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Segredos
da serra
Nas
trilhas da Bocaina, abertas por
tropas de burros no século XVIII, a
natureza deslumbra e a comida enleva
Lucila
Soares
Araquém Alcântara

Cachoeira
dos Veados, no Parque Nacional da Serra da Bocaina: paisagens
de tirar o fôlego ao longo das trilhas que cortam a maior reserva
de Mata Atlântica do Brasil |
No alto da serra, a maior reserva do que restou de Mata Atlântica
do país: 110.000 hectares de florestas, com centenas de espécies
de árvores, dezenas de cachoeiras, uma profusão de
pássaros e vistas de deixar qualquer um sem fôlego
todo o Vale do Paraíba de um lado e, em dias claros,
o litoral de Angra dos Reis e Parati. Embaixo, um rosário
de cidadezinhas e fazendas que guardam a memória da época
áurea do café no Vale do Paraíba, quando o
fausto era tanto que companhias de ópera européias
que aportavam no Rio de Janeiro se deslocavam até Bananal
para apresentações fechadas. São pouquíssimas
as regiões do país que reúnem natureza, passado
histórico e beleza em doses tão equilibradas quanto
na Serra da Bocaina. Isso sem falar da boa comida caseira feita
no fogão a lenha, do friozinho que ameniza as caminhadas
e se transforma numa atração a mais durante o inverno,
do céu tão estrelado que dá vertigem. Serra,
céu e comidinhas estão, por incrível que pareça,
a meio caminho entre Rio de Janeiro e São Paulo, a apenas
25 quilômetros da Via Dutra, a mais movimentada rodovia do
país. Resultado de tanta coisa boa junta: a área da
Bocaina está se tornando um destino turístico dos
mais movimentados, com invasão de helicópteros nos
fins de semana, transportando visitantes milionários atraídos
pelos requintados hotéis da serra.
A região começou a ser explorada no século
XVIII, quando por ali passavam tropas de burros na rota entre Minas
Gerais e o litoral. O nome "bocaina" vem dessa época. Significa
uma depressão entre elevações do terreno, o
que facilitava a passagem, a pé ou cavalgando, de quem era
obrigado a vencer a muralha da Serra do Mar para chegar aos portos
oficiais e clandestinos onde era embarcado o ouro
brasileiro. Ainda hoje é possível reviver a aventura
dos tropeiros, descendo a Trilha do Ouro até Parati. Não
é programa para qualquer um. Exige excelente preparo físico
para agüentar 70 quilômetros de descida e bom humor para
encarar mosquitos, escorregões e as precárias condições
de hospedagem do caminho, já que o roteiro inclui dois pernoites,
infelizmente longe dos bons hotéis-fazendas locais.
Oscar Cabral

A
sala de jantar da Fazenda São Francisco: ótimos cardápios em
ambiente art nouveau |
Além
da Trilha do Ouro, há várias opções
de caminhadas, tanto no sopé da serra quanto lá em
cima, que desbravam lugares deslumbrantes. Com os termômetros
marcando temperaturas inferiores a 5 graus no inverno, pouquíssimos
se aventurarão a um mergulho. Mas vale a pena cumprir o roteiro
das principais quedas-d'água, com destaque para a dos Veados
e a de Santo Izidro, ambas dentro do Parque Nacional da Serra da
Bocaina. Depois de um dia de tropeiro, nada melhor que uma noite
de nobre, numa fazenda antiga, com comida de ótima qualidade.
A excelência gastronômica tem como contrapartida a infra-estrutura
turística trôpega. O acesso ao Parque Nacional da Serra
da Bocaina é precário e perigoso, passear na belíssima
Represa do Funil é uma aventura explorada amadoristicamente.
Uma pena. O Vale Histórico, como se chama o trecho do Vale
do Paraíba compreendido entre Bananal e Areias, viveu uma
decadência de quase 100 anos depois do fim do ciclo do café.
Tem no turismo a chance de novo ciclo de prosperidade. Não
faz sentido deixar a segunda chance escapar.
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(Para acessar o site dos hotéis, clique
nos estabelecimentos sublinhados)

Hospedagem
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Duas
fazendas antigas se destacam entre as que recebem hóspedes
no Vale do Paraíba. Em São José do Barreiro,
a São
Francisco (fone: 577-1264, diária de 180 reais),
de 1813, é a mais bonita e bem preservada.Tem seis
quartos, belíssima sala de jantar art nouveau e uma
comida maravilhosa. Em Bananal, a Fazenda Independência
(fone:
576-1110, de 130 a 220 reais ), de 1822, prima pelo conforto
das instalações, totalmente modernizadas. No
estilo hotelzão,
o Porto da Bocaina (fone:
577-1102, 180 reais) tem boa infra-estrutura de lazer.
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Restaurantes
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Oscar Cabral
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O
Dona Licéia fica na Fazenda Caxambu, a 20 quilômetros
de Arapeí pela Rodovia dos Tropeiros, e serve ao caminhante
faminto um delicioso banquete por 30 reais: dez entradas,
um prato principal e um bufê com vinte sobremesas. Alguns
hotéis da região oferecem refeições sempre saborosas,
feitas em fogão a lenha para não-hóspedes, desde que
se faça reserva por telefone.
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Trilhas
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A
MW Trekking (fone: 577-1178 ), em São José do Barreiro,
oferece vários programas. A Trilharte (fone: 21 2245-5626
), do Rio de Janeiro, forma grupos para descer a Trilha do Ouro. |

DDD
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