| |
Rio 500
anos
Aproveite
o aniversário da Baía de
Guanabara para uma viagem no tempo:
um giro pela colônia, a valsa que nunca
termina na Ilha Fiscal, um adeuzinho a
Getúlio no Catete...

Lucila
Soares
Oscar Cabral
 |
| A
paisagem carioca se estende na linha do horizonte do castelinho
gótico da Ilha Fiscal: vista que encanta desde o tempo
de dom Pedro II |
O
Brasil não se chamava Brasil
e era uma terra recém-descoberta no ano de 1502, quando os
homens comandados por Gonçalo Coelho se deslumbraram diante
da visão da Baía de Guanabara, com suas águas
tranqüilas cercadas pelo vigor da floresta e a majestosa linha
de montanhas no horizonte. "Esta terra é muito amena, e cheia
de inúmeras árvores verdes e muito grandes,
que nunca perdem folha, e todas têm odores suavíssimos
e aromáticos, e produzem inúmera fruta", descreveu
o italiano Américo Vespúcio, que fazia parte da expedição
a primeira a explorar o litoral brasileiro depois do descobrimento.
Nestes 500 anos que nos separam do relato de Vespúcio, a
paisagem do Rio de Janeiro continuou seduzindo nativos e visitantes.
Tanto que chega a ser difícil afastar-se de tanta beleza
natural, voltar um pouco as costas à orla e prestar mais
atenção nas atrações que ficam a apenas
um rápido trajeto de táxi das praias da Zona Sul.
Vale, no entanto, fazer o esforço. Entre os caixotões
de concreto da selva urbana do Centro e imediações,
existe uma cidade que guarda como nenhuma outra a história
do Brasil. Os cinco séculos de descoberta da Baía
de Guanabara, comemorados neste ano, são um pretexto a mais
para conhecê-la melhor.
Claudia Laborne
 |
| A
fachada caiada esconde o interior riquíssimo, com o precioso
trabalho de talha de madeira revestida de ouro, na restaurada
igreja de São Francisco da Penitência: choque de
barroco |
Essa
viagem ao consciente histórico dos brasileiros está
praticamente toda concentrada numa área pequena, que pode
ser conhecida em um ou dois dias. A saga dos pioneiros aflora nas
fortalezas que guardam a entrada da Baía de Guanabara. O
poder das ordens religiosas fica evidente no número e na
opulência de igrejas e conventos entrar na restaurada
São Francisco da Penitência dá um arrepiante
choque de barroco. Na Praça Tiradentes, foi enforcado o mártir
da independência. O Dia do Fico está eternizado no
Paço Imperial, construção do século
XVIII que abrigou a família real portuguesa a partir de 1808
e foi palco também da assinatura da Lei Áurea. Na
Ilha Fiscal, uma ilhota onde só cabe um castelinho, a nobreza
valsou pela última vez antes da queda do Império (chega-se
lá em lanchas que saem do Espaço Cultural da Marinha,
e a vista que se tem da cidade, razão que levou dom Pedro
II a encomendar a obra ao engenheiro Adolpho Del Vecchio, continua
deslumbrante). A República foi proclamada no Campo de Santana.
A era Vargas tem seu símbolo mais famoso no Palácio
do Catete, transformado em Museu da República. Transposto
o ensolarado jardim em estilo francês, dá para sentir
um frio bafo de história diante do despacho presidencial
e do quarto em que Getúlio se matou, em 1954, mantidos intactos.
Arthur Cavaliere/Strana
 |
| O
Museu da República, onde foi o Palácio do Catete:
jardins franceses do século XIX e memórias da
era Vargas no quarto em que o presidente se suicidou |
Nas
escalas entre as atrações, passeios a pé evocam
as camadas de história sucessivamente acumuladas. Apesar
das muitas e freqüentemente infelizes reformas urbanas levadas
a cabo na cidade, é possível ter uma boa noção
da evolução da vida cotidiana ao longo do tempo. Nos
apertados quarteirões próximos à Praça
Quinze, sobrevivem ares do Brasil colonial, com ruas, como a Travessa
do Comércio, calçadas de pedras pé-de-moleque
e ladeadas por sobrados coloridos. A área do Largo de São
Francisco guarda a lembrança da imponência do Império.
Perto dali está a Confeitaria Colombo, uma jóia da
arquitetura da belle époque que lembra que o Rio, como o
mundo inteiro naquele tempo, sonhava ser Paris.
A
graça adicional desse mosaico histórico é que
ele continua a participar da vida da cidade no século XXI.
A maior parte dos monumentos que remetem às aulas de história
abriga hoje uma fatia considerável da programação
cultural carioca. Na Praça Quinze e adjacências, o
Paço Imperial, o Centro Cultural Banco do Brasil, o Espaço
Cultural dos Correios e a Casa França-Brasil sediam as melhores
exposições de artes plásticas da cidade. Por
causa do roteiro cultural, formou-se na região uma rede de
restaurantes e bares instalados em velhos sobrados restaurados.
Os Arcos da Lapa, aqueduto construído no século XVIII
e marco da boemia carioca nos anos 30, hoje funcionam como portal
de uma das áreas mais agitadas da cidade, que ferve à
noite. A presença maciça de jovens de todas as tribos
desfaz qualquer idéia de saudosismo.
Bia Parreiras
 |
| Um
Rio que sonhava ser Paris na arquitetura belle époque
da Confeitaria Colombo: em um dia, asseio por cinco séculos
de história |
A ressurreição
do Centro do Rio é resultado de uma política de restauração
e preservação iniciada há cerca de quinze anos.
Falta muito que fazer, e a paisagem urbana degradada domina todos
os espaços entre os marcos históricos. A vantagem
da cidade é que, percorrido o roteiro do Rio do passado,
pode-se voltar para os outros Rios das praias incomparáveis,
da badalação na Zona Sul, do planeta Barra da Tijuca,
dos passeios nas florestas urbanas e, sim, das paisagens que há
500 anos nos comovem com sua beleza única.
|
|
 |


