Todo mundo quer ir para a ilha dos sonhos

De Porto Seguro a Trancoso, é um agito só

Salvador, tradição com modernidade

Férias com mordomia

Rio Quente, a número 1

Serra gaúcha, gostinho europeu e muito vinho

Tiradentes, uma jóia de Minas

Bocaina, segredos de uma serra com história

Porto de Galinhas, piscinas no mar e bons hotéis

Pipa e Natal, golfinhos e dunas

Fortaleza, capital do turismo bem planejado

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Conselhos de um turista profissional

Uma lista de sites úteis para navegar pela internet antes de viajar pelo país
 
     

 
SALVADOR  
 

Bahia de todas as tribos

Com música eletrônica, shopping
center e nouvelle cuisine, Salvador
ganha ar moderno, mas não perde
o encanto da baianidade

Thaís Oyama

 
Xando Ferreira
Fotos Fernando Vivas
  Góticos no Pelourinho (à esq.) e tranças sob encomenda para alegrar os turistas (acima): use branco e, sim, sorria por estar na Bahia

Quando alguém pergunta a um soteropolitano se está tudo bem, freqüentemente ele não se contenta em dizer que está. "É só a--gria", gorjeia, à guisa de resposta. Salve Salvador. Spa para almas taciturnas, santo remédio para personalidades inapetentes, a capital da Bahia merece ser sempre descoberta e redescoberta, no que tem de permanente e na constante sucessão de novidades. Não gosta de dendê? Bem-vindo à nouvelle cuisine do Paraíso Tropical, o restaurante que inventou a moqueca com tangerina, sucesso da temporada. É da brigada antiaxé? Nas casas noturnas do Aeroclube Plaza Show, shopping center à beira-mar, toca de house a salsa. Problemas para encontrar a sua turma? No Rio Vermelho, bairro boêmio da cidade, as tribos são tantas que, num único quarteirão, é possível distinguir rastas, pagodeiros, metaleiros e até sobreviventes góticos. Salvador balança sob todos os ritmos, tem tempero para todos os gostos, altares para todos os santos, programas para todos os turistas.

 

Pôr-do-sol no Bar da Ponta, em frente à Baía de Todos os Santos: dry martini perfeito e fim de tarde dos deuses

Pelo ar: de teleférico, hóspede chega até o píer, com piscina, bar, restaurante e toboágua

É pôr o pé na rua e se deixar envolver. Um exemplo: a missa das terças-feiras na Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. Nessa igrejinha singela, de toscas paredes erguidas por escravos no século XVIII, ritos católicos se misturam a cultos africanos e cálices sagrados são erguidos ao ritmo alucinante de atabaques e agogôs. De arrepiar. A igreja fica no coração do Pelourinho, o bairro histórico renovado pela restauração. A Terça-Feira da Bênção é o dia em que suas ladeiras pegam fogo. Blocos se juntam para o ensaio do Carnaval, a paquera toma conta das escadarias e as ruas ficam perfumadas pelo cheiro do cravinho, a deliciosa infusão de cravo, cachaça, mel e limão que os baianos adoram. Quando o primeiro tambor do Olodum ecoa na praça principal, as rodas de samba já assolam os bares, o reggae já reverbera pelos becos e o frenesi é tão contagiante que até o mais soturno dos temperamentos acaba requebrando pelas ladeiras.

E ainda tem a deliciosa a--gria de viver dos baianos. Se o mar de Salvador não fosse tão morno, a brisa tão fresca e a comida tão especial, isso já bastaria para seduzir os visitantes. O soteropolitano acha lindo falar cantado, ser católico e filho-de-santo, dizer que é claustrofóbico e que não hesita em trocar o mais sofisticado dos restaurantes por uma boa barraca com vista para o mar. Em quase todas elas, o turista terá a chance de constatar que é pura verdade a lenda segundo a qual, na Bahia, os pedidos demoram a chegar, quando chegam é numa ordem que desafia a lógica e o caixa nunca tem troco.

 

Praia Stella Maris: mar quente, brisa fresca, roska gelada e até espaguete feito por legítimo chef italiano

Se o quiosque for o do Loro (na Praia de Catussaba) ou a Cabana Coral (na Stella Maris), aconselha-se resistir à bronca, pois a espera será gloriosamente recompensada. A caipiroska (roska, para os íntimos) estará geladinha; o caldo de sururu, suculento; e a mariscada, transbordante. Quem tem pavor de pimenta não passará aperto. O espírito democrático e novidadeiro do soteropolitano já levou até o espaguete para a beira-mar – na Praia Stella Maris, um legítimo chef italiano comanda a barraca multiculturalmente batizada de Italian's Mare. "No começo, ninguém acreditava que fosse dar certo. Hoje, está cheio de baiano pedindo bruschetta", diz a sócia Laura Vanucci.

