| |
É pura
diversão
Fortaleza
planejou, investiu e tornou-se
uma cidade voltada para o turismo.
Acertou com bons hotéis, programação
variada e um parque aquático que as
crianças adoram. Jericoacoara completa
a viagem ao Ceará, com sua paisagem
exótica e as baladas noturnas
Flávia
Varella
Jarbas Oliveira

O
Beach Park tem brinquedos para todas as idades e ainda uma bonita
praia em frente: piscina com ondas, toboágua de 41 metros de
altura e caranguejada na areia |
Fortaleza
é, das capitais nordestinas, a mais distante em relação
ao eixo RioSão Paulo. A maioria de seus hotéis
fica em frente a praias impróprias para o banho. A melhor
atração do Estado, a famosa Jericoacoara, está
a 305 quilômetros da capital, no mínimo cinco horas
de viagem. A maneira como Fortaleza superou esses obstáculos
e se tornou uma das quatro cidades que mais recebem turistas no
Brasil é exemplar. Em primeiro lugar, sua vocação
turística foi minuciosamente planejada, caso raro no Brasil.
Em segundo, e mais raro ainda, o planejamento foi cumprido. Nascida
nas instâncias políticas locais, a decisão veio
à tona há dez anos. Desde então, investiu-se
em infra-estrutura, em atrações como o Beach Park
e o centro cultural Dragão do Mar, sem paralelo nas outras
capitais do Nordeste, e na urbanização da orla marítima.
Os resultados são visíveis. Contando a partir de 1995,
o número de turistas mais que dobrou. No ano passado, ultrapassou
a marca de 1,6 milhão de pessoas. O aeroporto internacional
é eficiente. A média do serviço dos hotéis
é superior à das concorrentes regionais. O conforto,
também. A avenida dos hotéis, a Beira-Mar, fica lotada
de manhã, de tarde e, especialmente, de noite. É repleta
de turistas e de moradores, que fazem jogging, provam o caranguejo
e a cerveja servidos nos quiosques com mesas na areia, conferem
a feira de artesanato noturna ou, simples e tranqüilamente,
passeiam. As tradicionais noitadas na Praia de Iracema, que concentra
bares e restaurantes no mais perfeito estilo "zona turística",
ou seja, fachadas coloridas, mesas na calçada, cardápio
exposto numa estante, garçons e moçoilas
caçando fregueses, ganharam concorrência.
Para recuperar a graça perdida, mais investimento, na forma
de uma obra arquitetônica imponente, com torres e blocos de
concreto branco ligados por passarelas suspensas vermelhas, por
entre e sobre o belo casario do tempo em que Iracema era a área
portuária da cidade. Com planetário, museu, livraria,
cinemas com boa programação, um café moderninho
e eventos variados, o Dragão do Mar pegou. Virou animado
ponto de encontro noturno. Hoje, ao redor do centro cultural, há
bares, restaurantes e boates funcionando em prédios antigos
restaurados, como o Órbita e o Bar do Bexiga. O Dragão
só desanima de madrugada. Nessa hora, o agito muda para Mucuripe,
um bem montado complexo de duas boates e choperia, no fim da Beira-Mar.
Tibico Brasil

