Como a convergência e a conectividade entre aparelhos transformam a vida das pessoas
Novidades tecnológicas do exterior e por que elas ainda não estão no Brasil
Telefonar está deixando de ser o principal uso do aparelhinho
Telefonia pelo computador revoluciona o mercado de comunicações
Os produtos que são destaque nas lojas neste fim de ano
Computadores
Notebooks
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PDAs e smartphones
Impressoras e multifuncionais
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Som no carro
Games
GPS
Outros
Tim Woods, da Internet Home Alliance
Jonathan Cluts, da Microsoft
 
 
   
 

Quando chega ao Brasil?

O intervalo entre o lançamento de novos
aparelhos eletrônicos lá fora e sua chegada
aqui diminui a cada ano. Mas o mercado
pequeno e o preço alto ainda são obstáculos

 
Fotos divulgação
OGO
Com cara de agenda eletrônica, permite receber e enviar torpedos e e-mails (mas não funciona como celular). O alvo é o público jovem. Custa 130 dólares, mais uma assinatura mensal de 18 dólares. Lançado em setembro


NESTA REPORTAGEM
Quanto tempo as novidades do exterior levaram para chegar aqui

O telefone chegou ao Brasil dois anos depois de inventado. Mas isso não significa que no século retrasado o país estivesse na vanguarda da tecnologia. Nesse caso, o que aconteceu foi que o imperador dom Pedro II, visitando os Estados Unidos em 1876, conheceu a invenção de Graham Bell e, entusiasmado, no ano seguinte mandou instalar um aparelho em seu palácio, na Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro. Dois anos mais tarde, talvez por sentir falta de interlocutores, autorizou a criação da primeira companhia telefônica do Brasil. Em relação a outras tecnologias, o consumidor brasileiro não contou com as viagens de seus governantes para ser apresentado às novidades. No século passado, elas podiam levar décadas para chegar ao Brasil. A televisão, que já existia desde os anos 30 na Europa e nos Estados Unidos, apareceu por aqui em 1950. A defasagem encurtou aos poucos. O videogame, lançado em 1972 no mercado americano, fez sua estréia nacional cinco anos depois. O DVD levou apenas um ano para chegar ao país (veja comparações).

Para essa redução do tempo entre o aparecimento no exterior e o lançamento no Brasil contribuiu muito a queda de antigas barreiras comerciais – como a Lei de Informática, responsável pelo atraso nacional de alguns anos nesse setor durante a ditadura militar –, mas também a globalização. Hoje as necessidades de um consumidor brasileiro – pelo menos aquele em condições de pagar – são as mesmas de seu equivalente americano, europeu ou japonês.

Ainda assim, persiste certo atraso entre o lançamento de um produto lá fora e seu surgimento aqui. Também há uma defasagem de preços, em parte em razão dos custos de importação e também porque são pequenas as dimensões do mercado brasileiro – o que impede a rápida disseminação dos novos eletrônicos e o conseqüente ganho na escala de produção. Uma câmera fotográfica simples de 3 megapixels custava 3 600 reais no Brasil há dois anos. Na mesma época, no Japão, era vendida pelo equivalente a um terço desse valor. Hoje, 1 200 reais é um preço normal aqui – o mesmo que agora se cobra no mercado japonês por equipamentos bem mais poderosos.

Há situações em que o impedimento para o lançamento de novos produtos decorre da simples ausência de determinadas tecnologias. Nos Estados Unidos, a digitalização da TV permitiu o surgimento dos chamados PVRs – personal video recorders, ou gravadores de vídeo pessoais. "Esse negócio revolucionou a forma de ver televisão nos Estados Unidos", diz um entusiasta brasileiro, o ex-piloto de Fórmula Indy Gil de Ferran, que mora na Flórida. No mar de centenas de canais em que se transformou a TV americana, o PVR é uma forma de se orientar e garantir acesso aos programas prediletos. O aparelho monitora a programação à procura das preferências do espectador. Se ele gosta de automobilismo, como Ferran, o PVR pode gravar automaticamente todos os programas que tratem do assunto, em qualquer canal – e o espectador nem precisa trocar de fita, já que o aparelho armazena centenas de horas de programação em um disco rígido. Melhor ainda: se for programado, também corta todos os comerciais, além de gravar um trecho de programa ao vivo enquanto a pessoa atende ao telefone ou sai da sala para fazer um lanche, por exemplo.

