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Megalaboratórios
Em busca da origem
de todas as coisas
Com um gigantesco acelerador de
partículas,
cientistas esperam desvendar os mistérios
do nascimento do universo
Divulgação
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Vista interna do Atlas, um dos detectores de
partículas do LHC: 40 metros de diâmetro e a
altura de um prédio de seis andares
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Um túnel de 27 quilômetros,
cavado a 100 metros de profundidade na fronteira entre a França
e a Suíça, abriga a maior máquina já
construída pelo homem. Ela deve entrar em funcionamento em
meados de 2008. Espera-se muito desse prodigioso artefato. O aparelho,
batizado de Large Hadron Collider, ou LHC, é um acelerador
de partículas subatômicas. Dentro do túnel,
essas partículas de prótons vão ser levadas
por poderosos magnetos a colidir entre si. Os choques monumentais,
repetidos milhões de vezes, devem reencenar em escala reduzida
o Big Bang, a explosão primordial que há cerca de
14 bilhões de anos deu origem à matéria e à
energia organizadas sob as leis da física, conjunto a que
hoje chamamos de universo. Os cientistas não sabem explicar
por que as forças elementares se impuseram ao caos reinante
nos primeiros três minutos depois da explosão primordial,
resultando em um ambiente organizado que permitiria a formação
de galáxias, sóis e até de seres vivos capazes
de se questionar sobre a origem do universo. O LHC deve produzir
os sinais detectáveis de como essas forças (a gravidade
e as que produzem os efeitos eletromagnéticos, mantêm
os elétrons em órbita em torno do núcleo atômico
e os prótons coesos) passaram a obedecer às leis da
física. Em especial, devem descobrir se existe mesmo a partícula
de Higgs, uma criação teórica posta de pé
pelo físico Peter Higgs para explicar por que a luz não
tem massa, mas outras partículas subatômicas tão
ou mais elusivas do que os fótons são bastante pesadas.
Para os físicos, a elucidação desse mistério
ajudará a entender não apenas a origem do universo,
mas seu funcionamento e seu fim.
"O LHC é a ferramenta
mais poderosa já construída pelo homem para mergulhar
na intimidade do átomo", diz o físico Ignácio
Bediaga, do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas e integrante
da equipe do Cern, o laboratório que já opera o maior
acelerador de partículas em funcionamento do mundo e que
é responsável pelo LHC. A expectativa dos cientistas
com relação ao LHC é enorme, mas, como em todo
experimento científico, existe sempre o risco de que não
se chegue aos resultados previstos. Diz o físico John Ellis,
integrante do projeto: "Se nossos cálculos se provarem errados
e nada for descoberto, é sinal de que passamos os últimos
35 anos falando bobagens". Não é o fim do mundo, porém.
Como toda boa ciência, a física caminha fazendo as
perguntas certas, e não obtendo todas as respostas para elas.
O novo desbravador do universo
ESA/Divulgação
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Há quase duas décadas
o mundo se deslumbra com as imagens captadas no espaço pelo
telescópio Hubble, como os ninhos de estrelas em forma de
gigantescas nebulosas. Prestes a ser aposentado, o Hubble já
tem um substituto em construção, o supertelescópio
James Webb. Batizado com o nome do diretor da Nasa ao tempo das
missões lunares Apollo, o novo observador do cosmo tem quase
o dobro do tamanho do Hubble, pode captar sete vezes mais luz e
irá muito mais longe. Suas missões também serão
mais ambiciosas pretende-se que o James Webb desvende os
mistérios do nascimento do universo e busque planetas fora
do sistema solar onde possa haver vida.
Para entender a matéria
invisível
Henry Sobel/University of California
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Super-Kamiokande é uma
espécie de armadilha gigante para capturar neutrinos. Essas
partículas minúsculas, apesar de abundantes, são
dificílimas de detectar. As 11 200 bolas brilhantes que revestem
o laboratório são sensores especiais para captar o
movimento dos neutrinos. O estudo dessas partículas deve
ajudar os cientistas a entender o comportamento da matéria
invisível existente no universo. Construído pela Universidade
de Tóquio numa antiga mina de níquel no Japão,
a 1 quilômetro de profundidade, o laboratório tem a
forma de um cilindro, com 39 metros de diâmetro e 41 metros
de altura, o equivalente a um prédio de treze andares. Inaugurado
em 1996, o Super-Kamiokande custou 100 milhões de dólares.
Parcialmente destruído por um acidente em 2001, voltou a
operar no ano passado.
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