A
arquitetura futurista do Dragão do Mar revitaliza o casario
antigo do entorno. O centro cultural tem museu, cinema, planetário,
livraria e apresenta shows: diversificação |
De
dia, o endereço de encontro muda para 10 quilômetros
a leste da avenida dos hotéis. É a Praia do Futuro,
cujo atrativo maior é ser o local onde toda a cidade vai,
simplesmente, pegar praia. No mais, são 6 quilômetros
de areia, mar com boa balneabilidade e uma barraca ao lado da outra,
para todos os gostos. Tem a barraca da moçada (Biruta), a
dos GLS (Cabumba), a das famílias (Itapariká), a do
turismo masculino (Chico do Caranguejo) e mais algumas dezenas delas.
Uma única praia badalada é pouco? Não seja
por isso. Enorme e bem organizado, o Beach Park atrai turistas também
para a Praia Porto das Dunas, a 30 quilômetros de Fortaleza.
O parque aquático tem brinquedos com água jorrando
de todas as direções e das mais variadas maneiras.
É o tipo de programa bom para quem viaja com a criançada,
com opções para diversas faixas etárias. Tem
piscinas com ondas, com correnteza e rasinha para bebês. Tem
escorregadores suaves, toboáguas abertos e tubulares, que
caem reto e que dão voltas, para ser percorridos de costas
e de frente, com bote, com prancha ou na pele mesmo. O mais radical
despenca de uma torre de 41 metros, a altura de um prédio
de catorze andares. O parque é um microcosmo de diversões
aquáticas (só o ingresso de 50 reais e alguns preços
internos são de secar a garganta) e ainda está à
beira de uma praia bonita. No fim da enseada, fica a Prainha, emoldurada
por dunas.
Jericoacoara,
ou Jeri, para facilitar, é a outra atração
cearense com direito a ocupar um lugar de honra no mapa do turismo.
Nesse vilarejo de 2 000 habitantes, nenhuma pousada tem muito conforto,
nem mesmo muito charme. A praia é de areia batida, tão
pouco convidativa que não se vê um único guarda-sol.
Chegar lá demanda uma jornada estafante: cinco horas de asfalto
mais uma hora de trilhas de areia, sem parada. A paisagem única,
às vezes com um toque surreal, explica por que tantos turistas,
brasileiros e estrangeiros, enfrentam tamanha canseira. Numa área
enorme, a perder de vista, alternam-se dunas e mais dunas, um morro
alongado que parece uma anomalia verde em meio a tanta areia, mangue,
coqueiros e formações rochosas de uma plasticidade
rara as pedras furadas à beira-mar são o exemplo
mais marcante. E ainda tem duas lagoas especiais, de água
azul, cristalina no rasinho, cercadas de areia branquíssima
e fofa. Mais uma duna, com a água do mar batendo no sopé,
que muda de cor conforme o sol vai se pondo à sua frente.
Não bastasse o visual do entorno, a vila ficou camuflada
entre árvores e coqueiros e não tem calçamento
nem iluminação nas ruas caminha-se na areia,
sob as estrelas. Ou seja, é um destino perfeito para pessoas
que buscam exatamente o encanto de um lugar não maculado
pelo turismo de massa, uma autêntica vila de pescadores. Isso,
durante o dia. Na madrugada, tudo se transforma. A balada começa
nos bares perto da praia, segue com o forró, continua na
padaria Santo Antônio, com horário de funcionamento
entre 3 e 6 horas da manhã, e termina no Mama África.
Nos feriados, é a invasão de hábito
quem cultua a rusticidade deve evitar. No resto do ano, é
fácil entender por que tanta gente enfrenta a parada para
chegar até lá. Basta olhar Jeri, a bela.
|
|
 |


(Para acessar o site dos hotéis, clique
nos estabelecimentos sublinhados)

Fortaleza

Hospedagem
| |
O
símbolo da eficiência dos hotéis da Beira-Mar
é o Caesar
Park (fone: 466-5000, quarto com vista a 252 reais).
Na mesma avenida, com arquitetura e decoração
modernas, ficam o Seara (fone: 242-9555, a partir de
230 reais) e o Meliá
Confort (fone: 466-5555, a partir de 150 reais). A
Praia do Futuro ganhou um bom resort, o Vila Galé
(fone: 486-4400, quarto com vista a 246 reais).
|

Restaurantes
| |
Eleito
por VEJA Fortaleza o melhor restaurante da cidade, o francês
La Nuit (fone: 219-3000) agrada ao paladar e aos olhos
com uma decoração toda em branco. O Colher
de Pau (fone: 267-3773) tem o aval dos cearenses para as
especialidades locais. Pescados e lagostas tamanho exportação
no Cemoara (fone: 466-1529). Para mudar de tom, experimente
o italiano Pulcinella (fone: 261-3411), no bairro Aldeota.
|

DDD

Jericoacara

Hospedagem
| |
As
três pousadas menos rudimentares são: Vila
Kalango (fone: 669-2290, 150 reais), de frente para
a praia, Ibirapuera
(fone: 669-2012 e 9961-5544, 120 reais) e a nova Cabana
(fone: 669-2294, 120 reais). Para usufruir o conforto que
não existe em Jeri, opte pelo Boa
Vista Resort (fone: 621-9800, diárias entre
320 e 1 000 reais, com café da manhã e jantar),
em Camocim, a uma hora de Jeri, pela areia.
|

Restaurantes
| |
Dois
que servem bons peixes, camarões e lagostas e ainda têm
vista para a "duna do pôr-do-sol" e para a praia: Alexandre
e Da Isabel, este agraciado com uma estrela pelo Guia
Quatro Rodas. |

DDD
|
 |
|