ÍNDICE
  Carta ao leitor

As 10 tecnologias que estão mudando o mundo: Elas transformam o formato e o uso dos eletrônicos

Guia da TV digital:
A revolução dos bits chegou à telinha


Conversores:
A ponte entre o analógico e o digital


Home theaters:
Eles fazem a parede tremer


Celulares:
26 modelos e o insuperável iPhone


MP3:
Quem manda é o iPod


Computadores:
39 máquinas de todos os preços


Mouses:
Mais seguros e precisos


Webcams:
Fotos e filmes com alta qualidade


Pen drives:
Os mais novos
parecem jóias


HDs externos:
Memória sobressalente

Impressoras:
Multifuncionais rápidas e versáteis


Monitores:
Alguns sintonizam TV


Câmeras:
Computadores que
fazem fotos

GPS:
A explosão dos mapas


Barbeadores:
As lâminas estão mais velozes

Fitness:
Esteiras que fazem suar
e divertem


Games:
Os bastidores da criação do jogo Halo 3


Consoles:
Três modelos dominam o mundo


Carros:
O toca-CD perde espaço


Despertadores:
Chatos, mas eficientes


Entrevista:
Don Norman




     
 

Entrevista: Don Norman
O segredo do produto ideal


Adriana Pavlova

Divulgação

Especialista em design de produtos, o americano DON NORMAN é um defensor de eletrônicos simples, fáceis de usar. Trabalhou na Apple, onde foi vice-presidente de tecnologia avançada. Atualmente, dá aulas sobre design de produtos na Northwestern University, em Chicago. Trabalha num livro cujo título provisório é Why Things Don't Work? (Por que as Coisas Não Funcionam?). Norman concedeu a seguinte entrevista a VEJA.

QUAL É O PRODUTO IDEAL? Não existe nada mais interessante do que ferramentas de busca como o Google, o Yahoo! e o Live da Microsoft. São perfeitas. Fáceis de usar, oferecem resultados precisos e não custam nada. Melhores ainda são os serviços de mapas fornecidos por essas empresas. São práticos, eficientes, divertidos e grátis. Nós não sabemos como, mas eles funcionam – e muito bem. O produto ideal para o consumidor deveria ser assim, mesmo aquele não oferecido pela internet.

QUAL SERIA O PRODUTO IDEAL DO PONTO DE VISTA DO FABRICANTE? Nesse caso, não vejo nada melhor do que as impressoras de jato de tinta. São baratas de produzir, oferecem boa margem de lucro e os cartuchos devem ser permanentemente repostos. Para completar, o fabricante tem o monopólio dos cartuchos. Um bom negócio.

A DIFICULDADE EM APROVEITAR TODAS AS FUNÇÕES DE UM ELETRÔNICO COSTUMA FRUSTRAR AS PESSOAS. ESSE SENTIMENTO É JUSTO? Sim. Recentemente, sofri ao instalar um software no meu computador. Fiquei me perguntando: por que comprei esse negócio? O pior é que a reação natural das pessoas é odiar a tecnologia. Na verdade, deveriam odiar quem desenhou e finalizou o produto.

OS DESIGNERS PENSAM NO CONSUMIDOR QUANDO ESTÃO PREPARANDO UM NOVO PRODUTO? Sim e não. Um dos problemas em relação aos designers é que, em geral, são formados em escolas de arte. Nesses lugares, são treinados para pensar em si próprios. Querem criar peças que sejam exibidas em museus. Mas um produto deve ser criado tendo o consumidor como guia. O que tento fazer é justamente treinar designers para que entendam e levem em conta as pessoas.

O QUE O SENHOR ACHA DO iPHONE? É uma clara evolução do iPod. Quando o iPod foi lançado, era um ótimo aparelho para ouvir música. Depois, acrescentaram fotos e vídeos. Mas não era tão eficiente. Daí, veio o iPhone. O pessoal da Apple fez ótimo trabalho, principalmente em relação às imagens. É muito fácil aumentar ou diminuir o tamanho das fotos na tela do aparelho. Claro que também incluíram um telefone. Mas acho que existem celulares melhores. Aliás, em relação ao design, há empresas tão inovadoras como a Apple. Mas elas não têm alguém com o carisma de um Steve Jobs.

JOBS FAZ A DIFERENÇA? Sim. Ele tem um bom gosto excepcional e entende muito bem o jogo do marketing. Não faz design pelo design. Há uma visão comercial nas suas opções. Ainda assim, ele já errou muitas vezes. Um exemplo é o computador Mac Cube. Era lindo, mas foi um desastre nas lojas. Na verdade, a ação mais importante de Jobs na Apple foi ter dado foco à empresa. Ele não é um designer, mas consegue encorajar os designers a fazer coisas que eles não sabiam que podiam fazer.  

O SENHOR ESTUDA O DESIGN DE COISAS INCOMUNS COMO AS FILAS. COMO UMA FILA PODE SER PRAZEROSA? É incrível, mas a Disney é um exemplo de uma empresa que consegue lidar com esse problema. Todos detestamos filas. E o que a Disney faz? Ela as torna agradáveis de alguma maneira. Eles contratam animadores para manter o público entretido. E, em alguns casos, eliminaram as filas fornecendo pagers que avisam ao visitante que chegou a vez dele. Não seria maravilhoso se médicos e dentistas também soubessem tornar suas salas de espera mais agradáveis? Ou se isso acontecesse nos terminais de aeroporto? Pode ter certeza de que vale a pena estudar esse assunto.

 
     
 
COPYRIGHT © EDITORA ABRIL S.A. - TODOS OS DIREITOS RESERVADOS