Mesmo com tanta moda nova, Salvador não perdeu a tradição, louvados sejam os deuses. Às sextas-feiras, quando os terreiros se iluminam e soam os atabaques, as cantigas e os tambores, a cidade se rende de novo às suas raízes – e o turista pode até aproveitar para dar uma espiada. Nos terreiros, como nas igrejas, entra quem tem fé e também quem é curioso. Assistir aos rituais dos orixás não requer ingresso nem convite, só alguma delicadeza. "Tem estrangeiro que chega com aquele chapéu e bota a cara em cima da gente, quer vestir nossas roupas ou vem todo coberto de preto", reclama Mãe Stella, a mais festejada ialorixá do momento. Então, indo a Salvador, meu rei, use branco e sorria quando alguma coisa der errado. Em geral, vai acabar dando certo – alegremente.

 

(Para acessar o site dos hotéis, clique nos estabelecimentos sublinhados)

Hospedagem
 

O Tropical Hotel da Bahia (fone: 255-2000, 264 reais) é bem equipado e já hospedou até o cantor Michael Jackson, mas sua maior vantagem é a localização em plena Praça Dois de Julho, a vinte minutos a pé do Pelourinho. Outra opção de hotel de luxo é o Fiesta Bahia (fone: 352-0000, 270 reais), pioneiro da região na categoria e vizinho de um bom shopping center. Mais em conta, o Sol Victória Marina (fone: 336-7736, 115 reais) tem vista deslumbrante para a Baía de Todos os Santos e um atrativo inesperado: teleférico próprio que transporta os hóspedes até um píer, equipado com deque flutuante, bar, restaurante, toboágua e piscina. O Catharina Paraguaçu (fone: 334-0089, 150 reais) oferece menos conforto e mais atmosfera. É um casarão colonial caprichosamente restaurado. Fica no Rio Vermelho, o bairro que abriga a nata da baianidade, os mais famosos tabuleiros de acarajé (as rivais Dinha e Regina ali se estabeleceram) e a maior concentração de bares noturnos. O Catussaba (fone: 374-8000, 230 reais) é para quem não dispensa o mar a poucos passos. Embora distante do burburinho, fica em frente à Praia Stella Maris, uma das mais bonitas de Salvador. Para orçamentos modestos e espíritos indômitos, o Albergue Laranjeiras (fone: 321-1366, 24 reais) é um achado. Fica no coração do Pelourinho, tem cozinha coletiva, internet e opção de quartos individuais (34 reais).


Restaurantes
  Tem de tudo em Salvador: restaurante tailandês, caribenho, mexicano e até ousadias como um japonês de sotaque baiano e um baiano com sotaque de nouvelle cuisine. O Soho (fone: 336-2861), por exemplo, inventou a robata de queijo coalho e o shimeji com carne-seca. Virou um dos preferidos dos bacanas locais. O Paraíso Tropical (fone: 384-7464), o restaurante do momento, atrai filas de carros para o almoço de domingo com seu jeito de quintal do interior e uma deliciosa moqueca temperada com folhas de tangerina e coco verde batido com gengibre. A hora da sobremesa é um espetáculo: por cortesia da casa, garçons servem mais de trinta pratos de frutas exóticas do pomar ao lado. Na culinária tradicional, o respeitabilíssimo Yemanjá (fone: 461-9010) lidera a preferência dos baianos, ao lado do badalado Sorriso da Dadá (fone: 321-9642). Na cozinha internacional, fazem sucesso o Mai Thai (fone: 336-7736) – pela boa comida tailandesa e a bela vista para o mar – e o Maria Mata-Mouro (fone: 321-3929), num charmoso casarão restaurado do Pelourinho. Uma noite à moda dos locais acaba no Mercado do Peixe, no Rio Vermelho. Feinho e desleixado, não fecha nunca e suas barracas servem delícias como rabada, sarapatel, mocotó, mariscada e moqueca de todos os seres marinhos conhecidos. Para um fim de tarde dos deuses, o melhor endereço é o Bar da Ponta (fone: 326-0443). Fica literalmente sobre o mar, com paredes de vidro, vista da Baía de Todos os Santos e um dry martini perfeito. Depois, é só dar alguns passos e emendar no restaurante Trapiche Adelaide (fone: 326-2211), um dos mais bonitos do Brasil.

DDD
  O DDD da região é 71