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Férias
com fôlego
Subir
cânions, pedalar sobre pedras,
escalar cachoeiras. Esses sacrifícios
levam às visões mais extraordinárias
da paisagem brasileira
Bettina
Monteiro
Calil Neto
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Araquém Alcântara
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| Na
Chapada Diamantina, vale até bicicleta para chegar ao topo dos
morros. Em Aparados da Serra (à direita), o cânion
só pode ser alcançado a pé |
Subir
morro, andar até fazer bolhas nos pés, esfolar-se,
arrepiar-se de medo e acabar o dia esgotado numa cama nada confortável
não são atividades geralmente associadas a férias
ideais. No entanto, cada vez mais brasileiros alistam-se nas fileiras
do turismo de aventura, exatamente para passar por essas desventuras.
Todo mundo sabe que corpo cansado dá a agradável impressão
de vitória sobre a vil matéria. E que, à adrenalina
liberada diante de um penhasco, segue-se uma incrível sensação
de prazer. Mas o motivo mais contundente para tanta gente passar
maus bocados por livre e espontânea vontade não é
a bioquímica, e sim o cenário. Só o turismo
de aventura leva a algumas das paisagens mais excepcionais do Brasil.
Muitas inatingíveis para quem não se dispõe
a padecer um pouquinho na Terra antes de atingir o paraíso,
que pode estar logo ali, no alto de uma montanha ou no fundo de
uma caverna.
A visão mais extasiante da Chapada Diamantina o Taj
Mahal do turismo de aventura nacional, com uma boa infra-estrutura
para os radicais iniciantes é conquistada de cima
daqueles morros de pedra íngremes nas laterais e planos no
topo, típicos da região. Para chegar ao cume do mais
visitado deles, o Morro do Pai Inácio, a partir da cidade
colonial de Lençóis, percorrem-se 22 quilômetros,
num carro sacolejante ou num cavalo galopante, para depois seguir
a pé, na vertical, por mais uns vinte minutos. A recompensa
é estar a 1.240 metros de altitude e poder admirar, em 360
graus, um imenso campo verde (a Chapada é maior que a Holanda)
enfeitado por chapadões, vales, cânions, rios, cavernas
e lagos. Em algumas das mais de 200 cavernas da região, basta
uma lanterna para extasiar-se diante das estalactites e estalagmites.
Na maioria, porém, é preciso recorrer a estacas, cordas
e coragem. O
fotogênico Poço Encantado, por exemplo, só pode
ser apreciado por quem topa se enfiar numa caverna escura auxiliado
por uma corda. Lá dentro, o visual parece uma alucinação,
especialmente entre maio e setembro, quando os raios solares entram
pela clarabóia e tornam ainda mais deslumbrantemente azuis
a água e as paredes calcárias da gruta. Sem se molhar,
dá para enxergar o fundo do poço, a 60 metros de profundidade.
Fotos Carlos Zaith

Brotas
é a meca do turismo de aventura: todos os jargões em ação. Na
foto, turista faz cascading, descida de uma queda-d'água com
a ajuda de corda |
No
ano passado, 150.000 pessoas tiveram experiências fantásticas
como essa na Chapada Diamantina. E não foram apenas atletas
com músculos de aço nem malucos seqüestrados
pelo desejo de comunhão total com a natureza. Para encarar
o turismo de aventura basta ter um pouco de preparo físico
e muito, muito bom humor para enfrentar distâncias, poeira
e, eventualmente, um travesseiro duro. Em geral, ninguém
reclama. Na Chapada, a paisagem alterna vegetação
de caatinga, cerrado, áreas de Mata Atlântica salpicadas
de bromélias e orquídeas (há 200 tipos catalogados
na região) e até um minipantanal, o Marimbus, por
onde se passeia de canoa, vendo pássaros coloridos. Entre
um mandacaru e um ipê-amarelo, o turista ainda pode deparar
com outras manifestações extasiantes da natureza,
como o panapaná, a revoada simultânea de centenas de
borboletas multicoloridas. Cenas desse tipo, porém, são
apenas uma parte do encanto. No turismo de aventura, a natureza
não é apenas admirada, é desafiada.
A
cachoeira está lá para ser vista, mas também
para molhar, para ser atravessada, para provocar arrepios de medo.
Olhar a Cachoeira da Fumaça do alto de seus 340 metros é
pouco para um aventureiro de carteirinha: apenas 6 quilômetros
de trilha, 2 de subida e 4 em campo de altitude, sem sombra e com
pouco oxigênio. Completamente realizados só ficam os
que conseguem vê-la por baixo, sob a cortina esvoaçante
de gotículas provocada pelo vento. Nesse caso, a andança
dura três dias e duas noites, com banhos em rios e cachoeiras
e acampamento em grutas e barracas.

