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O diretor Bruno Barreto apresenta
o limite das filmadoras digitais

 
Montagem sobre fotos de Claudio Rossi

BRUNO BARRETO tinha apenas 21 anos quando dirigiu Dona Flor e Seus Dois Maridos, o maior sucesso de bilheteria do cinema nacional. A Estrela Sobe, Amor Bandido, O que É Isso, Companheiro?, Bossa Nova são alguns dos sucessos do diretor. Neste ano, foi lançado Voando Alto, com Gwyneth Paltrow e Mike Myers. Barreto mora em Nova York. Trabalha em O Casamento de Romeu e Julieta, filme que será rodado em São Paulo.

Bruno Barreto é um dos mais precoces talentos do cinema nacional. Aos 10 anos, já fazia curtas. Hoje é o único cineasta brasileiro com uma carreira sólida nos Estados Unidos. Barreto não usa filmadoras nem recursos digitais em seus filmes. "Jamais faria como o George Lucas", assegura. O cineasta utiliza filmadoras digitais como equipamento auxiliar. "Nos ensaios elas são úteis para lembrar a marcação das cenas", diz ele. A pedido de VEJA, Barreto avaliou quatro filmadoras digitais entre as mais vendidas nas lojas brasileiras. A seguir, as opiniões do diretor sobre os equipamentos em geral e sua avaliação de cada uma das filmadoras.


Democratização
do cinema

"Não sou apenas diretor, sou operador de câmera desde criança. Acho que as filmadoras digitais estão democratizando o cinema. Ficou mais fácil e acessível fazer filmes. É possível registrar e editar as cenas em casa. Isso já foi muito mais complicado."

Com cerca de 5 000 reais, pode-se produzir e editar vídeos digitais. A evolução do formato MiniDV, um modelo-padrão para a captura de imagens digitais, permitiu a convergência entre computadores, vídeos e fotos.

 

A luz como aliada

"Outra vantagem da digital é filmar praticamente com qualquer luz. Mas uma lei da óptica não muda: quanto melhor a lente, maior será a qualidade da imagem registrada."

A baixa luminosidade pode reduzir a intensidade da cor ou deixar a imagem com aparência de preto-e-branco. Equipamentos da Sony e da JVC, por exemplo, têm um sistema que permite filmagens com intensidade de luz de 0,4 e 1 Lux. São capazes de registrar cenas iluminadas apenas com a luz de uma vela ou a claridade da lua.

 

A busca da nitidez

"Com uma lente boa, dá para gravar até contra a luz. Mesmo nesse caso, a silhueta ficaria nítida e definida."

As quatro filmadoras avaliadas pelo cineasta têm resolução entre 500 e 530 linhas, o que produz o dobro de nitidez em comparação com uma gravação em VHS.

 

Grave sempre em mono

"Algumas filmadoras digitais têm um microfone com zoom que pode produzir efeitos interessantes. Com esse tipo de recurso, direciona-se o som. Mas, para falar a verdade, prefiro o som mono ao estéreo. Isso porque as máquinas digitais não têm microfones comparáveis aos profissionais e, em tese, o estéreo acaba ampliando a má qualidade do som."

Os aparelhos digitais captam todos os ruídos do ambiente, inclusive o barulho da pessoa que filma. A entrada externa para microfones torna-se um atributo importante para melhorar a qualidade do som, direcionando o áudio.

 

Devagar com o zoom

"O zoom potente é um recurso necessário e importante para filmar cenas específicas, como uma asa-delta em pleno vôo ou uma pessoa surfando. Essas imagens exigem que se concentre todo o quadro nelas. Mas, quanto mais fechada a imagem, quanto maior o zoom, mais difícil será obter uma imagem agradável aos olhos."

Entre as vendidas no Brasil, há filmadoras que possuem zoom digital de até 700 vezes e óptico de vinte vezes.


No Brasil, a maior parte das filmadoras digitais é importada. Marcas da Sony e da JVC são as exceções, com aparelhos montados em Manaus. Mesmo com componentes vindos de fora, a produção em território nacional reduz em 30% o custo das máquinas. A diferença está basicamente nos incentivos concedidos à Zona Franca de Manaus. O número de filmadoras montadas no país deve aumentar no próximo ano. A Sony planeja a fabricação de três modelos. A JVC lançou em maio a linha 2003-2004, com seis câmeras digitais MiniDV, duas delas, a D30UB e a D90UB, montadas na capital do Amazonas.

