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Entrevista: Don
Norman
O segredo do produto ideal

Adriana Pavlova
Divulgação
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Especialista em design de produtos,
o americano DON NORMAN é um defensor de eletrônicos
simples, fáceis de usar. Trabalhou na Apple, onde foi vice-presidente
de tecnologia avançada. Atualmente, dá aulas sobre
design de produtos na Northwestern University, em Chicago. Trabalha
num livro cujo título provisório é Why Things
Don't Work? (Por que as Coisas Não Funcionam?). Norman
concedeu a seguinte entrevista a VEJA.
QUAL É O PRODUTO IDEAL?
Não existe nada mais interessante do que ferramentas
de busca como o Google, o Yahoo! e o Live da Microsoft. São
perfeitas. Fáceis de usar, oferecem resultados precisos e
não custam nada. Melhores ainda são os serviços
de mapas fornecidos por essas empresas. São práticos,
eficientes, divertidos e grátis. Nós não sabemos
como, mas eles funcionam e muito bem. O produto ideal para
o consumidor deveria ser assim, mesmo aquele não oferecido
pela internet.
QUAL SERIA O PRODUTO IDEAL
DO PONTO DE VISTA DO FABRICANTE? Nesse caso, não vejo
nada melhor do que as impressoras de jato de tinta. São baratas
de produzir, oferecem boa margem de lucro e os cartuchos devem ser
permanentemente repostos. Para completar, o fabricante tem o monopólio
dos cartuchos. Um bom negócio.
A DIFICULDADE EM APROVEITAR
TODAS AS FUNÇÕES DE UM ELETRÔNICO COSTUMA FRUSTRAR
AS PESSOAS. ESSE SENTIMENTO É JUSTO? Sim. Recentemente,
sofri ao instalar um software no meu computador. Fiquei me perguntando:
por que comprei esse negócio? O pior é que a reação
natural das pessoas é odiar a tecnologia. Na verdade, deveriam
odiar quem desenhou e finalizou o produto.
OS DESIGNERS PENSAM NO CONSUMIDOR
QUANDO ESTÃO PREPARANDO UM NOVO PRODUTO? Sim e não.
Um dos problemas em relação aos designers é
que, em geral, são formados em escolas de arte. Nesses lugares,
são treinados para pensar em si próprios. Querem criar
peças que sejam exibidas em museus. Mas um produto deve ser
criado tendo o consumidor como guia. O que tento fazer é
justamente treinar designers para que entendam e levem em conta
as pessoas.
O QUE O SENHOR ACHA DO iPHONE?
É uma clara evolução do iPod. Quando o iPod
foi lançado, era um ótimo aparelho para ouvir música.
Depois, acrescentaram fotos e vídeos. Mas não era
tão eficiente. Daí, veio o iPhone. O pessoal da Apple
fez ótimo trabalho, principalmente em relação
às imagens. É muito fácil aumentar ou diminuir
o tamanho das fotos na tela do aparelho. Claro que também
incluíram um telefone. Mas acho que existem celulares melhores.
Aliás, em relação ao design, há empresas
tão inovadoras como a Apple. Mas elas não têm
alguém com o carisma de um Steve Jobs.
JOBS FAZ A DIFERENÇA?
Sim. Ele tem um bom gosto excepcional e entende muito bem
o jogo do marketing. Não faz design pelo design. Há
uma visão comercial nas suas opções. Ainda
assim, ele já errou muitas vezes. Um exemplo é o computador
Mac Cube. Era lindo, mas foi um desastre nas lojas. Na verdade,
a ação mais importante de Jobs na Apple foi ter dado
foco à empresa. Ele não é um designer, mas
consegue encorajar os designers a fazer coisas que eles não
sabiam que podiam fazer.
O SENHOR ESTUDA O DESIGN DE
COISAS INCOMUNS COMO AS FILAS. COMO UMA FILA PODE SER PRAZEROSA?
É incrível, mas a Disney é um exemplo de uma
empresa que consegue lidar com esse problema. Todos detestamos filas.
E o que a Disney faz? Ela as torna agradáveis de alguma maneira.
Eles contratam animadores para manter o público entretido.
E, em alguns casos, eliminaram as filas fornecendo pagers que avisam
ao visitante que chegou a vez dele. Não seria maravilhoso
se médicos e dentistas também soubessem tornar suas
salas de espera mais agradáveis? Ou se isso acontecesse nos
terminais de aeroporto? Pode ter certeza de que vale a pena estudar
esse assunto.
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