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Uma
câmara digital na mão...
...e
uma idéia na cabeça. Fazer cinema
ficou mais fácil, rápido e barato
O
mercado
audiovisual está revivendo a atmosfera dos anos 70,
quando a tecnologia super-oito desencadeou uma onda de experimentalismo
definida pelo cineasta Glauber Rocha na célebre frase
"Uma câmara na mão e uma idéia na cabeça".
A nova onda acontece graças à tecnologia digital.
Por cerca de 4 000 reais, compra-se uma câmara digital
com áudio de qualidade. A fita HDTV (sigla, em inglês,
para televisão de alta definição) custa
300 reais. O pacote do cineasta digital doméstico inclui
ainda um computador Macintosh de 6 000 reais, um programa
de edição de imagens de 2 000 reais e complementos,
como cabos e lentes, que podem custar mais cerca de 2 000
reais. Para quem está achando cara a empreitada cinematográfica,
vale considerar o seguinte: alugar uma filmadora de 35 milímetros,
mais profissional, custa 2 500 reais por dia. E doze latas
de negativos de 35 milímetros, que filmam o mesmo tempo
de uma fita HDTV, saem por 9 000 reais. Só aí
já se gastou quase o mesmo que em todo o aparato digital
caseiro.
Os atributos de qualidade e custo da tecnologia digital já
foram percebidos pelos grandes estúdios e diretores.
George Lucas, o mago dos efeitos especiais, está produzindo
o segundo episódio da série Guerra nas Estrelas
com um modelo de câmara criado especialmente para ele
pela Sony. Mas não é preciso ter orçamento
de superprodução para embarcar na novidade.
Fazer cinema em casa ficou tão descomplicado que é
possível gravar cenas externas com a luz natural da
manhã, descarregar as imagens no computador de casa
ao meio-dia, editar durante a tarde e, à noite, exibir
a obra na tela do computador, no telão, num aparelho
de TV ou mesmo pela internet desde que se possa contar
com banda larga. Foi isso que fez Alexandre Miranda, funcionário
de uma produtora publicitária que tem planos de virar
cineasta. Numa segunda-feira de maio, acompanhado de uma equipe
de VEJA, ele saiu às ruas de São Paulo com uma
câmara digital e várias boas idéias para
seu primeiro longa-metragem digital. No fim do dia, já
assistia ao resultado de seu trabalho usando uma TV comum.
Fotos Kiko Ferrite
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Cena
1 |
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Alexandre
prepara o equipamento para uma filmagem externa.
A câmara digital Sony, comprada numa viagem
de férias aos Estados Unidos, é o
carro-chefe. O mercado brasileiro também
oferece boas filmadoras, que custam de 4
000 a 24 000 reais |
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Cena
2 |
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Escolhidos os locais,
é hora das filmagens. Mais leve, a
câmara digital facilita a aproximação
de objetos. Para o resultado ficar melhor, vale
a pena investir mais alguns reais numa lente grande-angular
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Cena
3 |
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Um
bom programa de edição permite cortar,
fundir e sobrepor imagens, além de aplicar
legenda e trilha sonora e criar efeitos especiais.
O Final Cut Pro é o mais usado pelos cineastas
digitais caseiros |
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Cena
4 |
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A
obra finalizada pode ser conferida na tela do computador
ou numa TV, que nem precisa ter tantos recursos
assim. Como o processo é digital, a qualidade
da imagem será preservada mesmo que o filme
seja exibido várias vezes |
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Quanto
custa?
FILMADORA
A
Canon XL1 custa 14 000 reais*.
A Sony DSR-PD150 sai por 12 500, e a Sony DSR-500WSL/1,
por 60 000 reais
COMPUTADOR
Power
G4 (6 000 a 12 000 reais, dependendo da configuração)
ou Power Mac G3 (um bom usado custa 3 000 reais)
PROGRAMA
DE EDIÇÃO
Final
Cut Pro, da Apple, 2 000 reais
TELEVISÃO
As
gigantes com tela de plasma e
formato de cinema beiram os
30 000 reais. Mas uma de tela plana já
resolve
FITA
A
Sony HDTV custa 300 reais. As mais em conta são
as Mini DV, por 45 reais
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Preços pesquisados em lojas especializadas
Fotos: Kiko Ferrite
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