Esportes
radicais, como rafting, a descida de corredeiras a remo, transformaram
Brotas em um modelo de pólo turístico copiado: dezoito novos
hotéis em dez anos |
Férias de aventura perfeitas envolvem o uso de mochila, capacete,
mosquetão. No mínimo, um canivete e um cantil. E,
além de equipamentos, jargões. Descer pela cachoeira
pendurado em uma cinta e uma corda chama-se rappel. Atirar-se para
o nada, de uma árvore, pedra ou cascata, com uma cinta presa
a um sistema de cordas e roldanas tem o nome de tirolesa. Andar
de bicicleta em terreno acidentado, mountain bike. A região
de Brotas, no interior de São Paulo, é o lugar onde
todas essas peripécias são organizadas de maneira
mais sistemática. Ali, cada queda-d'água, cada morro,
cada pedra é desafiada. Nos feriados e fins de semana, o
principal rio dos arredores, o Jacaré-Pepira, fica coalhado
de bóias (bóia-cross) e botes infláveis (rafting)
cor de laranja dirigidos por aventureiros com colete e capacete
igualmente coloridos. O rappel é feito em penhascos e cachoeiras,
quase sempre com mais de 40 metros de altura. As agências
locais oferecem cerca de quarenta atrações. A dose
de adrenalina varia da cavalgada em noite de lua cheia ao arvorismo,
uma mistura de gincana com exercícios militares entre a copa
das árvores.
O turismo de aventura fez com que Brotas passasse dos dois hotéis
que tinha dez anos atrás para vinte. Hoje a cidade recebe
100.000 turistas por ano. O modelo deu tão certo que vem
sendo copiado. Basta a geografia colaborar. No Parque Nacional de
Aparados da Serra, no Rio Grande do Sul, os cânions são
percorridos a pé e de balão. No Vale do Itajaí,
em Santa Catarina, as agências locais já oferecem rafting
no Rio Itajaí-Açu. No Paraná, os turistas aventuram-se
em caminhada, rappel e ciclismo no Cânion Guartelá,
o sexto do mundo em extensão. Em Itacaré, na Bahia,
os nativos tornaram-se guias de trilhas pelas serras encostadas
no mar, de rafting pelos rios íngremes e de rappel nas cachoeiras.
O espetáculo da natureza costuma conquistar até os
mais renitentes sedentários.
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(Para acessar o site dos hotéis, clique
nos estabelecimentos sublinhados)

Chapada
Diamantina

Hospedagem
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O
Parque Nacional da Chapada Diamantina é rodeado por
várias cidades, que funcionam como porta de entrada.
A principal delas é a histórica Lençóis,
com surpreendente conjunto de construções coloniais,
diversas pousadas econômicas e pelo menos três
hotéis de bom padrão. O Portal Lençóis
(fone: 334-1233, diária de 195 reais), situado no alto
da cidade, é o mais confortável e bem equipado.
O Hotel
de Lençóis (fone: 334-1102, de 95 a
115 reais) já foi o melhor da região. Está
um pouco desatualizado, mas mantém como maior atrativo
uma agradável área de lazer, com ampla piscina.
O mais simpático é o Canto
das Águas (fone: 334-1154, diárias a
partir de 90 reais na ala antiga e de 200 reais na nova, bem
mais espaçosa). O rio que passa ao lado garante um
tranqüilizador som ambiente.
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Restaurantes
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A
modernidade gastronômica ainda ensaia chegar à
região, dominada por botecos com pratos feitos, todos
localizados no centrinho, em meio à badalação.
Entre as receitas regionais, o pirão-de-parida (galinha
caipira preparada à maneira que se serve às mães
recentes) e exotismos do teor do godó de banana, um ensopado
de carne-seca com banana verde. A melhor surpresa culinária
de Lençóis é uma pizzaria, a Pizza na
Pedra (fone: 334-1475). Detalhe importante: por causa do turismo
de aventura, Lençóis segue um horário peculiar.
Em geral, na hora do almoço, quando está todo
mundo fazendo algum programa fora, só se encontram lanches.
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Brotas

Hospedagem
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A
maioria dos hotéis e pousadas da cidade tem menos de
quatro anos de funcionamento, um atestado de juventude da
modalidade turística local.
O Estalagem
Quinta das Cachoeiras (fone: 653-2497, diárias
de 138 a 188 reais) avança à frente da concorrência,
com camas king-size com dossel e travesseiros de pena de ganso.
Uma opção agradável é o Recanto
Alvorada (fone: 3656-6332, 115 reais a suíte
com vista para a fonte e 96 reais com vista para o lago).
A Pousada Caminho das Águas (fone: 653-2428,
60 reais em dias úteis e 80 reais nos fins de semana)
é pequena, tem atendimento personalizado e um gostoso
café da manhã. Quem vai com a turma ou com família
grande pode alugar casas na cidade. Há dois serviços
de locação, o Casa
& Cia Brotas (fone: 3653-5150) e o Casas
& Chácaras (fone: 653-2371).
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Restaurantes
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A
cozinha regional paulista predomina, com toda a sua simplicidade:
arroz, feijão, mandioca, frango ou carne. As novidades
começam a aparecer no Malagueta (fone: 3653-5491),
com receitas contemporâneas, e no Santa Papa (fone:
3653-8183), com pratos como frango com molho de papaia acompanhado
de cuscuz marroquino. |

DDD
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