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Um período intenso
Fatos e personalidades que marcaram
a História nos últimos 100 anos
Ele mudou a História
Poucas
pessoas fizeram tanto estrago quanto o radical nacionalista sérvio Gavrilo
Princip. Em 28 de junho de 1914, Princip assassinou o arquiduque Francisco
Ferdinando, herdeiro do trono do Império Austro-Húngaro, em Sarajevo,
na Bósnia. O assassinato do arquiduque serviu de pretexto para o Império
Austro-Húngaro atacar a Sérvia, ato que detonou a I Guerra Mundial e,
indiretamente, o surgimento do nazismo e a II Guerra. A causa que levou
Princip a cometer o crime é a mesma que motivou as guerras da Bósnia e
de Kosovo. Na Iugoslávia, país que o militante sonhou criar, Princip é
tido como herói nacional.
Terra prometida
A criação do Estado de Israel, em 1948,
era a promessa de paz e segurança para o povo judeu depois do Holocausto.
Mas acabou se transformando na mais intrincada disputa territorial da
atualidade. Há mais de cinqüenta anos árabes, palestinos e judeus brigam
por 20 700 quilômetros quadrados de terra. O conflito gerou horrores como
a Guerra dos Seis Dias, em 1967, na qual morreram 27 000 pessoas, e a
Guerra do Líbano, que causou mais de 140 000 vítimas entre 1975 e 1990.
Sem falar nos atentados terroristas, quase diários, que continuam conturbando
a região. A esperança para o fim das hostilidades está no histórico acordo
de paz costurado pelo presidente americano Bill Clinton e assinado pelo
líder palestino Iasser Arafat e pelo primeiro-ministro israelense Itzhak
Rabin (mais tarde assassinado por um judeu radical) em setembro de 1993.

Pintor abusado
O italiano Vincenzo Perugia talvez
seja o único pintor de paredes a entrar para a história da arte. Seu feito
deu-se em 1911, quando roubou nada mais nada menos que o quadro mais famoso
do mundo, a Mona Lisa, do Museu do Louvre, de Paris. O ladrão foi
pego quando tentava revender a obra-prima de Leonardo da Vinci e condenado
em 1914. O mentor do crime foi um artista chamado Eduardo de Valfierno.
Nos anos em que a obra esteve desaparecida, Valfierno vendeu seis quadros
forjados por 300 000 dólares cada um. O Louvre garante que recuperou o
original de Da Vinci.