O preço das filmadoras vem sofrendo queda nos últimos oito anos com o barateamento dos componentes. Quando a JVC introduziu a primeira máquina digital no Brasil, em 1996, o produto custava 8 000 reais. Se estivesse nas prateleiras hoje, o mesmo aparelho sairia por 2 200 reais. O tamanho também encolheu: a primeira handycam lançada no mundo, em 1985, pesava 2 quilos. Atualmente, há equipamentos no Brasil com 400 gramas. Outras marcas, como a Gotec, também estão presentes no Brasil. Com tamanho e preço compactos, a filmadora Digital DV 2100 integra câmera de vídeo e fotográfica. Com pouco mais de 100 gramas, o aparelho tem preço sugerido de 900 reais.



Conheça as filmadoras
Fotos divulgação
 
PANASONIC PV-GS50S
  "O microfone com zoom é interessante, pois é possível direcioná-lo. É bom para gravar uma peça de teatro, por exemplo."
Preço médio: 4 800 reais.
  Com peso de 430 gramas, é uma das mais compactas vendidas no Brasil. Tem zoom para microfone, recurso que direciona o som e amplia a qualidade do áudio. Possui sistema de filmagem em ambientes de baixa luz. CCD de 680 000 pixels, 520 linhas de resolução, PhotoShot digital web camera, zoom óptico de 10 vezes e digital de 700 vezes. Conta com o modo cinema, com enquadramento com tarjas pretas, e microfone estéreo com controle remoto.
 
SONY DCR-TRV22
  "A lente é excelente, usada entre profissionais do cinema. Tem definição e contraste bons."
Preço médio: 3 900 reais.
  Câmera compacta com painel de cristal líquido touch screen. Lente Carl Zeiss. Transmite cenas em tempo real pela internet (recurso para videoconferência). Função de câmera fotográfica digital (item com baixa resolução). Resolução de 500 linhas, CCD de 680 000 pixels, zoom digital de 120 vezes e óptico de 10 vezes. Peso de 530 gramas. NightShot 0 Lux colorido, que permite gravar em ambientes totalmente escuros com raios infravermelhos.
 
JVC GR-D30UB
  "Tem um zoom bastante potente. Ao contrário do monitor, o visor, na parte de trás da câmera, é preto-e-branco, e isso é bom porque dá maior definição."
Preço médio: 2 800 reais.
  Transmite cenas em tempo real pela internet (recurso para videoconferência). Controles manuais para maior qualidade da filmagem: exposição, foco, equilíbrio do branco e bloqueio de íris. Áudio PCM estéreo, 520 linhas de resolução, CCD de 680 000 pixels e peso de 525 gramas. Sistema NightAlive para filmagem colorida em ambientes com pouquíssima iluminação. Zoom digital de 700 vezes e óptico de dezesseis vezes. Função Snapshot para capturar fotos na fita MiniDV.
 
SHARP VL-Z7U
  "O punho giratório dá mais flexibilidade à filmagem. Tem utilidade, por exemplo, para quem não quer ser visto com a câmera no rosto."
Preço médio: 9 100 reais.
  O ângulo de filmagem muda ao se girar a lente, recurso chamado de pivot rotativo. Tem entrada para microfone com zoom, flash embutido e redutor de olhos vermelhos. O zoom digital aproxima 500 vezes e o óptico dez vezes. Resolução de 530 linhas, CCD de 1.33 megapixel e peso de 509 gramas.



MiniDV
Formato-padrão para captura de vídeos digitais, garante qualidade de imagem com no mínimo 500 linhas de resolução e possibilita a convergência entre computadores, vídeos, webcam e fotografia digital.

ZOOM ÓPTICO
Feito pela lente, o zoom óptico possibilita obter imagens de qualidade completa, fazendo ampliações de até vinte vezes.

ZOOM DIGITAL
É feito não pela aproximação da lente, mas pela ampliação dos pontos que compõem a imagem (pixels). Em algumas
filmadoras, permite aumentar em até 700 vezes um objeto gravado. Ou seja, um papagaio visto a 700 metros de distância pode ser filmado como se estivesse a apenas 1 metro da câmera.

CCD (CHARGE COUPLED DEVICE)
Chip semicondutor sensível à luz que capta e codifica as imagens para posterior gravação em fita de vídeo. Quanto maior for o número de pixels de um CCD, melhor será a resolução.