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Diversão
PÔQUER
A máquina não sabe blefar
O computador bate o homem no xadrez
e nas damas,
mas se perde na malandragem do carteado

Eduardo Tardin
Em julho, dois profissionais
do baralho derrotaram o mais avançado programa de pôquer
para computador, o Polaris. De forma irônica, a disputa ocorreu
numa conferência sobre inteligência artificial em Vancouver,
no Canadá. A vitória de Phil Laak e Ali Eslami, os
dois jogadores, foi esclarecedora ao expor as deficiências
da máquina no confronto com o homem algo que fazia
muito tempo não se via. Para vencer no pôquer, é
preciso saber blefar. O computador até tinha sido programado
para tentar enganar os adversários. Um fiasco. As tentativas
de blefe eram feitas ao acaso, de modo automático, sem levar
em conta o que estava acontecendo na mesa de jogo. O Polaris também
demonstrou dificuldade em tomar decisões sem dispor de informações
completas. Obviamente, como não havia jeito de conhecer as
cartas do adversário, a máquina hesitava no momento
de arriscar. Eis a diferença entre o pôquer e outros
jogos em que o computador conseguiu superar jogadores de elite.
No xadrez, nas damas e no gamão, é possível
calcular matematicamente as possibilidades e determinar objetivamente
a melhor jogada. Ou seja, não é necessário
interpretar a fisionomia do adversário, como ocorre nos jogos
de cartas. Basta se concentrar nas peças dispostas no tabuleiro.
No pôquer, isso se revelou fatal. Em dois dias de competição,
apenas em uma partida o Polaris tentou adaptar sua estratégia
ao perfil de cada jogador. E ainda assim perdeu.
O computador utilizado foi um
Macbook Pro, da Apple, máquina de uso doméstico. Isso
foi possível porque o programa não exigia grande capacidade
de processamento durante o jogo. "Para a disputa com a dupla do
pôquer, os cálculos consumiram semanas", diz Michael
Bowling, responsável pelo desenvolvimento do Polaris. O programa
foi criado pelo mesmo grupo de pesquisadores da Universidade de
Alberta que, recentemente, anunciou um software que, eles garantem,
jamais perderá de um adversário humano numa disputa
de damas. Na pior das hipóteses, conseguirá empatar.
Viva o pôquer.
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