ÍNDICE
 Carta ao leitor

Velocidade: O avanço exponencial da tecnologia

Nanotecnologia: A Lilipute da ciência

Biotecnologia: As pesquisas com células e genes

Entrevista: Judah Folkman

Transgênicos: As vantagens para o consumidor

Vida digital: Serviços proliferam na rede

Entrevista: Vinton Cerf

Entrevista: Tim Berners-Lee

Artigo: Kevin Kelly

Conectividade: A ligação entre as redes sem fio

Neurotecnologia: Próteses controladas pela mente

Robótica: As máquinas ameaçam aprender

Bell Labs: A rede que imita o corpo

Entrevista: Charles Townes

Apple: Modelo de inovação

Perfil: Steve Jobs

Carros: Combustíveis e motores do futuro

Produtos: TVs, pen drives e celulares

Artigo: Michio Kaku

Engenharia: Prédios cada vez mais altos

Artigo: Jaron Lanier

Computação gráfica: O realismo na animação
   
 

VIDA DIGITAL
Duas visões do mundo

Mapas do Windows Live e do Google Earth
estão entre as centenas de novos serviços
que animam a internet


Carlos Rydlewski

A web engoliu o mundo. Já abriga textos, músicas, transmissões de TV, filmes, fotos, mapas, jogos, bancos... E vai abocanhar muito mais. A base da internet tem se mostrado incrivelmente flexível. É como se houvesse sido criada a estrutura de um edifício sobre a qual podem ser adicionados andares e mais andares, sem limite previsível de altura. É, até prova em contrário, uma arquitetura do infinito. Exemplos da capacidade de sucção da rede não faltam. Há apenas três anos as pessoas começaram a fazer ligações telefônicas pela internet no Brasil. Hoje, pouquíssimo tempo depois, a web já dá guarida a centrais inteiras de PABX, com capacidade quase ilimitada de linhas. Elas funcionam remotamente, como os serviços de e-mail. Em vez de endereços eletrônicos, administram os telefonemas. Existem até empresas pequenas prestando esse tipo de serviço, mesmo que em grande escala. A paulistana LocaWeb é um caso. Tem capacidade para operar 300 000 ramais virtuais, ocupando somente 20% da área disponível em sua central de armazenamento de dados.

E armazenar informações tornou-se uma tarefa essencial para manter a nova internet de pé. Hoje, existem quatro meios básicos para empacotar conteúdo. Dois deles, analógicos, são o papel e os filmes. Os outros dois têm formatos digitais, os meios ópticos (CDs e DVDs) e os magnéticos (fitas ou discos). Juntas, essas quatro modalidades acumulam o equivalente a 5 exabytes de dados por ano, sendo 92% em formato digital. Esse volume corresponde a 64 trilhões de horas de músicas em MP3. Para ouvi-las, uma após a outra, seriam necessários 7 bilhões de anos.

É para guardar tudo isso que cresce o mercado de arquivos digitais. Um desses modernos guarda-volumes, instalado pela Sun Microsystems no Brasil, tem capacidade para arquivar conteúdo equivalente a 30 bilhões de livros, cada um com o tamanho de um exemplar de O Código Da Vinci. Isso representa mais de 1 000 vezes o total de títulos existentes na Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, a maior do mundo. O aparelho, com 2,30 metros de altura por 2,70 de profundidade, funciona como uma biblioteca robotizada. Comporta em seu interior entre 1 448 e 300 000 fitas dispostas em prateleiras. Feita a consulta, um braço eletromecânico recolhe o cartucho desejado da prateleira específica e o leva a uma unidade de leitura e gravação. Essa máquina, que custa 500 000 dólares, pode trabalhar em paralelo com dezenas de outras – algo comum em bancos. Além de aparelhos desse porte, a queda no preço da estocagem digital vem favorecendo o armazenamento de dados. Com o mesmo valor gasto para arquivar 90 000 páginas na internet há dez anos, é possível guardar hoje 4 milhões de páginas.

Facilidades de armazenamento ajudam na criação de serviços. Isso vale para os novos sites de compartilhamento de conteúdo da web, como o YouTube, no qual as pessoas podem postar vídeos. O endereço recebe 6 milhões de visitas e exibe 40 milhões de programas por dia. Vale também para novos negócios de grandes empresas. Ao longo deste ano, a Microsoft vem lançando novidades da família Windows Live, um portal com e-mail, busca e conteúdo visualmente personalizado, que inclui desde previsões de tempo até notícias atualizadas periodicamente, além de serviço de busca com mapas. A investida da companhia nesse novo ramo tem como alvo fisgar parte do mercado de publicidade que sustenta os serviços na internet. Essa é principal fonte de receita para concorrentes como o Google e o Yahoo!. No ano passado, o mercado mundial de propaganda e publicidade movimentou 520 bilhões de dólares no planeta. A internet recebeu 17 bilhões desse total. Neste ano, pode ficar com 35 bilhões de dólares.

 

Fabiano Accorsi
Armazenar é tudo: máquina que comporta conteúdo equivalente a 30 bilhões de livros

É a flexibilidade, característica que está na origem da rede, que permite inovação permanente de usos. Ela nasceu da necessidade de conexão entre computadores de diferentes arquiteturas e fabricantes, na década de 70. Naquele momento, criou-se uma língua universal que possibilitou esse diálogo entre máquinas. Tecnicamente, esse esperanto digital foi chamado de protocolo da internet, mais especificamente de TCP/IP. Com esse recurso, os bits se aglomeram em pacotes. Daí o nome genérico dessa tecnologia: comutação de pacotes (ou packet switching). Funciona como um envelope de cartas. Internamente, vai a mensagem. Por fora, o endereço de destino dos dados (veja entrevista com o criador do protocolo). Nos anos 80, o surgimento da www (veja entrevista) tornou possível a conexão do conteúdo, como em textos e imagens, por meio de palavras grifadas que abrem links para outros endereços. Hoje, a rede mundial renova-se ainda com alavancas como a banda larga e a compressão de dados. Ambas criam uma espécie de sinergia: a primeira aumenta a largura da estrada por onde circulam as informações, enquanto a segunda diminui o tamanho dos carros. A disponibilidade de banda larga e a qualidade da rede fazem explodir a importância social e econômica da web. No Japão, em 2005, já houve mais acessos à rede por celular do que por computadores pessoais, os PCs. Foram 69,2 milhões no grupo dos telefones móveis, contra 66 milhões no dos equipamentos fixos.

 
   
 
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