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A
ilha dos sonhos
Fernando
de Noronha não
sai
da cabeça dos turistas. Motivos?
As praias mais bonitas do país,
o ambiente sedutor, golfinhos,
tartarugas...
Bettina
Monteiro
Fotos Caio Borghoff

A
Baía dos Porcos, com os Dois Irmãos ao fundo: cartão-postal
e o melhor ponto da ilha para praticar snorkeling |
As
pousadas são modestas; os banhos, frios; a comida, cara.
É preciso entrar na fila para chegar lá. Mas todo
mundo quer ir, quem já foi quer voltar. E sempre se fala
dela com um brilho especial no olhar, um tom de encantamento na
voz. Fernando de Noronha é o destino dos sonhos de boa parte
dos turistas brasileiros, o lugar mais mencionado num levantamento
feito por VEJA em seis capitais. Não é pouca coisa
num país com 8 000 quilômetros de litoral e 2 045 praias.
Com tantas opções, para os mais variados gostos, o
que torna Noronha tão especial? Essa ilha plantada no Atlântico,
à altura do litoral pernambucano, consegue exibir ao mesmo
tempo paisagens que parecem saídas de cinema, águas
do turquesa mais profundo e rochedos com recortes inusitados. Tem
também aquele ar de que não foi ainda descoberta por
ninguém, uma paisagem marinha tão deslumbrante quanto
a que se vê acima da linha d'água, a graça permanente
dos golfinhos rotadores singrando o horizonte e fazendo acrobacias,
um clima de verão o ano inteiro e a aura de lugar perdido
no tempo e isolado do mundo exatamente como devem ser as
ilhas. Até os que a conhecem apenas por fotografias não
duvidam: é o protótipo do paraíso.
Chegar a Fernando de Noronha de avião, num dia de sol, é
um deslumbramento. A ilha principal, com seu cortejo de vinte ilhotas
que formam o arquipélago, bóia na imensidão
azul. De origem vulcânica, esculpida pelo mar e pelo vento
ao longo de 12 milhões de anos, Noronha tem formações
rochosas singulares, como o Morro do Pico (o ponto mais alto), os
Dois Irmãos (par de rochedos em forma de seios que é
sua marca registrada) e a Ilha do Frade (um dedo apontado para o
céu). Em terra, descobre-se que é ainda mais bela.
E menor do que se imagina: a ilha principal tem apenas 17 quilômetros
quadrados Ilhabela, no litoral paulista, é vinte vezes
maior. Dá para conhecer o lugar inteiro a pé, desbravando
a guirlanda de dezessete praias (a opção são
os passeios com os onipresentes buggies). Dessas, nada menos que
três ocupam o topo da lista das dez mais belas do Brasil,
segundo a edição Praias do Guia Quatro
Rodas: a Baía do Sancho, a Baía dos Porcos
e a Praia do Leão (e muita gente também arrumaria
um lugarzinho para a Cacimba do Padre).
Jorge de Souza
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Caio Borghoff
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| Para
chegar à Baía do Sancho, onde arraias e tartarugas são visíveis
a olho nu, usa-se uma escada fincada na falésia: todas as praias
são acessíveis sem carro |
Estrela-do-mar:
cores debaixo d'água
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Basta
uma caminhada de um dia com inúmeras paradas para
banhos, claro para conhecer todo o lado oeste da ilha, o
chamado Mar de Dentro. O outro lado, o leste, ou Mar de Fora, é
ainda mais simples de ser visitado. São apenas três
praias: do Leão, do Sueste e do Atalaia. Em qualquer dos
lados, uma coisa é certa: as praias noronhenses continuam
preservadas. Em Noronha, a natureza é vigiada de perto, e
o acesso, controlado são 500 turistas por dia, pagando
uma taxa de preservação de 21,28 reais, progressiva
a partir do 12º dia (resultado: todo mundo fica pouco tempo;
um mês em Noronha custaria 1 755 reais só de taxa).
O Parque Nacional Marinho ocupa 70% da área das 21 ilhas
e ainda parte do mar ao redor. Os quase sessenta biólogos,
cientistas e funcionários do parque e do Ibama tentam manter
o habitat de vários animais tão intocado quanto era
em 1502, quando a ilha entrou nas cartas náuticas. O esforço
é tão valoroso que até espíritos mais
reticentes se transformam em ecologistas honorários, mesmo
que por poucos dias, e não reclamam de restrições
como a proibição de navegar e até nadar na
Baía dos Golfinhos, local onde os rotadores descansam e procriam
o máximo permitido é observar, de longe, suas
infindáveis acrobacias aéreas.