(Para acessar o site dos hotéis, clique
nos estabelecimentos sublinhados)

Hospedagem
| |
Quem
quiser fazer o "pacote histórico" completo tem de ficar
no Hotel
Glória (fone: 0800-213077; diárias entre
240 e 395 reais). Inaugurado em 1922, exibe ar deliciosamente
nostálgico. Para quem não consegue ficar longe
das praias da Zona Sul, o Rio tem excelentes hotéis,
como o Caesar
Park (fone: 2525-2525; a partir de 679 reais em dias
úteis e 375 nos fins de semana), em Ipanema, e, em
Copacabana, o Le
Méridien (fone: 3873-8850; pacote promocional
de três noites em julho por 675 reais) e o Sofitel
(fone: 2525-1160; a partir de 430 reais). O Sheraton
(fone: 0800-111345; a partir de 350 reais, com promoções)
tem vista inesquecível. O Marina Palace (fone:
2540-5212; diárias começando em 280 reais) é
badalado e bem localizado, no Leblon.
|

Restaurantes
| |
Há
profusão de restaurantes instalados em antigos sobrados
no Centro do Rio. Um dos mais novos e originais é o
Cais do Oriente (fone: 2233-2531), onde se come atum
ao molho de uva, no pátio, olhando o céu. O
único que mantém intacta a arquitetura original
é a Confeitaria Colombo (fone: 2232-2300). Os
hotéis da Zona Sul abrigam restaurantes de primeira
linha, caso do francês Le Pré Catelan
(fone: 2525-1160), no Sofitel, e do italiano Cipriani
(fone: 2545-8747), no Copacabana
Palace. Dois restaurantes dignos da fama são
o Claude Troisgros (fone: 2537-8582), em que o chef
mistura ingredientes típicos da cozinha francesa, como
pato, codorna e foie gras, com produtos tropicais como jabuticaba
e açaí, e o português Antiquarius
(fone: 2294-1049).
|

Visitas
guiadas
| |
O
Sindicato Estadual dos Guias de Turismo (fone: 2267-4462/4582)
organiza visitas aos principais locais históricos e
culturais da cidade.
|

DDD
| |
O
DDD do Rio de Janeiro é 21
|
|
 |
|