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RIO QUENTE  
 

Sombra e água morninha

Cortado por um belo rio de água sempre
quente, o mais antigo resort do Brasil
tem tobogã de um lado, sossego de
outro e atrações para todo mundo

Maurício Lima


Jorge de Souza

Parque das Fontes: piscinas naturais de águas transparentes, cachoeiras suaves e tranqüilidade em meio às árvores cativam 1 milhão de visitantes por ano


Imagine um lugar que recebe 1 milhão de pessoas por ano, toca axé e funk no último volume e tem um animador que fala "E aí, gen-te? Tudo belesma?". Agitado demais? E se o lugar for repleto de piscinas de águas maravilhosamente quentes, cachoeiras, tobogãs, esportes radicais e uma infinidade de atrações para todas as idades? Esse misto de refúgio relaxante com gritaria aeróbica é a Pousada do Rio Quente Resorts, o mais antigo conjunto do gênero no Brasil. Localizado no interior de Goiás, o resort é um fenomenal sucesso de público, na maioria famílias com filhos pequenos, que se esbaldam a mais não poder e unanimemente imploram para voltar. Os cinco hotéis do complexo têm média anual de ocupação de 65%, uma das mais altas da rede hoteleira nacional – não pelas acomodações, bem simples, nem pela comida, apenas razoável, e sim pelas fontes morninhas (em torno de 37,5 graus), que permitem ao visitante passar dia e noite dentro d'água, mergulhando, nadando, escalando uma pequena cachoeira ou simplesmente boiando ao sabor das corredeiras.

A Pousada do Rio Quente foi criada em 1966 e passou os trinta anos seguintes como uma espécie de meca dos aposentados: legiões de idosos recorriam às propriedades curativas e relaxantes das águas radioativas do limpíssimo e transparente Rio Quente, contidas em belas piscinas naturais ao longo do Parque das Fontes. Até 1997, 45% da freqüência do resort era de pessoas da terceira idade. De lá para cá, um pesado investimento inverteu o quadro e fez dos mais velhos uma minoria de 25% entre os hóspedes (embora continue, sim, sendo um lugar muito amistoso para a turma do cabelo grisalho). A transformação ocorreu com a inauguração do Hot Park, um moderno conjunto de onze piscinas, seis tobogãs, palco para shows e muita música, que trouxe para o complexo crianças, adolescentes e jovens casais. Felizmente para ambas as partes, os dois parques ficam afastados, de forma que o barulho e a agitação de um não atrapalham o sossego do outro.


Divulgação

Hot Park: onze piscinas, seis tobogãs, música alta e agitação para quem quer divertir-se o dia inteiro, à noite também e até quando chove


Há dois anos, as crianças até 12 anos ganharam um pequeno parque de diversões, piscinas infantis e atrações irresistíveis para a idade, como um kartódromo e passeios de motocicleta elétrica – tudo pago à parte: a moto custa de 5 a 8 reais por quinze minutos de uso. Outra mordomia, esta muito apreciada pelos pais, é a equipe Botinho, que pega os pequenos às 9 da manhã e promove brincadeiras, jogos, passeios a pé e aulas de pintura e música até as 6 da tarde. A Turminha do Cerrado, imitação dos bonecos da Disney World inspirados em animais da região, toma café da manhã, participa dos passeios de trem pelo complexo e brinca com as crianças. Disney, aliás, é modelo recorrente: até 2006, a direção do resort promete inaugurar uma versão goiana da Main Street americana, uma rua com cinemas, teatros, comércio e restaurantes.

Ao chegar à Pousada do Rio Quente (geralmente em vôo fretado até a cidade de Caldas Novas – só de São Paulo, partem onze por semana), cada hóspede recebe um cartão magnético para ir comprando o que quiser sem precisar desembolsar dinheiro. É prático, mas obviamente arriscado, até porque tudo ali custa caro: 3 reais a lata de cerveja, quase 5 reais a porção de batata frita. Os preços são salgados e nada lembra a sofisticação dos resorts mais modernos. Mas quem vai quer repetir a dose de qualquer jeito: cerca de 85% dos hóspedes voltam mais de uma vez, alguns até cinco ou seis vezes por ano. Por quê? Primeiro por causa da água quentinha e relaxante, que permite a permanência na piscina até quando chove. Segundo pela beleza do lugar: o resort fica em um parque arborizado e bem-cuidado, próximo à Serra de Caldas Novas e cortado pelo Rio Quente. Terceiro pela informalidade de poder passar o dia inteiro de roupão e trajes de banho. Tem bastante axé, é verdade. Mas que as férias de roupão compensam, compensam.

 

(Para acessar o site dos hotéis, clique nos estabelecimentos sublinhados)

Hospedagem
  Dos quatro hotéis da Pousada do Rio Quente Resorts (central de reservas, fone 452-8080), dois ficam dentro do complexo, o que facilita a vida do hóspede, mas reduz um pouco o conforto, já que são justamente os mais velhos. O mais tradicional é o Pousada, próximo ao Parque das Fontes e de suas piscinas e quedas-d'água relaxantes. Desvantagem: móveis e decoração que já tiveram melhores dias. O Turismo acaba de passar por uma reforma, mas é barulhento: fica perto do Hot Park e dos locais de shows. Para famílias, a melhor opção, de longe, são os dois hotéis fora do complexo, mesmo tendo de pegar ônibus (grátis, de quinze em quinze minutos) para chegar ao parque aquático. Tanto no Rio Quente Suíte & Flat quanto no Recanto, os apartamentos acomodam grupos de até sete pessoas. Não espere charme: a simplicidade reina. Os pacotes de quatro dias com café da manhã e jantar custam 1 412,40 reais no Turismo e 1 245,20 na Pousada. No Flat e no Recanto, o valor do pacote é 1 047,20 e inclui também o almoço. Mais afastado, o camping – na verdade, um conjunto de chalés modestos à beira do Rio Quente – tem pacote por 840,40 reais.

DDD
  O DDD da região é 64