Seis anos depois de lançado, o PVR já tem cerca de 3 milhões de usuários nos Estados Unidos. No Brasil, só neste ano começaram a surgir sistemas do gênero. A Sky Brasil, operadora de televisão por assinatura, dispõe desse serviço, com um aparelho que custa 1 250 reais. A TVA, empresa do Grupo Abril, que também publica VEJA, lançou recentemente seu serviço digital, o que permite prever uma expansão desse mercado. O lento desenvolvimento das redes sem fio também freia o lançamento de aparelhos como o BlackBerry. Sucesso nos Estados Unidos e na Europa, esse híbrido de celular e gerenciador de e-mails é virtualmente desconhecido no Brasil. O principal motivo é que depende fortemente da proximidade de uma conexão wireless. Onipresente em outros países, esse tipo de rede ainda está confinado aqui aos maiores aeroportos, hotéis e cafés. Outra tecnologia, a de transmissão entre celulares, também impede a vinda de aparelhos da próxima geração.

 
Estes são sucesso lá fora
Fotos divulgação
 
TiVo
É o mais vendido entre os personal video recorders (PVRs) nos Estados Unidos, com 2 milhões de usuários. Espécie de videocassete inteligente, grava na própria memória programas escolhidos de acordo com as preferências dos usuários. No Brasil, PVRs ainda são raridade, pois exigem transmissão digital. Lá fora, os mais baratos custam 100 dólares
 
ARCHOS GMINI400
Concorrente do iPod, também pode apresentar fotos, ler vídeos e rodar jogos. Usa um disco rígido de 20 gigabytes, pesa apenas 160 gramas e custa 400 dólares
 
OQO
Lançado em outubro nos Estados Unidos, é o primeiro computador de mão com os mesmos recursos de um modelo de mesa: processador de 1 gigahertz, hard drive de 20 gigabytes, memória RAM de 256 megabytes. Mede apenas 12 x 9 x 2 centímetros. Opera com Windows XP. Custa 1900 dólares
 
ARCHOS POCKET VIDEO RECORDER AV420
Lançado em junho passado nos Estados Unidos, é uma mistura de walkman e videocassete, grava oitenta horas de vídeo direto da TV, do videocassete, do receptor de satélite ou da TV a cabo. Também funciona como MP3-player. Custa 600 dólares
 
NOKIA KALEIDOSCOPE
O supra-sumo do gadget para tecnomaníacos. Versão eletrônica do velho visor de slides, permite armazenar até 24 fotos digitais, tiradas de uma câmera ou de um celular e transmitidas sem fio, para mostrar aos amigos. Preço: 300 dólares
 
BLACKBERRY 7100T
Popular entre homens de negócios nos Estados Unidos, este misto de telefone e gerenciador de e-mails tinha um defeito: o tamanho. O novo modelo se aproxima das medidas de um celular. 200 dólares nos Estados Unidos
 
PIKAONE DUPLICASE

Gravador de CDs portátil, elimina a necessidade de um computador para duplicar um disco. Custa o equivalente a 700 reais na Europa e nos Estados Unidos

 
QOSMIO

Lançado em julho passado, é um notebook da Toshiba, turbinado para vídeo e áudio. Sua tela de cristal líquido é brilhante como a de uma TV e os alto-falantes são melhores que os de um computador comum. Tudo para permitir ver TV no computador como em um televisor normal. 2600 dólares nos Estados Unidos

 
GAMEBOARD EGB-10

Os games para celulares estão cada vez melhores. É natural que tenha surgido um acessório como este da Sony Ericsson que, acoplado ao aparelho, permite jogar como em um console. 40 dólares