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O conto-do-vigário

Acredite: o crime em que as armas
são apenas uma boa conversa e muita
malandragem ainda existe

Ilustração: Cláudio Attílio

Eles agem sem nenhuma ameaça nem atitude violenta. Convencem as pessoas a entregar o dinheiro, o cheque ou a senha do cartão magnético com lábia e criatividade. Contam histórias tão mirabolantes que, depois que vão embora, as vítimas chegam a sentir vergonha de prestar queixa à polícia. São os famosos 171, apelido que herdaram do artigo do Código Penal que define o crime de estelionato. Confira a seguir algumas versões do velho e famoso conto-do-vigário. Muitas variações já se tornaram folclóricas e outras, adaptadas aos novos tempos, mostram que o repertório dos vigaristas se renova a cada dia.

Conto da pechincha – O malandro oferece à vítima, na rua, um equipamento eletrônico pela metade do preço. Pega o dinheiro e foge. Deixa a pessoa esperando ou entrega uma caixa com tijolos.

Falso mecânico – O primeiro passo dos vigaristas é criar um problema no carro da vítima. Alguns colocam um saco de estopa no escapamento do veículo. Um deles se aproxima e avisa que há um problema. Surge um mecânico, na realidade o parceiro do estelionatário, que finge resolver o problema e cobra um alto preço pelo "serviço".

Boa-noite, Cinderela – Costuma acontecer em bares e discotecas. O malandro seduz a vítima e vai até sua casa ou a um motel. Oferece um drinque com sonífero. Quando ela dorme, rouba o que estiver ao alcance.

Golpe do telefone – O golpista liga para a vítima dizendo ser funcionário do banco. Como ele já possui algumas informações sobre a pessoa, tais como número da agência e data de aniversário, fica fácil convencê-la a digitar no telefone a senha do cartão magnético. Em seguida, usa essas informações para sacar seu dinheiro da conta.

Golpe da sujeira – O estelionatário suja o ombro do paletó de um executivo sem que ele perceba. Um comparsa aborda a vítima, oferecendo-se para tirar a mancha. Na primeira oportunidade, rouba a carteira ou a pasta.

Falso vendedor de passagens – Vestido como os funcionários das empresas rodoviárias, o golpista oferece passagens falsas com desconto, principalmente em feriados, quando elas se esgotam rapidamente.

Consórcio sorteado – Os estelionatários anunciam nos jornais a venda de consórcios sorteados. Pedem documentos pessoais e cobram taxa antecipada. O veículo jamais é entregue.

Falso bilhete premiado – Um dos mais antigos. O vigarista se faz passar por desinformado, que não sabe como trocar o prêmio de loteria. Vende o bilhete geralmente a mulheres idosas.

Conto da aliança – A vítima encontra uma aliança no chão. O vigarista se aproxima e conta que achou a outra do par, oferecendo-a por um preço vantajoso. Na realidade são bijuterias baratas.

 
       
     
   
     
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