ÍNDICE
 Carta ao leitor

Velocidade: O avanço exponencial da tecnologia

Nanotecnologia: A Lilipute da ciência

Biotecnologia: As pesquisas com células e genes

Entrevista: Judah Folkman

Transgênicos: As vantagens para o consumidor

Vida digital: Serviços proliferam na rede

Entrevista: Vinton Cerf

Entrevista: Tim Berners-Lee

Artigo: Kevin Kelly

Conectividade: A ligação entre as redes sem fio

Neurotecnologia: Próteses controladas pela mente

Robótica: As máquinas ameaçam aprender

Bell Labs: A rede que imita o corpo

Entrevista: Charles Townes

Apple: Modelo de inovação

Perfil: Steve Jobs

Carros: Combustíveis e motores do futuro

Produtos: TVs, pen drives e celulares

Artigo: Michio Kaku

Engenharia: Prédios cada vez mais altos

Artigo: Jaron Lanier

Computação gráfica: O realismo na animação
   
 

CONECTIVIDADE
Costuras no ar

Ligação de redes sem fio prenuncia a era
em que tudo vai estar
conectado, desde os
carros até os produtos expostos numa loja


Carlos Rydlewski e Alessandro Greco


Steve Moors
Em laboratório com 400 antenas no teto, Raychaudhuri testa sistema que torna conexões sem fio compatíveis

O professor indiano Dipankar Raychaudhuri, da Universidade Rutgers, em Nova Jersey, nos Estados Unidos, trabalha em um ambiente intrigante. Do teto do centro de pesquisas que dirige pendem 400 caixas amarelas equipadas com computadores, um conjunto que mais parece um amontoado de lustres antenados. Esses aparelhos fazem parte de um estudo que pretende interligar todas as redes de transmissão de dados sem fio existentes, como celular e banda larga, possibilitando que os mais diversos tipos de aparelho se comuniquem entre si. Raychaudhuri acredita que essa interconexão móvel permitirá que etiquetas inteligentes, com identificação feita por meio de radiofreqüência (RFID, na sigla em inglês), emitam sinais para celulares e avisem os consumidores sobre promoções em lojas. Carros poderão trocar informações para evitar colisões. Idosos carregarão leitores de pressão e de batimentos cardíacos capazes de fazer soar alarmes em prontos-socorros em caso de emergência. "A vida vai ficar mais fácil com essa inteligência embarcada nos objetos", disse a VEJA Raychaudhuri. "Ela vai nos ajudar a criar uma nova forma proveitosa de relacionamento com o mundo físico, da mesma maneira que a internet nos auxiliou a criar uma interface com o mundo virtual da informação."

O trabalho do professor da Universidade Rutgers foi eleito uma das dez tecnologias emergentes pela revista Technology Review, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). As caixas amarelas de Raychaudhuri são equipadas com computadores e diversos tipos de conexão sem fio de banda larga. Testa-se, ali, exatamente quanto tempo cada aparelho demora para se conectar e transmitir dados nesse emaranhado. Raychaudhuri observa que a costura das redes também eliminará pequenos "atritos" existentes no dia-a-dia. A conexão entre diversos objetos facilitará, por exemplo, a localização de aparelhos perdidos. Poderá ainda reduzir o tempo de espera em filas de aeroportos. "Isso sem contar as vidas que poderão ser salvas se conseguirmos diminuir o número de acidentes de carro", diz. "Acredito que esses recursos estarão disponíveis em alguns mercados, como segurança e transportes, a partir de 2010. Às ruas, chegam até 2020."

A pesquisa de Raychaudhuri é parte de um conjunto de investigações que abre caminho para o que os técnicos chamam de era da "computação impregnante" (ou pervasive computing). Ela é resultado da soma de avanços como a miniaturização de componentes eletrônicos, do seu barateamento vertiginoso e, mais recentemente, da difusão de novos tipos de sensores (veja reportagem). É impregnante justamente porque amplia o conceito de conectividade para muito além dos aparelhos eletrônicos. Enlaça tudo.

 
   
 
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