ÍNDICE
 Carta ao leitor

Velocidade: O avanço exponencial da tecnologia

Nanotecnologia: A Lilipute da ciência

Biotecnologia: As pesquisas com células e genes

Entrevista: Judah Folkman

Transgênicos: As vantagens para o consumidor

Vida digital: Serviços proliferam na rede

Entrevista: Vinton Cerf

Entrevista: Tim Berners-Lee

Artigo: Kevin Kelly

Conectividade: A ligação entre as redes sem fio

Neurotecnologia: Próteses controladas pela mente

Robótica: As máquinas ameaçam aprender

Bell Labs: A rede que imita o corpo

Entrevista: Charles Townes

Apple: Modelo de inovação

Perfil: Steve Jobs

Carros: Combustíveis e motores do futuro

Produtos: TVs, pen drives e celulares

Artigo: Michio Kaku

Engenharia: Prédios cada vez mais altos

Artigo: Jaron Lanier

Computação gráfica: O realismo na animação
   
 

NEUROTECNOLOGIA
Direto do cérebro

O controle de membros mecânicos
pelo pensamento entra em nova
fase
de testes com pacientes


Salvador Nogueira


Chris Hildreth/Duke University
Nicolelis segura matriz de eletrodos, usada para registrar nível de atividade cerebral: "As pesquisas avançam com velocidade impressionante"

Se uma fração mínima das previsões de implantes de chips em cérebros tivesse prosperado, o mundo estaria hoje repleto de ciborgues, meio humanos, meio robôs, que se conectariam à internet ao mexer no lóbulo da orelha. Isso não vai acontecer – ao menos não tão cedo. O que realmente as pesquisas perseguem na área de neurotecnologia distancia-se anos-luz desse tipo de bobagem. Um exemplo de trabalho real e contundente nesse setor está sendo realizado pelo grupo liderado pelo neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, de 45 anos, da Universidade Duke, na Carolina do Norte, nos Estados Unidos. As técnicas desenvolvidas pela equipe de Nicolelis têm como objetivo fazer com que próteses mecânicas, como braços e pernas artificiais, sejam controladas diretamente pela atividade cerebral. No limite, as investigações podem auxiliar na recuperação de paraplégicos e tetraplégicos. O trabalho do cientista entrou numa nova fase em julho, quando começaram testes completos com pessoas, abrangendo todo o ciclo da experiência. "Agora, faremos a conexão direta entre os pacientes e membros robóticos por cerca de uma hora e meia", diz Nicolelis. "Antes, os exames eram parciais e o tempo de execução não ultrapassava dez minutos."

As etapas anteriores da pesquisa foram vencidas com sucesso. O trabalho começou a ganhar destaque internancional há seis anos, quando Nicolelis "plugou" o cérebro de pequenos macacos a um computador, introduzindo dezenas de microeletrodos, pequenos fios de metal mais finos que os de cabelo, no crânio dos bichinhos. Por meio desses dispositivos, captou sinais de atividade cerebral relacionados ao movimento de membros. Depois de interpretarem esses sinais, os computadores tornaram-se capazes de reproduzir o balançar do braço do macaco numa prótese robótica. Foi a primeira vez que uma máquina apreendeu comandos cerebrais e os traduziu adequadamente sob a forma de gestos. Nos anos seguintes, a técnica foi aprimorada, até que, em 2003, o neurocientista conseguiu autorização para fazer os primeiros testes com humanos. "É o que chamamos de validação de princípio, para mostrar que a técnica funciona tão bem com pessoas como com os macacos", observa Nicolelis, escolhido pela Scientific American, uma das mais relevantes publicações de divulgação científica do mundo, um dos cinqüenta líderes mundiais da ciência em 2004. "Sendo conservador, acredito que, em dois anos, já teremos pessoas usando membros robóticos. Os estudos nessa área evoluem com velocidade impressionante", diz o pesquisador.

 

Técnica e sensibilidade


Fabio Muzzi/AP

Com a sofisticação cada vez maior na interpretação de sinais provenientes do cérebro, é natural que também surjam evoluções na outra ponta: na construção de artefatos robóticos que possam responder a esses sinais. É nessa linha que trabalha a equipe de Paolo Dario, da Escola Superior Sant'Anna, em Pisa, na Itália. Eles criaram uma mão robótica (foto), conhecida como Cyberhand, justamente para esse fim. O grupo pretende testar o aparelho conectado a pacientes ainda neste ano – embora seu desenvolvimento esteja no início e os pesquisadores não esperem ter o produto disponível no mercado antes de seis ou oito anos. Mas o que surpreende no artefato é a delicadeza do toque. A mão robótica é capaz de segurar uma batatinha frita sem quebrá-la.

 

 
   
 
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