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DIGITAL Duas visões do mundo
Mapas do Windows Live e do Google Earth estão entre as centenas de
novos serviços que animam a internet  Carlos
Rydlewski
A web engoliu o mundo. Já
abriga textos, músicas, transmissões de TV, filmes, fotos, mapas,
jogos, bancos... E vai abocanhar muito mais. A base da internet tem se mostrado
incrivelmente flexível. É como se houvesse sido criada a estrutura
de um edifício sobre a qual podem ser adicionados andares e mais andares,
sem limite previsível de altura. É, até prova em contrário,
uma arquitetura do infinito. Exemplos da capacidade de sucção da
rede não faltam. Há apenas três anos as pessoas começaram
a fazer ligações telefônicas pela internet no Brasil. Hoje,
pouquíssimo tempo depois, a web já dá guarida a centrais
inteiras de PABX, com capacidade quase ilimitada de linhas. Elas funcionam remotamente,
como os serviços de e-mail. Em vez de endereços eletrônicos,
administram os telefonemas. Existem até empresas pequenas prestando esse
tipo de serviço, mesmo que em grande escala. A paulistana LocaWeb é
um caso. Tem capacidade para operar 300 000 ramais virtuais, ocupando somente
20% da área disponível em sua central de armazenamento de dados.
E armazenar informações
tornou-se uma tarefa essencial para manter a nova internet de pé. Hoje,
existem quatro meios básicos para empacotar conteúdo. Dois deles,
analógicos, são o papel e os filmes. Os outros dois têm formatos
digitais, os meios ópticos (CDs e DVDs) e os magnéticos (fitas ou
discos). Juntas, essas quatro modalidades acumulam o equivalente a 5 exabytes
de dados por ano, sendo 92% em formato digital. Esse volume corresponde a 64 trilhões
de horas de músicas em MP3. Para ouvi-las, uma após a outra, seriam
necessários 7 bilhões de anos. É
para guardar tudo isso que cresce o mercado de arquivos digitais. Um desses modernos
guarda-volumes, instalado pela Sun Microsystems no Brasil, tem capacidade para
arquivar conteúdo equivalente a 30 bilhões de livros, cada um com
o tamanho de um exemplar de O Código Da Vinci. Isso representa mais
de 1 000 vezes o total de títulos existentes na Biblioteca do Congresso
dos Estados Unidos, a maior do mundo. O aparelho, com 2,30 metros de altura por
2,70 de profundidade, funciona como uma biblioteca robotizada. Comporta em seu
interior entre 1 448 e 300 000 fitas dispostas em prateleiras. Feita a consulta,
um braço eletromecânico recolhe o cartucho desejado da prateleira
específica e o leva a uma unidade de leitura e gravação.
Essa máquina, que custa 500 000 dólares, pode trabalhar em paralelo
com dezenas de outras algo comum em bancos. Além de aparelhos desse
porte, a queda no preço da estocagem digital vem favorecendo o armazenamento
de dados. Com o mesmo valor gasto para arquivar 90 000 páginas na internet
há dez anos, é possível guardar hoje 4 milhões de
páginas. Facilidades de armazenamento
ajudam na criação de serviços. Isso vale para os novos sites
de compartilhamento de conteúdo da web, como o YouTube, no qual as pessoas
podem postar vídeos. O endereço recebe 6 milhões de visitas
e exibe 40 milhões de programas por dia. Vale também para novos
negócios de grandes empresas. Ao longo deste ano, a Microsoft vem lançando
novidades da família Windows Live, um portal com e-mail, busca e conteúdo
visualmente personalizado, que inclui desde previsões de tempo até
notícias atualizadas periodicamente, além de serviço de busca
com mapas. A investida da companhia nesse novo ramo tem como alvo fisgar parte
do mercado de publicidade que sustenta os serviços na internet. Essa é
principal fonte de receita para concorrentes como o Google e o Yahoo!. No ano
passado, o mercado mundial de propaganda e publicidade movimentou 520 bilhões
de dólares no planeta. A internet recebeu 17 bilhões desse total.
Neste ano, pode ficar com 35 bilhões de dólares. Fabiano
Accorsi
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é tudo: máquina que comporta conteúdo equivalente a 30 bilhões
de livros |
É a flexibilidade,
característica que está na origem da rede, que permite inovação
permanente de usos. Ela nasceu da necessidade de conexão entre computadores
de diferentes arquiteturas e fabricantes, na década de 70. Naquele momento,
criou-se uma língua universal que possibilitou esse diálogo entre
máquinas. Tecnicamente, esse esperanto digital foi chamado de protocolo
da internet, mais especificamente de TCP/IP. Com esse recurso, os bits se aglomeram
em pacotes. Daí o nome genérico dessa tecnologia: comutação
de pacotes (ou packet switching). Funciona como um envelope de cartas. Internamente,
vai a mensagem. Por fora, o endereço de destino dos dados (veja
entrevista com o criador do protocolo). Nos anos 80, o surgimento
da www (veja entrevista)
tornou possível a conexão do conteúdo, como em textos
e imagens, por meio de palavras grifadas que abrem links para outros endereços.
Hoje, a rede mundial renova-se ainda com alavancas como a banda larga e a compressão
de dados. Ambas criam uma espécie de sinergia: a primeira aumenta a largura
da estrada por onde circulam as informações, enquanto a segunda
diminui o tamanho dos carros. A disponibilidade de banda larga e a qualidade da
rede fazem explodir a importância social e econômica da web. No Japão,
em 2005, já houve mais acessos à rede por celular do que por computadores
pessoais, os PCs. Foram 69,2 milhões no grupo dos telefones móveis,
contra 66 milhões no dos equipamentos fixos. | |