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Uma lista de sites úteis para navegar pela internet antes de viajar pelo país
 
     

 
SERRA GAÚCHA  
 

Brasil com sotaque

As raízes são italianas e alemãs,
as casas são de pedra e madeira
e o vinho jorra sobre todas as
rotas da viagem ao Sul

Diogo Schelp

 

Liane Neves
Na Pousada Don Giovanni, em Pinto Bandeira, os ingredientes sempre presentes na hospitalidade gaúcha: cantoria, mesa de frios e simpatia na vinícola-hotel que já foi armazém de beira de estrada

Fazer turismo nos impecáveis cenários da chamada Serra Gaúcha é conhecer um pouquinho da Europa no Brasil – geralmente, uma Europa que não existe mais nem na Europa. Em Gramado, onde gaúchos abastados têm casa de inverno, casacos de pele proliferam nas noites mais frias. Na região de Bento Gonçalves, um roteiro de visita e degustação percorre as melhores vinícolas nacionais. Em todos os lados, cenários de um país surpreendente pela identidade regional e docemente nostálgico para quem tem raízes familiares na Itália ou na Alemanha. Uma semana é suficiente para mergulhar na tranqüilidade hospitaleira da rota dos imigrantes, com suas casas de pedra e madeira, música e danças típicas e comida farta e saborosa, e dela emergir com energia renovada.

 

Liane Neves
Estalagem La Hacienda: nome espanhol, mas estilo bem regional neste pequeno hotel a pouca distância de Gramado, onde os seis chalés são feitos de material de demolição

A cidade de Gramado, a 130 quilômetros de Porto Alegre, vive lotada nos fins de semana, no mês de julho e no Natal (sua Aldeia do Papai Noel, um parque temático, funciona o ano inteiro). É o centro de uma região dotada de excelente infra-estrutura turística, que inclui ainda as cidades de Canela, São Francisco de Paula e Nova Petrópolis – todas pontilhadas de casinhas em estilo europeu, jardins, ruas e parques muitíssimo bem-cuidados e profusão de hortênsias, a flor-símbolo do lugar. Quando esse cenário de filme cansa, aluga-se um carro e passa-se um dia explorando a beleza selvagem do Parque Nacional de Aparados da Serra, com seus cânions de até 720 metros de altura.

Pouco mais de 100 quilômetros adiante de Gramado, chega-se à região dos vinhos – Bento Gonçalves, Garibaldi, Carlos Barbosa e Pinto Bandeira. Em Bento Gonçalves fica o Vale dos Vinhedos, com 24 vinícolas lado a lado, onde se pode fazer a degustação e comprar vinhos tintos, brancos e espumantes e entremear tudo de conversas compridas com os simpáticos donos, a maioria descendente de italianos. Para acompanhar o clima de encantadora rusticidade, cantorias, farta mesa de frios, muitas faces rosadas. Esses mesmos ingredientes garantem a diversão no passeio de trem que vai de Bento Gonçalves a Carlos Barbosa, passando por Garibaldi (duas horas, 28 reais), com locomotiva e vagões originais do início do século passado e apresentações de corais e teatro.

Pedro Rubens
Hortênsias e telhado alpino típicos de Gramado: profusão de flores na cidade onde gaúchos abastados têm casas de inverno


Na zona rural de Bento Gonçalves ficam os Caminhos de Pedra, que serviram de cenário para o filme O Quatrilho, de Fábio Barreto. Ali se encontram mais de uma dezena de casas, ainda em uso, construídas com grandes blocos de pedra há cerca de 100 anos por colonos italianos. Nessa região também se encontram pousadas instaladas dentro de vinícolas, onde o cotidiano é dormir sem barulho de carros, abrir a janela logo cedo e dar de frente para um vasto parreiral, tomar um caprichado café da manhã, caminhar pelas plantações de uva e outras frutas e fazer passeios a cavalo. À noite, uma lareira e mais vinho, uma conversa animada e mais vinho, um sofá confortável e mais... Vida boa, tchê.

 

(Para acessar o site dos hotéis, clique nos estabelecimentos sublinhados)

Hospedagem
  São muitas e boas as opções de hospedagem na região. Em Gramado, o hotel Casa da Montanha (fone: 286-2544, diária de 360 reais), com seu ar de casa européia antiga e cercado de mata nativa, tem como requinte especial o restaurante especializado em carnes de caça, como coelho, pato e javali, todos criados em cativeiro. A Estalagem La Hacienda (fone: 286-8186, diária de 320 a 350 reais), fica em uma propriedade rural a 14 quilômetros do centro. Suas seis cabanas foram construídas com material de demolição em um estilo que mistura elementos das colonizações alemã e italiana e utiliza a técnica de junta seca, em que não aparece o cimento entre os tijolos. Outros destaques são o hotel Serra Azul (fone: 286-1082, entre 226 e 540 reais), onde acontece o Festival de Cinema e a maioria dos artistas se hospeda na ocasião, e a Estalagem St. Hubertus (fone: 286-1273, entre 185 e 380 reais), em estilo bávaro, em frente ao Lago Negro, com 25 apartamentos, sendo cinco suítes temáticas. No roteiro dos vinhos, a melhor pousada é a Don Giovanni (fone: 451-4129, diária de 110 a 150 reais), instalada no município de Pinto Bandeira, dentro da pequena vinícola de mesmo nome, que produz apenas 120 000 garrafas de vinhos finos por ano. Os seis apartamentos, simples mas confortáveis e decorados com bom gosto, ficam em uma casa de dois andares, que nos anos 30 servia de armazém de beira de estrada. Ao lado da pousada, na "cantina de pedra", armazena-se o vinho em enormes barris de carvalho. Em Bento Gonçalves, a pousada Valduga (fone: 453-1154, diária de 120 a 180 reais) é estratégica: perto de suas catorze suítes estão as melhores vinícolas da região, como a Miolo, a Don Laurindo e a própria Casa Valduga. O restaurante serve ótima comida italiana caseira, mas só funciona se a casa estiver cheia.

Restaurantes
 

A especialidade do suíço Belle du Valais (fone: 286-1744), em Gramado, são os filés, mas a surpresa é sua versão dos obrigatórios fondues: o La Pierrade tem as iscas de carne assadas em uma pedra de origem vulcânica que vem quente à mesa. O Chez Pierre (fone: 286-2057) também é franco-suíço, mas a decoração é de cantina italiana. Tem jantar à luz de velas e pista de dança (mas não música ao vivo). Na mesma cidade, o Galeto Nonno Mio (fone: 286-1252/2843) serve o rodízio de galeto, programa imperdível para todos os visitantes, praticamente obrigados por lei a comer até quase desfalecer (para abrandar a fobia do colesterol, a maionese é feita sem ovos, com uma mistura secreta de leite e cenoura). Em Canela, o Castelinho Caracol (fone: 282-2268) fica em uma casa construída pelos imigrantes da família alemã Franzen há noventa anos, com madeira de pinheiro brasileiro (araucária) e sem o uso de pregos. Nos cômodos da casa estão expostos objetos do início do século passado pertencentes à família, como relógios, móveis e louças. É parada imperdível para quem vai à Cascata do Caracol, situada no parque do mesmo nome. Na região dos vinhos, vale uma pausa no Armazém e Restaurante Canta Maria (fone: 453-1099), em Bento Gonçalves, que serve rodízio de comida italiana e de grelhados. Na variada adega, os garçons têm gabarito para indicar as melhores safras. Em geral, são grandes conhecedores, capazes de falar horas sobre vinhos.


DDD
 

O DDD da região é 54