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É Bonito,
é bonito
e é bonito
A
região de Bonito tem uma
concentração impressionante
de belezas naturais. Num raio
de 50 quilômetros da cidade,
há mais de trinta atrativos,
de rios translúcidos e
cachoeiras a grutas surreais

Flávia
Varella
Araquém Alcântara
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Tentar
entender a beleza impressionante de Bonito leva-nos a um passado
medido em eras geológicas. Há 600 milhões de
anos, a natureza presenteou a região com um subsolo de rocha
calcária, tão pura que é solúvel em
água. Muitos e muitos anos mais de chuva e gotejamento interno
nas serras e montes escavaram cavernas com paredes repletas de estranhos
enfeites, iluminadas por lagos azuis. Na planície, a água
infiltra-se e ressurge como nascentes e rios onde o calcário
absorve os sedimentos, criando o efeito cristalino que deixa os
visitantes estonteados. Não bastasse o espetáculo
visual, Bonito ainda teve a sorte de surgir para o turismo nacional
há pouco mais de uma década, quando já existia
o conceito de preservação ecológica. A conjunção
dessas duas bênçãos resultou em um destino turístico
em que a beleza da natureza encanta os olhos e o cuidado em mantê-la
afaga a consciência.
Rico

As
marcas de milhões de anos nas estalactites da Gruta do
Lago Azul: silêncio e acesso privilegiado a preciosidades
da natureza |
Bonito
tem mais de trinta atrativos: grutas e cavernas, jardins aquáticos,
cachoeiras, passeios de bote, a cavalo, de bicicleta e a pé
em mata e campo, locais para esportes de aventura. Em todos é
preciso acompanhamento de guia e todos têm limite diário
de visitantes. O objetivo é minimizar o impacto, mas um ótimo
efeito secundário é a sensação de privacidade,
de acesso privilegiado a preciosidades da natureza. Dentro da Gruta
do Lago Azul, uma cratera onde caberiam mais de 100 pessoas, nunca
há mais de quinze. Se todas fizerem silêncio, além
das estalactites (formações calcárias que surgem
do alto para baixo), estalagmites (de baixo) e electites (na horizontal),
dá para apreciar a música das gotas d'água
caindo no lago, que é - ressalte-se - verdadeiramente azul.
A apresentadora Eliana esteve lá para fazer um programa e
usa uma expressão singela para resumir a paisagem: "Um
conto de fadas".
Todos
os passeios são pagos. Em compensação, o turista
recebe tudo de que precisa e mais o que nem imaginava precisar.
Na visita ao Buraco das Araras, ele vê um show de araras-vermelhas
gritando e voando em círculos e ainda descobre que dolina
(definição geológica desse buraco) é
o contrário de colina, ou seja, uma depressão na terra,
e que as araras são fiéis a seus parceiros até
a morte. No Abismo Anhumas, o preço inclui a segurança
na descida por corda dos 72 metros até o grande lago no interior
da caverna. O cenário é surreal: silêncio profundo;
formas calcárias que lembram cortinas, pétalas de
flor, cascatas e uma floresta de cones submersa que se percorre
mergulhando.
Divulgação

A
apresentadora Eliana acha que o nome Bonito é pouco: "Tudo é
lindo. Os rios têm a água mais cristalina que já vi e as cachoeiras
remetem aos contos de fadas" |
No
Aquário Natural, o visitante recebe roupa de neoprene, sandálias
de borracha, colete salva-vidas, máscara de mergulho e snorkel
esterilizado. Depois ainda descobre que um barco o acompanha enquanto
olha os enormes dourados e cardumes do minúsculo e vermelho
mato-grosso num rio com visibilidade de mais de 40 metros. Na chegada,
novas mordomias: cama elástica no rio, vestiário,
piscina no meio da mata e até hidromassagem aquecida. A civilidade
é um atrativo a mais em Bonito. Por isso, prepare-se para
ir para lá como quem vai, como nós brasileiros temos
mania de dizer, a um país de Primeiro Mundo: leve dinheiro
e programe tudo com antecedência. Na alta temporada, é
preciso fazer reserva para os passeios mais procurados até
dois meses antes - menos que um piscar de olhos se comparado às
eras que a natureza levou para montar o cenário.
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(Para acessar o site dos hotéis, clique
nos estabelecimentos sublinhados)

Hospedagem
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Bonito
é mais pródiga em atrativos naturais que em confortos urbanos.
O único resort é o Zagaia
(fone: 255-1280, diária de 269 reais com café da manhã e jantar).
Num galpão envidraçado, com bela vista panorâmica, ficam uma
piscina térmica, sauna, hidromassagem e sala de ginástica.
A agradável Pousada Olho-d'Água
(fone: 255-1430, 175 reais com café da manhã e jantar) tem
blocos com quatro apartamentos espalhados em um jardim repleto
de árvores com uma piscina. Na Águas
de Bonito (fone: 255-2330, 142 reais), os quartos
são grandes, com varanda e rede, e a decoração é esforçada,
mas sem requinte. A piscina tem hidromassagem e é aquecida.
O Marruá
(fone: 255-1040, de 120 a 150 reais) é o hotel que recebe
a maioria dos pacotes de agências. É simples, mas tem piscina,
sala de jogos e de ginástica.
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DDD
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