hotel nunca gerou reclamação?". E, se for se hospedar em hotéis de cidades ou vilarejos turísticos, dispense a meia pensão. A cozinha nunca será muito boa, e comer fora, afinal, é uma das atividades-fim das férias.

Todo cuidado é pouco com os tais "passeios opcionais" oferecidos na maioria dos pacotes. Muitos até podem ser um bom passatempo: por algo entre 25 e 40 reais por pessoa, as agências de turismo oferecem um passeio diferente por dia. Entretanto, alguns são meros caça-níqueis que internam o turista em lugares conveniados com as agências. Quem gosta de ser dono de seus horários e não é muito chegado a excursões em grupo deve dispensar, sem receio, os tais tours. Em duas pessoas é possível tratar esses passeios com taxistas, gastando a mesma coisa e cumprindo o programa no próprio ritmo.


Arrisque o vôo-solo


Quem viaja desvinculado de grupos escolhe seus vôos e pode hospedar-se em hotéis e pousadas de charme que não constam do cardápio das operadoras. Também é mais fácil ocupar o quarto antes da hora oficial ou conseguir ficar até mais tarde. Problema: geralmente, custa mais caro. Economizar é possível, mas dá trabalho. A chave está no transporte – viajando de ônibus, carro próprio ou com passagens grátis dos programas de milhagem. Quem voa com as companhias aéreas econômicas (Gol, B.R.A., Nacional, ViaBrasil e Fly) ou aproveita os descontos promocionais (nas compras feitas com antecedência, por exemplo) das companhias convencionais e se hospeda em hotéis três-estrelas ou pousadas também consegue preços finais parecidos com os dos pacotes.

Se for encarar a viagem-solo, prepare-se: a pesquisa não será fácil. A internet é muito útil para ver fotos de hotéis e pousadas, mas a rede deve ser encarada como uma biblioteca de folhetos de divulgação, e não como o oráculo da verdade absoluta. Use as agências de viagem virtuais para descobrir passagens superpromocionais e as home pages dos hotéis e pousadas para checar eventuais "tarifas especiais para internautas".

Em épocas de movimento, jamais chegue a um hotel ou resort sem reserva feita; os chamados "passantes" acabam pagando a tarifa-balcão, que pode chegar ao triplo do que é cobrado de quem faz a reserva por telefone. Já na baixa temporada, o turista que deixar para escolher sua pousada in loco pode fazer bom negócio. O tal "passante" é capaz de salvar o caixa numa época de movimento fraco. E quem viaja por conta própria pode e deve alugar carro, prática que, até que enfim, compensa no Brasil. Há três anos, um automóvel 1.0 com ar-condicionado custava 100 dólares por dia nas grandes locadoras; hoje, sai por 100 reais, com quilometragem livre e seguro. Em locadoras menores, que não têm balcão no aeroporto e oferecem veículos mais rodados, é possível conseguir tarifas de 50 ou 60 reais.


Manual do resort

 


Para quem viaja com criança e quer conforto e segurança, o resort é a melhor opção. Sugestões: fuja dos quartos perto das piscinas e vá conhecer outras praias

Os resorts são filhos dos clubes de antigamente, primos dos shopping centers e colegas de classe dos condomínios fechados. Quem viaja com criança e quer conforto, atividades e segurança num mesmo endereço não tem opção mais conveniente. É bom saber, no entanto, que dificilmente as praias são nota 10 – e, quando são, os hóspedes ainda parecem preferir as piscinas. Por isso mesmo, fuja dos apartamentos próximos a elas, que são os mais barulhentos. Também é fundamental informar-se ao chegar sobre os extras, como telefonemas e bebidas, para não ter más surpresas na saída. Se o almoço não estiver incluído, prefira o peixinho frito do primeiro quiosque de praia. No hotel, almoços à la carte costumam ser caros e não têm a qualidade dos bufês do jantar. Lá pela metade da estada, junte a família e alugue um carro. Você vai descobrir praias mais bonitas e lugares com mais "cor local" que seu resort.


Surpresas urbanas

 


A entrada das empresas aéreas econômicas no mercado baixou o preço das passagens. Até as companhias convencionais dão desconto para reserva com antecedência

Nem só em praia e montanha deve gastar sola um turista – as grandes cidades também podem ser um achado. Hoje não há capital que não tenha sofisticado sua cena gastronômica, apurado o comércio e a vida cultural, restaurado e dado uso a seu centro histórico. Ao contrário dos pequenos vilarejos turísticos, que entram em colapso em feriadões e na alta temporada, as grandes cidades absorvem turistas nessas épocas sem transtornos. Um fim de semana prolongado numa capital brasileira que se visita pela primeira vez pode ser um programa surpreendente e valer por miniférias. Para aproveitar melhor os atrativos urbanos, pesquise as tarifas de fim de semana praticadas por hotéis voltados para o público executivo. Acesse os sites dos jornais locais para informar-se sobre a programação cultural. Dica especial: a Barra da Tijuca já é outro Rio dentro do Rio e vai ficar melhor ainda com mais cinco hotéis de luxo: um Meliá, inaugurado em abril, um Blue Tree Park e um Sheraton em breve e outros dois até 2004. Com praia na porta, uma profusão de shoppings e parques temáticos, era o que faltava nessa cidadezinha maravilhosa.