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Tire suas dúvidas
Doze médicos e nutricionistas esclarecem as questões mais freqüentes
sobre dieta e nutrição EXISTE ALGUMA
ESTRATÉGIA RÁPIDA E FÁCIL PARA PERDER PESO? Sim. "Pare
de beber calorias", diz Liliana Bricarello, nutricionista da Universidade Federal
de São Paulo. Muita gente consome sucos de frutas, bebidas alcoólicas,
café e refrigerantes sem perceber que se tratam de verdadeiras bombas calóricas.
Uma lata de refrigerante tem 150 calorias. Um suco de laranja chega a 135. Um
copo de 240 mililitros de cerveja tem 100 calorias praticamente o mesmo
valor calórico de um bife. Em outras palavras, não adianta comer
menos e continuar a se encher de calorias líquidas. Se o objetivo é
perder peso, a melhor opção são as bebidas com pouca ou nenhuma
caloria, como refrigerante diet, chá, água e leite desnatado.
NÃO CONSIGO PARAR DE COMER DOCES DEPOIS DE DAR A PRIMEIRA MORDIDA. O
QUE DEVO FAZER? Força de vontade também é uma questão
de saber administrar o momento. A melhor hora para saborear um doce é depois
de uma refeição farta, quando, literalmente, sobra pouco espaço
para a sobremesa. "Comer doce não é proibido", diz o médico
Antonio Chacra, professor de endocrinologia da Universidade Federal de São
Paulo. "O que não se deve fazer é usar doces, como chocolates, para
aliviar a fome." Vale o bom senso: uma pessoa magra pode apreciar um doce por
dia, desde que seja uma porção de tamanho razoável. Já
os obesos, bem, esses devem evitar os doces ou comê-los com grande moderação,
não mais que uma ou duas vezes por semana.
Divulgação
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ADORO FAST FOOD, MAS QUERO COMER DE FORMA MAIS SAUDÁVEL. COMO FAZER? Não
dá para se privar totalmente de algo de que se gosta, mas é possível
estabelecer a freqüência", diz Mariana Del Bosco, nutricionista da
clínica Zuleika Halpern, em São Paulo. Quem consegue manter a alimentação
balanceada, com frutas, legumes e verduras, pode matar a vontade de fast food
em uma ou duas refeições por semana, sem risco de engordar. Mesmo
nas lanchonetes sempre se pode pedir um refrigerante diet, um sanduíche
menos carregado de molhos e trocar a batata frita por salada.
A LARANJA É MESMO O ALIMENTO CAMPEÃO DE VITAMINA C? Há
uma fruta da Amazônia, o camu-camu, que contém 2,99 gramas de vitamina
C em cada 100 gramas, quantidade sessenta vezes superior à produzida pelo
limão e 100 vezes maior do que a da laranja. No ranking dos alimentos ricos
em vitamina C, a acerola ocupa o segundo lugar, seguida de caju, goiaba, pimentão
verde, salsa, kiwi, couve e morango. A laranja ocupa a décima posição.
Isso tudo tem pouca importância prática, visto que o suco de uma
laranja é suficiente para suprir a necessidade diária de vitamina
C de uma pessoa. "Apesar de não conhecermos qual é a quantidade
real de que o organismo precisa, sabemos que ele não é capaz de
absorver mais do que 100 miligramas de vitamina C por dia", explica a nutricionista
Ana Maria Lottenberg, do Hospital Israelita Albert Einstein, de São Paulo.
É VERDADE QUE AS CORES DOS ALIMENTOS
INDICAM SEU VALOR NUTRICIONAL? Parece fantasia, mas é verdade. Alimentos
alaranjados, como cenoura, manga e abóbora, têm betacaroteno, que,
de acordo com estudos recentes, previne o envelhecimento precoce. Os vermelhos,
como melancia e tomate, contêm licopeno, substância importante na
prevenção do câncer de próstata. Verduras de verde
bem vivo são ricas em sulforafano, isotiocianato e indóis, que estimulam
o bom funcionamento do fígado. Os verde-escuros, como brócolis e
espinafre, são fartos em ácido fólico, que fortalece o sistema
imunológico, e contêm antioxidantes, que previnem doenças
degenerativas. "É por isso que se recomenda uma dieta colorida. Comer alimentos
de tonalidades variadas é uma garantia de fartura de nutrientes", diz a
nutricionista paulista Patrícia Bertolucci, da Clínica do Movimento,
especializada em nutrição. QUAL
É O ALIMENTO COM MAIOR QUANTIDADE DE VITAMINAS? É o fígado
de boi ou de galinha, que contém todos os tipos de vitaminas, exceto a
C e a E. Isso acontece porque é no fígado que são processados
todos os nutrientes. Isso não significa que seja necessário empanturrar-se
de fígado. As vitaminas que o organismo necessitam são facilmente
encontradas em outros alimentos. "Nós precisamos de 45 nutrientes diferentes
diariamente e nenhum alimento contém todos eles", diz Marcia Daskal Hirschbruch,
mestre em nutrição pela Universidade Federal de São Paulo.
