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Férias com mordomia

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Programa de 500 anos

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Conselhos de um turista profissional

Uma lista de sites úteis para navegar pela internet antes de viajar pelo país
 
     

 
AMAZONAS  
 

A grandeza da Amazônia

Tudo lá é superlativo: a área, a altura das
árvores, o volume de água, a diversidade
das espécies. E toda essa exuberância
está mais acessível ao turista

Leonardo Coutinho


Fotos Araquém Alcântara
tara
Só de espécies de aves, a Amazônia tem 1 100, um recorde mundial (na foto à direita, um exemplo intrigante, o anacã): exageros da natureza

Estrangeiros que vêm ao Brasil em viagem de turismo topam qualquer sacrifício para encaixar a venerada rainforest no roteiro. Já o turista brasileiro, quando pensa nas férias, em geral nem se lembra daquela metade de seu país coberta pela floresta mais extraordinária do mundo. Manaus, a base de lançamento para o coração da Amazônia, fica longe dos grandes centros e, até há algum tempo, a falta de meios para se embrenhar na mata e rios com um mínimo de segurança e conforto, somada à dificuldade de hospedagem, explicava esse distanciamento. As únicas alternativas eram alguns poucos hotéis de selva com diárias de centenas de dólares. Mais fácil e mais barato ir a Miami, era o raciocínio. Não se vai, porém, à Amazônia para fazer compras – e sim para se deslumbrar com a grandiosidade da floresta, viagem que ficou bem mais fácil. No Estado do Amazonas, funcionam atualmente mais de quarenta hotéis de selva. Há desde colossos com mais de 300 apartamentos suspensos em torres de oito andares até plataformas flutuantes com quatro quartos. As diárias chegam a 2 000 dólares, mas também se encontra um hotel de selva em belo cenário por 240 reais o pacote de fim de semana, com três refeições. Quem não quer – ou não pode pagar – tanta imersão verde tem a opção de ficar em Manaus e fazer passeios diários à floresta.

 
Valdemir Cunha
São quarenta hotéis de selva no Estado do Amazonas, alguns com mordomias como esta piscina panorâmica do Ariaú, suspensa acima do solo: imersão total na floresta

Um enclave urbano na fatia mais preservada da Floresta Amazônica, Manaus demorou para perceber que só lhe faltava estrutura para pegar carona no mais emblemático e desejado destino de ecoturismo mundial. Hoje, o esquema básico está montado. Cadeias internacionais de hotelaria, como Ibis, Marriott, Novotel e Holiday Inn, já operam ou estão construindo unidades na cidade. Barcos-hotéis foram equipados para levar turistas por vários dos mais de 1 000 afluentes do Rio Amazonas com conforto. A própria cidade ficou mais agradável, com novos restaurantes e a revitalização de legados do tempo do ciclo da borracha, como o encantador Teatro Amazonas. No Mercado Municipal Adolpho Lisboa, uma imitação de ferro e vidro do antigo Les Halles, de Paris, o exotismo da Amazônia está à venda em forma de milagrosas poções de ervas ditas medicinais, talismãs feitos de partes de animais, peixes gigantes para consumo, como o pirarucu, e frutas desconhecidas dos não-amazônidas, como o biribá.

Mas Manaus é apenas o ponto de partida. Margeada pelo Rio Negro e cercada de mata, a cidade permite que em menos de uma hora se alcance um cenário merecedor de todos os elogios grandiloqüentes, daqueles que se ouvem e lêem sobre a Amazônia mundo afora. Um dos programas de um dia a partir de Manaus mais concorridos é o Parque Ecológico do Lago Janauari. O barco leva o turista para o encontro das águas dos rios Negro e Solimões e depois para passeios de canoa no nível dos troncos das árvores da floresta inundada. O silêncio só é quebrado quando um macaco muda de galho ou um jacaré decide voltar à água. As empresas que operam os barcos-hotéis também trabalham com passeios diários. Os roteiros mais longos podem ser definidos pelo próprio turista, com diária de cerca de 100 dólares. No trajeto até o labiríntico Arquipélago de Anavilhanas, por exemplo, há paradas para fazer trilhas e conhecer uma aldeia indígena e vilas de caboclos ribeirinhos. Os passeios de um dia, em geral, levam até reservas ecológicas próximas de Manaus. Mais inusitada, em termos de Amazônia, a cidade de Presidente Figueiredo, a 130 quilômetros de Manaus, é outro programa oferecido pelas agências. A região tem quarenta cachoeiras abertas para visitação e uma dezena de cavernas e grutas.

 
Cícero Viégas/Isuzu Imagens
Image Bank
Pôr-do-sol de derreter coração de turista, à beira do rio, com macaco-barrigudo em primeiro plano, e a noite de espetáculo no encantador Teatro Amazonas, em Manaus: aplausos para todos

Com a proliferação dos hotéis de selva, agora há opções de localização e infra-estrutura para vários perfis de turista, do que não se incomoda em dormir na rede ao que não abre mão de banheira com água quente, ar-condicionado e computador com acesso à internet dentro do quarto. A programação oferecida aos hóspedes costuma incluir passeios de canoa, pesca de piranha, visita a famílias ribeirinhas, focagem noturna de jacarés e caminhadas na floresta. Em cada um, a natureza dá seu toque de exagero, tornando cada cenário um deslumbramento de proporções amazônicas. O pôr-do-sol ilumina não dezenas, mas centenas de pássaros. A água chega a fervilhar com a quantidade de piranhas. Na trilha pela floresta, em pouco mais de uma hora o turista vê mais diversidade de plantas do que a existente em toda a Europa. Tudo isso aí, no nosso país. Tudo nosso.

 

(Para acessar o site dos hotéis, clique nos estabelecimentos sublinhados)

Manaus

Hospedagem
 

De frente para a Praia de Ponta Negra, com arcos em todas as paredes, o imenso Hotel Tropical (fone: 0800-7012670; 372 reais) tem 588 apartamentos, duas piscinas, uma com onda, zoológico e boate. O Ibis (fone: 613-6234; 79 reais, sem café da manhã) oferece a combinação típica da rede: simplicidade eficiente com bons preços. A singela pousada Mango Guest House (fone: 656-6033; 50 dólares) é freqüentada por alemães e ingleses. Seu restaurante especializado em pescados é um dos melhores da cidade.


Hotéis de selva
 

O Amazon Lodge (fone: 656-6033; 710 dólares o pacote de três dias) fica sobre um lago escuro, cenário que compensa o banheiro coletivo e a falta de água quente. No Amazon Village (fone: 633-1444; 420 dólares por dois dias), a água também é fria e a ambientação, rústica, mas oferece mais espaço. O maior atrativo da Pousada Amazônia (fone: 625-5477; 480 reais o fim de semana) é a área de floresta alagada para percorrer de barco. Com 360 apartamentos em torres suspensas, o Ariaú Amazon Towers (fone: 0800-925000; 1 436 reais o pacote de três dias em apartamento standard) tem uma lista de clientes famosos, animais domesticados e excentricidades decorativas. O auge é a suíte cósmica, com diária de 2 000 dólares. O rústico Apurissawa Jungle Lodge (fone: 622-2821; 540 dólares por três dias) fica no belo Arquipélago de Anavilhanas. A meia hora de barco de Manaus, o Amazon Ecopark Lodge (fone: 652-1703; 780 reais o fim de semana) oferece uma área com cerca de 200 macacos. Todas as diárias dos hotéis de selva incluem pensão completa.


DDD
 

O DDD da região é 92