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Eles não escapariam

VEJA convidou quatro pessoas para um
teste de tiro, com o objetivo de avaliar
como
se sairiam usando uma arma em
caso
de assalto. Apenas um dos convidados,
um policial de elite, teria sobrevivido

Empunhar uma arma é mais perigoso e difícil do que se imagina. Para comprovar isso, VEJA convidou quatro pessoas para um teste. O objetivo era avaliar como elas reagiriam caso estivessem armadas e deparassem com um assaltante. Dois dos convidados, a estudante Isadora Grespan, de 26 anos, e o músico Luiz Eduardo Mendes, de 33, nunca tinham usado uma arma antes. Os outros dois convidados eram mais experientes. O empresário Antonio Oberg, de 38 anos, atira há 23. O tenente da PM Júnior Fabiano Suero, de 35, é o atual campeão brasileiro de tiro desportivo de defesa.

Foram quatro horas e 52 tiros no Centro de Formação de Soldados da Polícia Militar de São Paulo, em duas provas aplicadas normalmente a candidatos à carreira militar. A primeira avaliou o grau de precisão dos participantes em disparos a 8 metros de um alvo fixo. "Mais de 80% dos confrontos se dão entre 1,5 metro e 8 metros de distância", diz o tenente Caio Desbrousses, instrutor de tiros da PM. O mais importante no teste de precisão era agrupar os disparos no alvo. O único que atingiu o objetivo foi Júnior Fabiano Suero, o campeão de tiros.

O segundo teste avaliou a reação e o poder de decisão das pessoas em uma situação inesperada de risco. O ambiente era uma casa na qual dois alvos apareciam de repente, num ponto imprevisto. O primeiro tinha a forma de um fotógrafo com uma câmara na mão. O segundo, de um bandido com uma arma de fogo. Os participantes deveriam identificar em quem atirar. Ou seja, não poderiam matar o fotógrafo nem deixar que o bandido atirasse primeiro. Também nessa prova o único que se saiu bem foi o tenente Suero. Os demais ficaram de corpo inteiro diante do assaltante e demoraram mais que o tempo considerado seguro para atirar no máximo dois segundos depois da aparição do alvo. Numa situação de assalto, provavelmente seriam mortos pelo bandido.

 
ISADORA GRESPAN
26 anos

Estudante

Nunca atirou antes
12% DE ACERTO

Teste de precisão
Durante a prova, mostrou-se nervosa e tinha as mãos trêmulas. Dos 100 pontos possíveis, marcou apenas 12, a uma distância de 8 metros

Teste defensivo
Na simulação de um assalto em casa, mostrou-se insegura e demorou seis segundos para identificar o alvo. Acertou dois tiros e ficou paralisada após disparar. Fez 4 pontos de 20 possíveis

O que teria acontecido
Num assalto real, Isadora teria sido baleada pelo bandido, que estava a apenas 2 metros e teria tempo suficiente para alvejá-la

 

LUIZ EDUARDO MENDES
33 anos

Músico

Nunca atirou antes
34% DE ACERTO

Teste de precisão
Acertou apenas 34 pontos dos 100 possíveis. Seus disparos foram impulsivos, demonstrando ansiedade, apesar de estar em um simples treinamento

Teste defensivo
Demorou três segundos para reconhecer o alvo. Descarregou a arma de forma desordenada e irrefletida. Em seguida, ficou estático. Não se protegeu. Dos 20 pontos, fez apenas 4

O que teria acontecido
Seria baleado pelo assaltante. E ainda enfrentaria a Justiça, pois mais de dois tiros demonstram intenção de matar. Provavelmente teria morrido

 
ANTONIO OBERG
38 anos

Empresário

Atira há 23 anos
44% DE ACERTO

Teste de precisão
Colocou-se em posição de tiro esportivo, disparando a intervalos de um segundo, como manda o figurino. Marcou 44 pontos dos 100 possíveis

Teste defensivo
Demorou pelo menos quatro segundos para reagir. Apesar de experiente, não se protegeu antes de atirar. Acertou dois tiros. Fez 5 dos 20 pontos possíveis

O que teria acontecido
Antonio teria sido atingido pelo bandido, por causa da demora e da falta de cautela. O mais provável é que tivesse morrido

 

JUNIOR FABIANO SUERO
35 anos
Primeiro-tenente da PM

Atual campeão brasileiro de
tiro desportivo de defesa
85% DE ACERTO

Teste de precisão
Mesmo sendo um atirador de elite, fez apenas 85 dos 100 pontos possíveis. Teve tranqüilidade e posicionamento correto

Teste defensivo
Foi o único que adotou procedimentos corretos de autoproteção e observação dos possíveis agressores. Fez 20 pontos, com dois tiros em menos de dois segundos

O que teria acontecido
O mais provável é que tivesse escapado. Se fosse um policial reagindo a assalto, poderia ter salvado a vítima

Fotos: Claudio Rossi

 

 
       
     
   
     
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