Força negra
Até o começo da década de 60, a discriminação
racial nos Estados Unidos era amparada pela legislação. Os negros eram
proibidos de morar em determinados bairros e de estudar em escolas reservadas
para os brancos. Nos ônibus e trens, os assentos no fundo destinavam-se
aos passageiros negros, mesmo que existissem lugares vazios nos bancos
da frente. Com a pressão exercida pelo movimento negro, as leis começaram
a mudar e hoje os americanos criaram um regime de cotas, uma espécie de
"reserva de mercado" em universidades, sindicatos e empresas
para as minorias oprimidas. Muitos líderes do movimento não viveram para
comemorar a vitória. O carismático e radical Malcolm X, que pregava a
superioridade da raça negra e a violência para obter resultados, foi as-sassinado
em 1965. Outra vítima foi o pastor Martin Luther King, que organizou a
Marcha de Washington, que reuniu 250 000 pessoas em favor dos direitos
dos negros. Foi morto a tiros em 1968, mas entrou para a História falando
de um sonho de igualdade.
O revolucionário pop
O argentino Ernesto Guevara de la Serna,
carinhosamente chamado de "Che" por seus colegas, foi um dos
líderes da guerrilha que colocou Fidel Castro no poder de Cuba, em 1959.
Depois de participar da guerra civil no Congo (Kinshasa), foi morto quando
tentava organizar a guerrilha na Bolívia, em 1967. Apesar de empregar
métodos violentos, o discurso libertário de Che transformou-o num ídolo
moderno. Sua imagem está em pôsteres, broches, chaveirinhos e camisetas
vendidos aos jovens no mundo inteiro.
A virada de Alá
O islamismo começou tímido no século,
mas ganhou na reta final. A hegemonia da Igreja Católica Romana sucumbiu
à força de Alá. Os muçulmanos são cerca de 1,1 bilhão em todo o mundo,
100 milhões de pessoas a mais que o rebanho do papa João Paulo II. A força
da religião muçulmana ultrapassou o catolicismo em 1986 e cresce de maneira
surpreendente, arrebatando 16% a mais de crentes todo ano.
Quatro faces do mal
Por seus crimes, eles entraram para a história
da bandidagem
Al Capone
Gângster que dominou o crime organizado nos EUA entre 1925 e 1931,
acabou preso por sonegação fiscal e
morreu doente
Andrei
Chikatilo
De 1982 a 1990, o
serial killer ucraniano violentou e matou 52 adultos e
crianças. Praticou canibalismo em algumas vítimas
Ronald
Biggs
Seu bando assaltou um trem pagador britânico,
em 1963, levando 40 milhões de dólares em valores
de hoje
Pablo
Escobar
Chefe do Cartel de
Medellín, comandou o narcotráfico
na Colômbia até ser fuzilado
durante uma fuga, em 1993
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O massacre russo
Desde a Queda da Bastilha, em 1789,
na França, o mundo não via algo semelhante ao que se deu na Rússia no
começo do século 20. Um dos primeiros atos dos bolcheviques que assumiram
o poder do país em 1917 foi matar o czar Nicolau II, a czarina Alexandra
e seus cinco filhos. Acordados de madrugada pelas tropas revolucionárias,
eles foram fuzilados no porão de sua casa. Nicolau II morreu na hora.
Suas quatro filhas adolescentes resistiram aos tiros e tiveram de ser
liquidadas a golpes de baioneta. Com o rosto queimado e desfigurado por
coronhadas, os corpos foram atirados numa vala comum. Para completar o
serviço, os assassinos jogaram ácido sulfúrico sobre o que restou dos
cadáveres antes de enterrá-los.
A espiã de araque
A
holandesa Margareth Gertrude Zelle, ou Mata Hari, seu nome artístico,
termina o século com o prestígio abalado. Ela ficou conhecida como a mais
famosa espiã de todos os tempos após ser fuzilada, em 1917, sob a acusação
de revelar segredos militares da França ao Exército alemão. Quando foram
abertos os arquivos secretos da época, descobriu-se que não existiam provas
para a condenação. Segundo os pesquisadores, ela não passaria de uma dançarina
de cabaré que teve vários amantes de farda mas nenhuma participação importante
no circuito de contra-informação da guerra.
Hong Kong, China
Em 1º de julho de 1997 caiu o último
braço importante do império britânico. Hong Kong voltou para a China após
156 anos de dominação inglesa. A incorporação da "pérola do capitalismo"
à única potência comunista do mundo constava do Tratado de Nanquim, assinado
pelos chineses após a derrota militar na chamada I Guerra do Ópio. A China
recebeu de volta uma potência econômica com PIB de 160 bilhões de dólares.
Meu reino por um grande amor
Mesmo plebéia, pouco atraente e com
dois divórcios no currículo, a americana Wallis Simpson ganhou a maior
prova de amor do século. Para tê-la como esposa, o rei Edward VIII abdicou
do trono da Grã-Bretanha em dezembro de 1936, tornando-se um mero duque
de Windsor. Era a única saída, já que como chefe da Igreja Anglicana ele
não teria permissão para casar-se com uma divorciada. O trono passou para
seu irmão mais novo, George, o pai da atual rainha Elizabeth II.
O rastro dos cavalos
Para quem odeia carro e fumaça e gosta
de se imaginar vivendo numa cidade onde trafegam apenas carroças e charretes,
há um dado histórico assustador. Até serem substituídos pelos carros,
os cavalos de Nova York despejavam diariamente nas ruas 230 000 litros
de urina e 1 250 toneladas de estrume. Além disso, as autoridades municipais
retiravam 15 000 cavalos mortos das ruas por ano. Era a principal causa
de poluição e irritação nas metrópoles.

Editado por
Alexandre Mansur e Miriam Scavone.
Colaborou Sérgio Ruiz Luz
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