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Civilização on-line: A vida entre o real e o virtual
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"Nerds": Como eles vivem dez anos depois

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O hiper-realismo dos jogos

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O mapa da web

IDÉIAS
Kevin Kelly – Como a tecnologia melhora as pessoas

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Bill Gates – Tendências para os próximos dez anos

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O ouro que vem do lixo eletrônico

DIVERTIMENTO
No pôquer, o computador perde

MEGALABORATÓRIOS
Gigantes a serviço da ciência

ENTREVISTA
Cinco perguntas para Steven Johnson
     
 

Diversão
PÔQUER
A máquina não sabe blefar

O computador bate o homem no xadrez e nas damas,
mas se perde na malandragem do carteado


Eduardo Tardin

Em julho, dois profissionais do baralho derrotaram o mais avançado programa de pôquer para computador, o Polaris. De forma irônica, a disputa ocorreu numa conferência sobre inteligência artificial em Vancouver, no Canadá. A vitória de Phil Laak e Ali Eslami, os dois jogadores, foi esclarecedora ao expor as deficiências da máquina no confronto com o homem – algo que fazia muito tempo não se via. Para vencer no pôquer, é preciso saber blefar. O computador até tinha sido programado para tentar enganar os adversários. Um fiasco. As tentativas de blefe eram feitas ao acaso, de modo automático, sem levar em conta o que estava acontecendo na mesa de jogo. O Polaris também demonstrou dificuldade em tomar decisões sem dispor de informações completas. Obviamente, como não havia jeito de conhecer as cartas do adversário, a máquina hesitava no momento de arriscar. Eis a diferença entre o pôquer e outros jogos em que o computador conseguiu superar jogadores de elite. No xadrez, nas damas e no gamão, é possível calcular matematicamente as possibilidades e determinar objetivamente a melhor jogada. Ou seja, não é necessário interpretar a fisionomia do adversário, como ocorre nos jogos de cartas. Basta se concentrar nas peças dispostas no tabuleiro. No pôquer, isso se revelou fatal. Em dois dias de competição, apenas em uma partida o Polaris tentou adaptar sua estratégia ao perfil de cada jogador. E ainda assim perdeu.

O computador utilizado foi um Macbook Pro, da Apple, máquina de uso doméstico. Isso foi possível porque o programa não exigia grande capacidade de processamento durante o jogo. "Para a disputa com a dupla do pôquer, os cálculos consumiram semanas", diz Michael Bowling, responsável pelo desenvolvimento do Polaris. O programa foi criado pelo mesmo grupo de pesquisadores da Universidade de Alberta que, recentemente, anunciou um software que, eles garantem, jamais perderá de um adversário humano numa disputa de damas. Na pior das hipóteses, conseguirá empatar. Viva o pôquer.

 
     
 
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