| | ANIMAÇÃO O
segredo está nos pêlos O realismo
de A Era do Gelo 2 vem de um programa
que simula até o efeito do vento sobre os personagens
 Eduardo
Graça, de Nova York
Fotos
divulgação
 | | Milhares
de fios: traços gerados em formato digital criam o rabo do esquilo |
A tecnologia de animação por computadores é uma prova de
que a realidade pode melhorar a ficção. Em geral, esse tipo de filme
é aprimorado à medida que se elimina o que existe de tosco nos movimentos,
nas reações emocionais e nos detalhes que compõem os personagens.
O aprimoramento desses desenhos deve muito a um software de geração
de imagens, chamado ray tracing, desenvolvido nos anos 70 pelo estúdio
nova-iorquino Magi. Inicialmente utilizado para a criação de filmes
educacionais, chegou ao cinema em 1982, quando os efeitos da nova tecnologia puderam
ser conferidos no filme de ação Tron, da Disney. Em 1995,
o primeiro desenho animado de uma nova geração, Toy Story, conquistava
o mundo. Hoje, um dos melhores programas desse
tipo foi desenvolvido pelo estúdio Blue Sky, em Nova York. Com esse recurso,
um de seus diretores, Carlos Saldanha, de 41 anos, transformou-se no brasileiro
de maior sucesso no cinema americano com A Era do Gelo 2, que ultrapassou
os 600 milhões de dólares de bilheteria. Boa parte do sucesso do
filme se deve aos pêlos, às penas e aos respingos da água
que se tornaram "personagens secundários" da história. Manny, o
mamute, tem 2 milhões de pêlos gerados digitalmente nas costas. O
rabo do esquilo é outro exemplo espantoso de detalhismo. Difícil
é acompanhar o ritmo da evolução dos softwares ao longo da
produção. "Os avanços são muito rápidos e temos
de planejar com grande antecedência para investir pesado na tecnologia de
um filme", diz Saldanha. | |