As
belezas naturais da superfície são reproduzidas, e
até ampliadas, debaixo d'água. Parte de uma cadeia
de montanhas submersas que chega a 4 000 metros de profundidade,
Noronha tem lajes, cavernas, grutas e formações rochosas
tão surpreendentes quanto as que ficam acima do nível
do mar tudo isso animado por uma fauna marinha de estonteante
diversidade. "As águas abertas são como um grande
deserto azul, e as ilhas oceânicas, um oásis. Elas
atraem os animais marinhos de passagem e propiciam o desenvolvimento
de novas espécies", explica o mergulhador Lawrence Wahba.
Com um simples snorkel, até uma criança vê tartarugas
marinhas, cardumes multicoloridos, imponentes arraias. Existe ainda
uma estrutura montada para convencer até o mais receoso dos
turistas a enfiar a mão no bolso (120 reais em média)
e experimentar o mergulho submarino, quando o espetáculo
fica mais deslumbrante ainda. Basta uma hora de instruções
no barco e se jogar na aventura, sempre na companhia de um instrutor.
Araquém Alcântara
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Caio Borghoff
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| No
Mar de Fora, o lado leste da ilha, há poucas praias. Na do Atalaia
(na foto, com a Ilha do Frade ao fundo), forma-se uma piscina
natural: beleza recorrente |
Noronha
tem um dos fundos do mar com maior biodiversidade da costa
brasileira. A visibilidade chega a 50 metros: tartarugas-verdes,
peixes, corais e golfinhos rotadores
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Parece
tudo perfeito demais? Vamos lá: a hospedagem fica na linha
da simplicidade espartana, quando não abaixo dela. Antes
de embarcar rumo ao paraíso, é conveniente fazer um
levantamento cuidadoso do tipo de pousada escolhida, para evitar
decepções. As pousadas, na verdade, são casas
de ilhéus adaptadas, sem nenhum equipamento além do
muito básico. Banho quente é artigo de luxo e o conceito
de decoração ainda não chegou à ilha.
A comida é cara os mantimentos chegam de navio ou
de avião , e os horários de serviço,
restritos. Difícil é encontrar quem reclame depois
da imersão de beleza total oferecida por essa ilha dos sonhos.
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(Para acessar o site dos hotéis, clique
nos estabelecimentos sublinhados)

Hospedagem
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Ficar em Noronha significa escolher alguma das 104 hospedarias
domiciliares, casas de ilhéus com pequenos quartos para turistas.
Na maioria delas, as acomodações simples mas com TV,
ar-condicionado e frigobar são compensadas pelo atendimento
cordial. As diárias, em média de 120 reais, costumam incluir
café da manhã, almoço e jantar. Por deficiência na geração de
energia, só as melhores contam com banho quente, caso das relacionadas
aqui. A Solar
dos Ventos (fone: 3619-1347, 220 reais) fica a 400 metros
da Praia do Sueste e é das raras com vista para o mar. Cada
casal ou família ocupa um chalé de madeira com quarto grande,
sala e varanda. A Dolphin
(fone: 3619-1100, 501 reais com refeições) tem piscina, restaurante
próprio e aparência de hotel. Fica de frente para a estrada.
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Restaurantes
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A
culinária na ilha não vai muito além do peixe frito ou ensopado
com farinha; no máximo, um macarrãozinho. Uma exceção é o
prato sinfonia marítima, cozido de lagosta, caranguejo, camarões
e peixes, preparado por Iraci, do restaurante Ekológiku's
(fone: 3619-1807). Entre dezembro e abril, a comercialização
da lagosta e do caranguejo é proibida. O Nascimento
(fone: 3619-1546) serve pescados em lautas porções. Massas
caseiras podem ser encontradas na Trattoria da Morena
(fone: 3619-1142) e na Arte & Sabor (fone: 3619-1120).
Os bolinhos de tubarão salgado do NPO Tubalhau (fone:
3619-1365) são típicos e deliciosos.
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DDD
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