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NEUROTECNOLOGIA
Direto do cérebro
O controle de membros
mecânicos
pelo pensamento entra em nova
fase de testes com pacientes

Salvador Nogueira
Chris Hildreth/Duke University
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| Nicolelis segura matriz de eletrodos, usada
para registrar nível de atividade cerebral: "As pesquisas avançam
com velocidade impressionante" |
Se uma fração mínima das
previsões de implantes de chips em cérebros tivesse
prosperado, o mundo estaria hoje repleto de ciborgues, meio humanos,
meio robôs, que se conectariam à internet ao mexer
no lóbulo da orelha. Isso não vai acontecer
ao menos não tão cedo. O que realmente as pesquisas
perseguem na área de neurotecnologia distancia-se anos-luz
desse tipo de bobagem. Um exemplo de trabalho real e contundente
nesse setor está sendo realizado pelo grupo liderado pelo
neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, de 45 anos, da Universidade
Duke, na Carolina do Norte, nos Estados Unidos. As técnicas
desenvolvidas pela equipe de Nicolelis têm como objetivo fazer
com que próteses mecânicas, como braços e pernas
artificiais, sejam controladas diretamente pela atividade cerebral.
No limite, as investigações podem auxiliar na recuperação
de paraplégicos e tetraplégicos. O trabalho do cientista
entrou numa nova fase em julho, quando começaram testes completos
com pessoas, abrangendo todo o ciclo da experiência. "Agora,
faremos a conexão direta entre os pacientes e membros robóticos
por cerca de uma hora e meia", diz Nicolelis. "Antes, os exames
eram parciais e o tempo de execução não ultrapassava
dez minutos."
As etapas anteriores da pesquisa foram vencidas
com sucesso. O trabalho começou a ganhar destaque internancional
há seis anos, quando Nicolelis "plugou" o cérebro
de pequenos macacos a um computador, introduzindo dezenas de microeletrodos,
pequenos fios de metal mais finos que os de cabelo, no crânio
dos bichinhos. Por meio desses dispositivos, captou sinais de atividade
cerebral relacionados ao movimento de membros. Depois de interpretarem
esses sinais, os computadores tornaram-se capazes de reproduzir
o balançar do braço do macaco numa prótese
robótica. Foi a primeira vez que uma máquina apreendeu
comandos cerebrais e os traduziu adequadamente sob a forma de gestos.
Nos anos seguintes, a técnica foi aprimorada, até
que, em 2003, o neurocientista conseguiu autorização
para fazer os primeiros testes com humanos. "É o que chamamos
de validação de princípio, para mostrar que
a técnica funciona tão bem com pessoas como com os
macacos", observa Nicolelis, escolhido pela Scientific American,
uma das mais relevantes publicações de divulgação
científica do mundo, um dos cinqüenta líderes
mundiais da ciência em 2004. "Sendo conservador, acredito
que, em dois anos, já teremos pessoas usando membros robóticos.
Os estudos nessa área evoluem com velocidade impressionante",
diz o pesquisador.
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Técnica e sensibilidade
Fabio Muzzi/AP
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Com a sofisticação cada vez maior
na interpretação de sinais provenientes do cérebro,
é natural que também surjam evoluções
na outra ponta: na construção de artefatos robóticos
que possam responder a esses sinais. É nessa linha
que trabalha a equipe de Paolo Dario, da Escola Superior Sant'Anna,
em Pisa, na Itália. Eles criaram uma mão robótica
(foto), conhecida como Cyberhand, justamente para esse
fim. O grupo pretende testar o aparelho conectado a pacientes
ainda neste ano embora seu desenvolvimento esteja no
início e os pesquisadores não esperem ter o
produto disponível no mercado antes de seis ou oito
anos. Mas o que surpreende no artefato é a delicadeza
do toque. A mão robótica é capaz de segurar
uma batatinha frita sem quebrá-la.
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