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PANTANAL  
 

Banho de natureza

O Pantanal é um imenso território
selvagem aonde o turista vai para
ver uma sucessão de espetáculos
exuberantes: a explosão de vida
animal, a imensidão das águas
e até jardins submersos

Flávia Varella


Fotos Araquém Alcântara
Geografia plana com cores por todo lado: na vegetação e no céu, refletidas na água e em aves como o tuiuiú

O Pantanal brasileiro tem o tamanho de dois países somados, Portugal e Suíça, por exemplo. Mas abriga menos gente que uma cidade brasileira de médio porte, como a paulista Presidente Prudente. Em compensação, tem maior quantidade de jacarés que a Austrália tem de australianos: 20 milhões. O Pantanal é um imenso território selvagem, o melhor safári fotográfico das Américas, o lugar onde se vê a explosão de vida animal que faz tanta gente se frustrar por não encontrar na imensidão amazônica. Esse mergulho na natureza é facilitado pela geografia plana e pela vegetação baixa. O cenário onde se vê o horizonte de ponta a ponta transforma o nascer e o pôr-do-sol em show de luzes e cores. A música ambiente combina o canto e o grito das 650 espécies de aves, o ronco dos macacos ou até, com sorte, o esturro da onça. É mais fácil encontrar uma família de ariranhas (um dos 95 mamíferos da região) fazendo algazarra na beira do rio que uma família de pantaneiros em trânsito. Ao mesmo tempo que atrai, essa vastidão selvagem dificulta a vida dos turistas. O acesso é complicado, a fauna e a flora mudam em questão de quilômetros. Na cheia (entre dezembro e abril), a paisagem é mais exuberante. Na seca, é mais fácil avistar os animais. Para ajudar na escolha do roteiro mais compatível com os diferentes perfis de turistas, são sugeridos a seguir cinco tipos de viagens.

 


Nas fazendas transformadas em pousadas, como a Barra Mansa, o turista tem rotina de pantaneiro: acorda às 6 horas e sai em busca de bichos e visuais

No meio do mato - Hospedar-se numa fazenda no interior é a melhor maneira de conhecer o Pantanal - e também a mais cara (pela necessidade de fazer trajetos adicionais de avião para chegar e sair). No centro do Pantanal Sul, onde ficam as áreas mais intocadas e mais ricas em ecossistemas - portanto, as mais variadas em beleza natural -, há diversas fazendas-pousadas. Na Rio Negro, transformada pela organização ambientalista Conservation International em área de preservação e ecoturismo, as lâminas d'água das baías e salinas refletem a vegetação. Na beira do rio, formam-se trechos de areia clara e fofa, como a "Praia da Juma", onde a personagem da novela Pantanal tomava banho. A Fazenda Barra Mansa, além dos passeios por terra e rio, leva os hóspedes sobre as águas translúcidas de uma vazante através das quais se avista, no fundo, um jardim submerso. A fazenda Santa Sophia recebe turistas para cavalgadas, em programa restrito a cavaleiros experimentados.



O Pantanal reúne exemplares da Mata Atlântica, do cerrado e da Amazônia, como a vitória-régia: 1 800 espécies de plantas e paisagens diversas

Corumbá e estrada-parque - Atendida por vôo regular, Corumbá é um bom ponto de partida para o Pantanal. Nas margens dos 116 quilômetros da estrada-parque, há água e aves na cheia e campos, riachos e muitos animais na seca. Os turistas hospedam-se na cidade e fazem passeios diários pela estrada, onde fazendas têm programa de um dia ("day-use"), com direito a passeios a cavalo, a pé ou de barco e almoço. É possível também ir direto para as pousadas na beira do caminho, como a Arara-Azul e a Passo do Lontra. Outra opção são os barcos pesqueiros, alguns bem confortáveis, com cabines com cama de casal, ar-condicionado e banheiro privativo, que estão se adaptando para passeios de contemplação da natureza. Por enquanto, eles só trabalham com grupos de no mínimo seis pessoas. A partir de setembro, haverá saídas regulares com objetivo exclusivo de ecoturismo.

