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CONECTIVIDADE
Costuras no ar
Ligação de redes sem fio
prenuncia a era
em que tudo vai estar conectado,
desde os
carros até os produtos expostos numa loja

Carlos Rydlewski e Alessandro Greco
Steve Moors
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| Em laboratório com 400 antenas no teto, Raychaudhuri
testa sistema que torna conexões sem fio compatíveis |
O professor indiano Dipankar Raychaudhuri,
da Universidade Rutgers, em Nova Jersey, nos Estados Unidos, trabalha
em um ambiente intrigante. Do teto do centro de pesquisas que dirige
pendem 400 caixas amarelas equipadas com computadores, um conjunto
que mais parece um amontoado de lustres antenados. Esses aparelhos
fazem parte de um estudo que pretende interligar todas as redes
de transmissão de dados sem fio existentes, como celular
e banda larga, possibilitando que os mais diversos tipos de aparelho
se comuniquem entre si. Raychaudhuri acredita que essa interconexão
móvel permitirá que etiquetas inteligentes, com identificação
feita por meio de radiofreqüência (RFID, na sigla em
inglês), emitam sinais para celulares e avisem os consumidores
sobre promoções em lojas. Carros poderão trocar
informações para evitar colisões. Idosos carregarão
leitores de pressão e de batimentos cardíacos capazes
de fazer soar alarmes em prontos-socorros em caso de emergência.
"A vida vai ficar mais fácil com essa inteligência
embarcada nos objetos", disse a VEJA Raychaudhuri. "Ela vai nos
ajudar a criar uma nova forma proveitosa de relacionamento com o
mundo físico, da mesma maneira que a internet nos auxiliou
a criar uma interface com o mundo virtual da informação."
O trabalho do professor da Universidade Rutgers
foi eleito uma das dez tecnologias emergentes pela revista Technology
Review, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). As
caixas amarelas de Raychaudhuri são equipadas com computadores
e diversos tipos de conexão sem fio de banda larga. Testa-se,
ali, exatamente quanto tempo cada aparelho demora para se conectar
e transmitir dados nesse emaranhado. Raychaudhuri observa que a
costura das redes também eliminará pequenos "atritos"
existentes no dia-a-dia. A conexão entre diversos objetos
facilitará, por exemplo, a localização de aparelhos
perdidos. Poderá ainda reduzir o tempo de espera em filas
de aeroportos. "Isso sem contar as vidas que poderão ser
salvas se conseguirmos diminuir o número de acidentes de
carro", diz. "Acredito que esses recursos estarão disponíveis
em alguns mercados, como segurança e transportes, a partir
de 2010. Às ruas, chegam até 2020."
A pesquisa de Raychaudhuri é parte
de um conjunto de investigações que abre caminho para
o que os técnicos chamam de era da "computação
impregnante" (ou pervasive computing). Ela é resultado
da soma de avanços como a miniaturização de
componentes eletrônicos, do seu barateamento vertiginoso e,
mais recentemente, da difusão de novos tipos de sensores
(veja reportagem). É impregnante
justamente porque amplia o conceito de conectividade para muito
além dos aparelhos eletrônicos. Enlaça tudo.
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