| | INOVAÇÃO A
maçã ao cubo Por que a
Apple se transformou numa das empresas mais criativas do planeta
 Carlos
Rydlewski e Alessandro Greco Divulgação
 | | O
Louvre dos eletrônicos: nova loja da Apple virou ponto turístico em Nova York
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Como transformar um aparelhinho
que reproduz música digital num ícone mundial de consumo? Pergunte
à Apple, pois foi justamente isso que a empresa fez com o iPod. Ou ainda
como converter a simples abertura de uma loja numa espécie de inauguração
de um ponto turístico de Nova York? Pergunte à Apple, novamente,
já que foi exatamente isso que a companhia conseguiu em maio, com a instalação
de um novo ponto-de-venda na Quinta Avenida, em Manhattan. Na entrada, o espaço
ostenta uma maçã, o símbolo da marca, envolta num cubo de
vidro. Lembra a pirâmide do Louvre, numa versão para eletrônicos.
Iniciativas desse tipo não são fatos isolados na vida da companhia.
Ao contrário, acumulam-se desde a apresentação do primeiro
produto da empresa o computador pessoal de grande impacto Apple II, em
1977. É por ter uma mão tão boa no mercado que a firma se
consolidou como um marco da inovação.
Parece paradoxal, mas um dos motes para a construção de tamanho
sucesso é dado pelo termo simplicidade. "Não queremos nada complicado",
disse a VEJA Edwin Estrada, especialista sênior de sistemas da Apple. "Lembro-me
do Steve Jobs pregando, há muitos anos, que temos de criar produtos semelhantes
ao telefone tradicional: para usá-lo ninguém precisa ter a menor
idéia do sistema ou da tecnologia empregada; basta colocá-lo no
ouvido e dizer alô." Outra norma interna é fugir da mesmice das prateleiras.
Nesse ponto, o design é decisivo. Linhas inusitadas e tons variados têm
fomentado as vendas, notadamente desde o lançamento do iMac com versões
coloridas, em 1998. Essas máquinas foram as primeiras a se opor à
ditadura do cinza no ramo dos computadores de mesa.
Outra viga estratégica fincada pela Apple no mercado é a sondagem
regular da clientela. A máxima de saber ouvir o consumidor vale para qualquer
negócio. Mas é crítica em se tratando de uma marca que não
tem clientes, mas devotos. "Quando pergunto a grupos de usuários por que
eles dizem que 'amam' seus Macs eles respondem: 'Como assim por quê?'.",
observa Estrada. "Nesse campo, não dá para ser muito científico."
Mas é possível ir bem mais longe em conferências como a Macworld.
Nessas feiras anuais, a empresa destaca 200 funcionários somente para trocar
idéias com os participantes do evento. Alguns visitam a sede da firma em
Cupertino, na Califórnia. "Nesses tours, as pessoas ficam surpresas quando
vêem o Steve Jobs", conta Estrada. "Aí, eu digo: pois é, ele
trabalha aqui e quase sempre está disponível." E esse é outro
elemento crucial para o êxito da Apple: nada como um grande líder
por perto. | |