Miranda e arredores - Nos últimos dois anos, várias fazendas a no máximo 50 quilômetros de Miranda abriram as portas para o turismo, com programas diários ou hospedagem. Na San Francisco, o turista faz caminhadas, safári fotográfico em caminhonete e passeio de chalana, uma espécie de balsa. Na Santa Inês, que fica numa área de terras altas, mais seca, o atrativo maior é acompanhar a cavalo uma comitiva pantaneira que transfere os bois de invernada. Na reserva das Figueiras, há trilhas pela mata e passeio pelo Rio Salobrinha, que, em determinadas épocas, fica tão claro que permite a observação dos peixes com máscara de mergulho.



A piúva, também chamada de ipê, é a árvore-símbolo do Pantanal. Ela floresce na seca, período em que é mais fácil avistar os animais: alta temporada

Refúgio Ecológico Caiman - A facilidade de acesso (240 quilômetros de Campo Grande), o conforto e o esquema profissional com que recebe até 70 pessoas fazem da Caiman um caso único de hotelaria no Pantanal. Ao chegar, o hóspede já sabe sua programação de passeios até o fim da estada. A hospedagem é feita na sede da fazenda e em outras três pousadas, todas com piscina.



A visão mais desejada pelos turistas é a da arredia onça-pintada, o maior predador: no Pantanal, o melhor safári fotográfico das Américas

Pantanal Norte - A pesca excessiva, o garimpo e a ocupação humana mais densa deterioraram algumas áreas do Pantanal de Mato Grosso, mas ainda há belas paisagens. Uma delas fica na fazenda que o Serviço Social do Comércio (Sesc) comprou e transformou em reserva natural. Junto foi erguido o Hotel Porto Cercado, que alia piscina, sala de cinema e quartos com TV a cabo e telefone com os mais estritos princípios de preservação ambiental.

 

 

(Para acessar o site dos hotéis, clique nos estabelecimentos sublinhados)

Hospedagem
 

Na Fazenda Rio Negro (fone: 351-5191, diária de 400 reais), os hóspedes são distribuídos entre quartos na sede, um belo casarão avarandado, construído em 1920, e em um anexo. Além dos passeios com guias, podem-se acompanhar pesquisadores nos estudos de campo. O Hotel Recanto Barra Mansa (fone: 325-6807, entre 450 e 600 reais) tem instalações simples que acomodam no máximo catorze pessoas, o que lhe confere um ambiente bem caseiro. O visitante pode escolher o passeio que quer fazer. O aconchego da Santa Sophia (informações, fone: 11 3034-2122, 500 reais) é uma bênção para os hóspedes que passam o dia em cima de um cavalo. É preciso avião para chegar a esses três locais. A hora de vôo, a partir de Aquidauana, custa cerca de 700 reais em avião para três passageiros. O Refúgio Ecológico Caiman (fone: 11 3079-6622, 550 reais; em julho, só pacotes de quatro dias) é o lugar perfeito para quem gosta de natureza, mas não de colocar o pé na lama. Ao longo da estrada-parque, a Passo do Lontra (fone: 231-6569, 180 reais nos chalés) é a hospedagem mais pitoresca e agradável. A Arara-Azul (fone: 384-6114, 258 reais) parece um alojamento de adolescentes, compensado pela beleza dos passeios ao redor. Para conhecer o Pantanal de barco, consulte a central de informações dos barcos pesqueiros de Corumbá (fone: 231-4316). Nos arredores de Miranda, uma das poucas fazendas que oferecem hospedagem é a Santa Inês (fone: 326-9070, 200 reais). No Pantanal de Mato Grosso, o hotel do Sesc, Porto Cercado (fone: 65 688-2001, diárias de 230 reais para não-comerciários e 100 reais para quem tem a carteirinha), tem fácil acesso via Cuiabá. (Todas as diárias incluem pensão completa.)


DDD
  O DDD da região é 67