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Entrevista
5 perguntas para Steven Johnson
Divulgação
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O americano Steven Johnson, autor de Surpreendente (Everything
Bad Is Good for You, no título original em inglês),
defende o acesso irrestrito dos jovens aos videogames e aos sites
de relacionamento. Ele acredita que os jogos de computador, a internet
e até mesmo a televisão possuem virtudes intelectuais
e cognitivas diferentes, mas não inferiores às da
leitura. Johnson falou à repórter Giovana Girardi.
O que teria ocorrido se os videogames
tivessem surgido antes dos livros? Haveria quem dissesse que a leitura
não estimula os sentidos. Não faltariam especialistas
para demonstrar as vantagens do tradicional videogame, capaz de
envolver a criança em um mundo realista e tridimensional,
repleto de imagens animadas e trilhas sonoras. Os livros seriam
vistos como uma seqüência enfadonha de palavras arrumadas
numa página. Não faltariam argumentos científicos
para condenar os livros. Note que apenas uma pequena parte do cérebro,
dedicada ao processamento da linguagem escrita, é ativada
durante a leitura, ao passo que os games acionam uma variedade completa
de córtices sensoriais e motores. Por fim, os livros têm
a capacidade trágica de isolar a pessoa...
Que benefício o jogo de computador
pode trazer para os jogadores? Os games fazem com que eles pensem.
Precisam descobrir a melhor maneira de atingir um objetivo. É
preciso ainda realizar tarefas menores, mas sem perder de vista
o problema maior. Por vezes, também é necessário
passar horas estudando manuais para descobrir como agir em determinada
situação. Os jogos mais vendidos são aqueles
que envolvem habilidades estratégicas de simulação,
como o SimCity. Este exige que o jogador construa uma cidade
e a torne viável. Isso acaba funcionando como uma espécie
de exercício de redação, já que o jogador
necessita compor verdadeiras narrativas. Outros campeões
de vendas, que também exigem bastante das pessoas, são
os simuladores de guerras históricas, como a série
Total War, com batalhas ocorridas no Império Romano
e nas guerras medievais.
Por que tanta gente adora sites de
relacionamento como o Second Life e o Orkut? Essa é a maneira
pela qual as pessoas se comunicam atualmente com seus amigos. Quando
eu era adolescente, nos anos 80, nós falávamos ao
telefone o dia todo. Agora, a interação é via
Orkut e mensagens de texto. As novas gerações são
mais sociáveis do que as anteriores. Pensam em mídia,
em primeiro lugar, como uma experiência social, e não
como uma relação passiva de consumo.
O que é pior, a violência
nos games ou no cinema? Nenhuma delas é boa. Não acho
que games violentos sejam adequados a crianças pequenas.
Mas, como acredito que os jogos nos fazem pensar, considero que
são bem melhores do que os filmes, nos quais se fica sentado
diante de uma tela vendo as pessoas atirar umas nas outras.
Por que ainda há tanta controvérsia
sobre o efeito da internet e dos jogos de computador nos jovens?
Acredito que os games e os sites de relacionamento têm efeito
positivo sobre as pessoas. Preciso admitir, contudo, que essa possibilidade
ainda não foi testada de nenhuma maneira científica.
Nós temos pouca informação sobre o assunto
porque quase todos os estudos de exposição à
mídia eletrônica foram focados na busca de pontos negativos.
Seria interessante ver uma pesquisa que tivesse como objetivo os
aspectos positivos. Ou, vá lá que seja, que fosse
feita com neutralidade.
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