Como a convergência e a conectividade entre aparelhos transformam a vida das pessoas
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Tim Woods, da Internet Home Alliance
Jonathan Cluts, da Microsoft
 
 
   
 

Tecnologia em todos os quartos

Divulgação


O que poderia unir numa única entidade grandes empresas com interesses tão díspares quanto General Motors (automóveis), Hewlett-Packard, IBM e Microsoft (informática), Panasonic (eletrônicos), Procter & Gamble (higiene pessoal e alimentos), Whirlpool (eletrodomésticos) e Sears (loja de departamentos)? A convergência. Todas elas são integrantes da Internet Home Alliance, uma organização não lucrativa fundada em 2000, aberta a companhias de diferentes setores econômicos que tenham o mesmo objetivo: desenvolver projetos de pesquisa que desemboquem em aplicações práticas para o consumidor – oferecidas por essas mesmas empresas, claro. O americano Tim Woods, um dos vice-presidentes da Internet Home Alliance, falou a VEJA sobre alguns desses projetos.

Veja – De que forma uma "casa conectada" melhora a vida dos moradores?
Woods – Nossa pesquisa tenta descobrir como a tecnologia pode melhorar a qualidade de vida e a segurança das pessoas, identificando oportunidades a partir de necessidades básicas, como vestir-se, abrigar-se, cozinhar e lavar, para dar soluções tecnológicas apropriadas.

Veja – Como melhorar a segurança das pessoas com conectividade?
Woods – Segurança não significa simplesmente instalar um alarme doméstico. Por segurança entendemos paz de espírito. Poder conferir, pela webcam, se os filhos voltaram da escola e jantaram ou checar a qualquer hora se está tudo bem com parentes idosos que moram sozinhos são coisas que proporcionam um grau de paz interior que não existe atualmente. Buscamos um sistema de segurança geral fácil de usar. Queremos dar sentido útil à tecnologia.

Veja – Como se leva tecnologia a cômodos como a cozinha, o banheiro e a garagem?
Woods – As pessoas não pensam em termos de tecnologia. Pensam em soluções. Talvez o que o consumidor queira na garagem seja uma conexão sem fio para baixar músicas e vídeos da casa para o carro, e vice-versa. Ou comprar a música que acabou de ouvir no rádio do carro e, chegando em casa, ouvi-la no aparelho de som. Na cozinha, pode querer contato fácil com serviços de entrega ou ajuda para preparar refeições saudáveis. No banheiro, também se pode pensar em aparelhos sem fio que aumentem o bem-estar.

Veja – Acaba de ser concluída uma experiência em casas da região de Boston. Qual foi o resultado?
Woods – Esse foi um grande projeto de cozinhas inteligentes, com famílias ativas, em que pai e mãe trabalham fora e têm dois filhos pré-adolescentes. É difícil que todos jantem na mesma hora. Testamos formas de acelerar o preparo do jantar. Aprendemos muito: como conectar os diferentes utensílios de cozinha, como encomendar produtos pela internet, como controlar o forno de microondas a distância. O microondas também servia como refrigerador. Você pode pôr um alimento congelado nele, de manhã, e sair para o trabalho. O forno sabe a hora certa de descongelar e preparar a comida.

Veja – Como a conectividade pode transformar o trabalho?
Woods – O dia de trabalho está passando por transformações dramáticas. A conectividade sem fio deu origem ao chamado trabalho móvel. É possível conectar-se o tempo todo, graças aos hotspots, que se encontram em qualquer parte nos Estados Unidos. Com isso, a concepção do trabalho das 9 às 17 horas está literalmente desaparecendo. Trabalha-se a qualquer hora do dia, com mais flexibilidade. Agora é possível passar a hora do almoço na escola com os filhos. As pessoas podem encaixar melhor o trabalho na vida delas.

Veja – As tecnologias em que se baseiam seus projetos já estão disponíveis para o público?
Woods – Sim e não. Muito do que pesquisamos ainda esbarra nas restrições da infra-estrutura atual das residências. À medida que aumenta a presença de fibra óptica nas casas, aumenta a capacidade de transmissão, sobretudo de vídeo, que é uma espécie de último bastião, o desafio final de velocidade de download. Baixar um filme inteiro em apenas cinco minutos será a medida do sucesso. As empresas envolvidas em criar essa estrutura estão progredindo. Acho que o consumidor verá grandes benefícios nos próximos cinco anos.

Veja – O que o senhor tem em casa?
Woods – Não pude instalar na minha casa uma fiação para meus equipamentos digitais, por isso temos uma rede sem fio. Meu filho, minha filha, minha mulher e eu temos, cada um, seu computador. Com a rede wireless, compartilhamos duas impressoras. Temos um sistema de som que pode baixar músicas dos computadores. Na cozinha, baixamos receitas em um notebook.

Veja – E no trabalho?
Woods – Na verdade, eu trabalho em casa.