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TIRADENTES  
 

Jóia mineira

Preciosa como um bibelô, Tiradentes
cintila entre as cidades históricas: é
toda preservada, tem tradição de bons
restaurantes e ferve no inverno

Bettina Monteiro


Pedro Rubens
Ladeiras forradas de pedras pé-de-moleque, o esplendor barroco da matriz e o detalhe da fiação invisível: efeito cinematográfico

Para qualquer brasileiro, mas especialmente para os que moram em grandes cidades, chegar a Tiradentes é um choque. Aonde quer que se olhe, tudo é bem diferente do cenário urbano habitual. O deslumbramento barroco das igrejas, os pátios e jardins internos vislumbrados atrás das portas dos belos casarões coloniais, os becos, o chafariz, o riachozinho, a ponte de pedra, até o design do calçamento em pé-de-moleque. Ao fundo, a Serra de São José fornece a moldura perfeita – e, nas manhãs de inverno, quando a temperatura beira zero grau, ainda providencia o véu de névoa que completa o efeito cinematográfico. Tudo tão encantador, tão preservado, tão delicado que os mais desconfiados sentem a tentação de procurar defeitos. Construções canhestras conspurcando a pureza arquitetônica? Não tem nenhuma. Restaurantes e hotéis erguidos às pressas, para explorar o aluvião turístico, com materiais prosaicos? Nada. Tam-bém não tem placas, cartazes, faixas e outros agressores visuais. Até a fiação elétrica é subterrânea, coisa rara mesmo em outras jóias do patrimônio. Tiradentes, fica-se sabendo logo, foi salva da degradação pela decadência. Como nas outras cidades históricas mineiras, o casario colonial, a recém-restaurada Matriz de Santo Antônio, com fachada de Aleijadinho, até as pedras do caminho, tudo floresceu no século XVIII, com a descoberta do ouro na região. Ao fim do ciclo, a pequenina e isolada Tiradentes encolheu completamente. Foi o mergulho nesse longo sono que preservou a arquitetura original. Redescoberta tardiamente pelo potencial turístico, saltou direto para um patamar mais elevado: os forasteiros atraídos por seus encantos já chegaram com a mentalidade preservacionista – e com os investimentos que recuperaram os encantos dos casarões, tanto para deleite particular quanto para uso comercial. Resultado: Tiradentes é hoje, de longe, a cidade histórica que oferece os serviços mais sofisticados, desde antiquários até restaurantes. Comem-se lá tanto o mineiríssimo pão de queijo quanto crepes, frango com ora-pro-nóbis ou salmão defumado com molho de raiz-forte. A busca da excelência culinária produziu o Festival de Cultura e Gastronomia. Realizado no fim de agosto, atrai chefs renomados para demonstrações, aulas, sessões de degustação de vinhos e dez dias de comilança.


Pedro Rubens


Em ocasiões assim a cidadezinha ferve. Fora de temporada, volta a ser um daqueles lugares onde se ouve o silêncio e a maior aventura é subir as ladeiras íngremes. Para quem aprecia prazeres calmos, é um encanto sair de manhã, com a neblina baixa, e ver Tiradentes lentamente entrar na rotina de interior, os artesãos abrindo suas portinhas, a charrete dos turistas saindo no primeiro passeio, o doce de leite começando a ferver no tacho. Em algum momento, as ruas e travessas parecerão já ser conhecidas – e são mesmo. Todo mundo já viu algum pedaço de Tiradentes, cenário de novelas e minisséries como Rabo de Saia, Os Maias e Coração de Estudante. Como esquecer que lá, no alto da serra, a Hilda Furacão de Ana Paula Arosio revelou, gloriosa, sua nudez?

 

(Para acessar o site dos hotéis, clique nos estabelecimentos sublinhados)

Hospedagem
  Hotéis e pousadas aconchegantes multiplicam-se em Tiradentes. Só o Guia Quatro Rodas 2002 indica 34 – no Centro Histórico, de frente para as ladeiras de pedras irregulares, ou nos arredores, na base da Serra de São José. O denominador comum é o simpático lanchinho da tarde, incluído nas diárias, como o café da manhã. A opção mais refinada é o Solar da Ponte (fone: 3355-1255, diária de 210 a 263 reais), um casarão no estilo colonial mobiliado com peças de época. Além de acomodações espaçosas, tem um amplo jardim com árvores centenárias, piscina e sauna, e um chá da tarde conhecido em todo o Estado. Igualmente charmoso é o Villa Paolucci (fone: 3355-1350, 185 reais), construído em fazenda histórica. Sede com pé-direito alto, cozinha com fogão a lenha, recanto de inverno no jardim e vista para o casario de Tiradentes são alguns dos detalhes. No centro, há boas sugestões de hospedagem em casarões do século XIX reformados. Dois exemplos são a original Richard Rothe (fone: 3355-1333, 185 reais) e a Três Portas (fone: 3355-1444, de 210 a 265 reais). Outras opções interessantes: a Pequena Tiradentes (fone: 3355-1262, 190 reais), que imita com desenvoltura a arquitetura da vila, a moderna Don Quixote (fone: 3355-1933, de 170 a 190 reais), que tem serviço impecável, a bela Pouso de Bartolomeo (fone: 3355-2142, 150 reais) ou a simplérrima Pousada da Bia (fone: 3355-1173, 70 reais).

Restaurantes
 

"A pressa é inimiga da refeição." Essa placa, pendurada na parede do restaurante Viradas do Largo (fone: 3355-1111), mostra o lema de toda Tiradentes. Os pratos demoram a ser preparados, é verdade. Mas o feijão-tropeiro com lombo e o frango com ora-pro-nóbis, as especialidades de Beth, proprietária do Viradas, merecem a espera. O Estalagem (fone: 3355-1144) serve pratos da tradicional cozinha mineira e criações da casa, como jiló preguento, preparado com quiabo, costelinha, angu e arroz. A torta de manga e nozes e o ambiente romântico são a marca do Santo Ofício (fone: 3355-2031). Especialidades escandinavas, como truta e salmão defumados, são encontradas no Royal Dansk (fone: 3355-1842). E um lugar para perder completamente a noção do tempo é o Theatro da Villa (fone: 3355-1275). Instalado em um antigo teatro de arena, é o restaurante mais bonito da cidade.


DDD
 

O DDD da cidade é 32