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As vitoriosas
Conquistar direitos como o do voto foi
uma guerra.
E elas venceram batalha a batalha
Míriam Scavone
luta
das mulheres por seus direitos teve, no decorrer do século, ares de campanha
militar. O avanço foi gradativo, com objetivos previamente demarcados,
que caíram, um a um, como numa guerra vitoriosa. Embora haja muito ainda
pelo que lutar, é razoável afirmar com boa dose de segurança que nenhuma
das reivindicações feministas para o século 21 se compara em importância
às conquistas obtidas neste século. A primeira foi o direito ao trabalho
fora dos limites do lar. Tudo começou quando os homens partiram para a
I Guerra Mundial, em 1914, e mulheres assumiram seus postos nas indústrias
e no comércio. Elas experimentaram o gosto da independência financeira,
gostaram, e o mercado de trabalho nunca mais foi o mesmo. A busca da cidadania
veio na seqüência. Nas três primeiras décadas do século, a maior parte
dos países ocidentais seguiu o exemplo pioneiro da Nova Zelândia, que
em 1893 inaugurara o voto feminino. Os EUA, em 1920. O Brasil, em 1932.
Nos esportes, as mulheres ingressaram na segunda edição das Olimpíadas,
a de 1900, apesar de só a partir de 1924 terem sua participação assumida
oficialmente. Por causa disso, o barão Pierre de Coubertin, o homem que
reativou a tradicional competição dos gregos e criou o bordão "o
importante é competir", demitiu-se do cargo de presidente do Comitê
Olímpico Internacional.
Outra característica da logística feminina durante
este século é que sempre houve uma "linha de frente" nesse exército
peculiar. O movimento feminista nunca foi um fenômeno de massas. As reivindicações
partiram de grupos isolados, que chamaram a atenção das demais mulheres.
Não sem percalços. Quando a inglesa Emmeline Pankhurst e outras sufragistas
saíram pelas ruas nas décadas de 10 e 20, atirando pedras nas janelas
e bradando palavras de ordem, não faltaram mulheres que as tachassem de
histéricas. Nos EUA, Margaret Sanger suportou críticas pesadas de ambos
os sexos, na segunda década do século, ao defender o direito à contracepção.
Evitar filhos era proibido por lei. Nos anos 60, feministas de plantão
como Betty Friedan suportaram as risadinhas de quem não concordava com
seus discursos pela liberação do aborto, pela emancipação da mulher casada
e pelo divórcio. Tudo o que parece hoje muito natural foi tabu no passado,
derrubado por pioneiras que gravaram seus nomes na história dos direitos
civis.
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