|
|
|
O planeta resiste aos ataques
Apesar do desmatamento e da poluição,
o mundo não está tão mal como se previa
Alexandre Mansur
omparado
ao que era a Terra no começo do século 20, o planeta é
hoje uma imundície. O homem devastou florestas, poluiu o ar das
grandes cidades, contaminou rios com produtos químicos, exterminou
espécies animais e abriu um buraco na camada de ozônio. Foram
100 anos de destruição. Sem se dar conta, a humanidade caminhava
em direção ao caos. Na década de 70, quando o movimento
ambiental ganhou força, o ritmo de devastação era
tão grande que as projeções para a virada do milênio
eram as piores possíveis. Dizia-se que, no ano 2000, as pessoas
precisariam usar máscaras de oxigênio nas grandes cidades
como Tóquio, São Paulo e Los Angeles. Não haveria
rio limpo no planeta. E as terras estariam cobertas pelo lixo. Diante
de tais previsões, que não se confirmaram, pode-se dizer
que o balanço ambiental do final do século é positivo.
O
desenvolvimento da humanidade deixou um rastro de destruição
ambiental. A população do mundo quadruplicou nos últimos
100 anos, a produção industrial e a agricultura expandiram-se
e os carros e fábricas lançam no ar toneladas de poluentes.
Nada disso acontece de graça. O tempo mostrou, contudo, que é
possível crescer e enriquecer com responsabilidade ambiental.
Como a proteção ao meio ambiente custa caro, as empresas
só passaram a realizar despesas nessa área quando foram
obrigadas por força de lei. Não bastava possuir a tecnologia.
Era preciso um governo sério que cumprisse sua missão de
fiscalizar sem se corromper e uma sociedade em que as pessoas pudessem
exigir providências da autoridade. Ou seja, a proteção
ambiental depende diretamente da democracia.
Os estudos confirmam isso. Procure-se um país
onde não há democracia, ou seja, onde a sociedade não
tem o direito de se expressar, e lá se irá encontrar a devastação.
Africanos ainda queimam lenha das florestas para cozinhar. A Índia
está esgotando os limites de seus depósitos de água.
O maior rio da China não chega mais ao mar. Já nos países
desenvolvidos, os indicadores ambientais são animadores. Nas grandes
cidades americanas o número de carros cresce, mas a adoção
de filtros anti-poluentes está tornando o ar cada vez mais limpo.
Países europeus, como a Alemanha, investem pesado na reciclagem
de lixo. E diversos rios da Europa dados como mortos no passado, o Tâmisa
de Londres, por exemplo, foram recuperados.
O Brasil faz parte de um grupo de países
intermediários. As queimadas e as madeireiras continuam a destruir
a Floresta Amazônica sem que as autoridades consigam impedir, mas
a sociedade começa a se incomodar com a sujeira. Um símbolo
dessa transformação é o mico-leão-dourado,
que vivia na Mata Atlântica e foi praticamente dizimado. Em 1974,
restavam apenas 100 animais. Hoje, a população de micos
triplicou. O século termina com grandes desafios. Em função
do efeito estufa, os últimos 25 anos foram os mais quentes da história.
O uso indiscriminado de agrotóxicos contamina rios e lagos. Já
há 1.000 espécies de praga imunes a pesticidas. Alguns problemas
graves persistem, principalmente nos países mais atrasados. Há
muito o que fazer ainda, mas tudo indica que o pior momento passou. O
mundo entra no próximo século com a perspectiva de continuar
se desenvolvendo, em um planeta mais saudável.
|
|