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Ambiente
O ouro está no lixo
Sete em cada 10 dos 50 milhões
de toneladas
de sucata eletrônica produzidas por ano
vão parar na China, onde são recicladas

Carlos Ossamu
Natalie Behring
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Um problema
de difícil solução surgiu na esteira da tecnologia:
o que fazer com a sucata eletrônica? De acordo com a ONU,
o planeta descarta por ano 50 milhões de toneladas desse
tipo de resíduo. Do ponto de vista ambiental é um
desastre. O material plástico das carcaças de computador
leva séculos para se decompor na natureza. Os componentes,
como as placas-mãe, estão recheados de metais pesados,
como mercúrio, chumbo, cádmio e berílio, altamente
tóxicos. O problema só não é mais grave
na Europa e nos Estados Unidos os maiores produtores mundiais
de sucata eletrônica porque 70% de todo o lixo é
enviado gratuitamente ou vendido a preços simbólicos
à China.
Eugene Hoshiko/AP
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| Equilíbrio precário: em Guiyu,
no sudeste chinês, 80% da população depende
do ferro-velho eletrônico |
A principal
riqueza de Guiyu, cidade do litoral chinês com 150 000 moradores,
é precisamente o garimpo no lixo eletrônico. Oito em
cada dez habitantes, incluindo crianças e idosos, passam
o dia destroçando carcaças de computadores, aparelhos
de fax e outras peças. Buscam metais que possam ser recuperados
e revendidos, como cobre, aço e ouro. As placas-mãe
das máquinas são desmontadas em fogareiros de carvão.
As carcaças de PVC também são derretidas para
aproveitamento, um processo que libera gases tóxicos. Estudos
constataram que o solo da região está contaminado
por metais pesados. Não resta uma só fonte de água
potável num raio de 50 quilômetros da cidade. Essas
informações alarmistas não tiram o entusiasmo
dos recicladores. Ao contrário. Esse tipo de ferro-velho
constitui um negócio tão promissor que outros países,
particularmente a Índia e a Nigéria, passaram a disputar
com os chineses os carregamentos de sucata eletrônica.
Natalie Behring
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| Garimpo na placa-mãe: pequenas porções
de metais preciosos podem ser recuperadas |
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Há mais ouro
em 1 tonelada de PCs do que em 17
toneladas de minério bruto do metal
Pilhas e baterias, como as de celular e notebook, demoram
500 anos para se decompor na natureza
As placas de circuitos eletrônicos são
40 vezes mais ricas em cobre
do que o minério bruto do metal
Nos EUA, 304 milhões
de aparelhos eletrônicos são jogados no lixo
a cada ano. Seis em cada dez deles ainda funcionam
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