"Frutas, verduras e legumes são as principais fontes de vitaminas e minerais
variados e por isso devem ser consumidos em todas as refeições".
BEBER ÁGUA DURANTE AS REFEIÇÕES
ENGORDA? A água não engorda, mas tomar muito líquido
durante as refeições realmente pode fazer com que se coma mais",
diz Alfredo Halpern, endocrinologista do Hospital das Clínicas de São
Paulo. O excesso de líquidos dilui o suco gástrico, o que pode criar
uma falsa sensação de fome. De acordo com o endocrinologista Eduardo
Ribeiro Mundim, do Hospital Belo Horizonte, em Minas Gerais, a água durante
as refeições lava as papilas gustativas, parte da língua
responsável pela sensação do gosto dos alimentos, dando a
impressão de que não se comeu o suficiente. A melhor solução,
segundo os médicos, é deixar para ingerir líquidos no final
das refeições. "Isso certamente contribui para a dieta", diz Halpern.
VALE A PENA RECORRER AOS SUPLEMENTOS ALIMENTARES? Só
quando a alimentação normal não consegue suprir a quantidade
necessária de nutrientes. "Atletas e pessoas submetidas a dietas rígidas
e prolongadas podem necessitar de suplementos. Mesmo para eles, contudo, o consumo
deve ser temporário e recomendado por um médico", diz a nutricionista
Midori Ishii, da Universidade de São Paulo (USP). Suplementos alimentares
são vitaminas, minerais, aminoácidos e outras substâncias
usadas para complementar as necessidades de nutrição. Antes de se
aventurar nas prateleiras das farmácias, deve-se consultar um médico,
porque, em excesso, a ingestão dessas substâncias pode sobrecarregar
o fígado e os rins. "Quem tem uma alimentação saudável
e bem balanceada não precisa tomar suplementos alimentares", garante Midori.
É VERDADE QUE A TENDÊNCIA A ENGORDAR
AUMENTA COM A IDADE? Sim. Ainda não existem estudos que comprovem
a relação entre os anos e os quilos a mais. Mas os médicos
sabem, por experiência, que a idade influi no acúmulo maior de gordura
no organismo. "Isso decorre de o metabolismo se tornar mais lento e do desequilíbrio
hormonal, que prejudica o mecanismo de queima de calorias e absorção
de nutrientes", explica o endocrinologista Simão Augusto Lottenberg, do
Hospital Israelita Albert Einstein. Ainda assim, o grande culpado do aumento de
peso com a idade é a vida sedentária. "Por razões sociais
ou físicas, as pessoas acabam se movimentando menos conforme envelhecem,
e o ganho de peso é maior e mais rápido", diz Lottenberg.
CRIANÇAS TAMBÉM PODEM SOFRER DE COLESTEROL
ALTO? Sim, o problema do colesterol alto, que costumava se manifestar a
partir dos 40 anos, hoje começa aos 10 anos", diz a endocrinologista Keyla
Camargo, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, no Recife. O
principal motivo, segundo ela, é que as crianças estão mais
gordas que no passado, e o excesso de peso é um dos fatores que mais contribuem
para elevar os índices de colesterol. A obesidade infantil se deve ao aumento
do consumo de alimentos gordurosos, à redução de produtos
ricos em fibras nas refeições, como frutas e verduras, e à
vida sedentária. "Antigamente, as crianças brincavam na rua e corriam
o dia inteiro. Hoje, ficam deitadas na frente da TV com um pacote de salgadinho
do lado", observa a médica recifense.
É VERDADE QUE PÃO INTEGRAL ENGORDA MENOS QUE O PÃO COMUM? O
pão integral tem a mesma quantidade de calorias que o pão francês
(em média 80 calorias por fatia). A diferença é que o integral
tem fibras e o pão branco, não. Alimentos ricos em fibras engordam
menos", diz Conceição Chaves de Lemos, nutricionista do Hospital
Agamenon Magalhães, no Recife. O produto integral, menos refinado, é
absorvido de forma mais lenta pelo organismo, dando a sensação de
saciedade por mais tempo. Não é só isso. Alimentos ricos
em fibras possuem índice glicêmico mais baixo do que os mais refinados,
como a farinha do pão francês. Com alto índice glicêmico,
o pão comum aumenta drasticamente as taxas de açúcar no sangue.
Quanto mais açúcar, maior é a produção do hormônio
insulina. Em excesso, a insulina faz com que o organismo produza mais gordura
ou seja, engorda. Por fim, alimentos com alto índice glicêmico
são absorvidos rapidamente pelo organismo e provocam a sensação
de fome em menor espaço de tempo. SUBSTITUIR
O AÇÚCAR POR MEL AJUDA A EMAGRECER? Tanto faz. O mel é
um pouco mais calórico que o açúcar (uma colher de chá
de mel tem 65 calorias, contra 45 do açúcar). "A diferença
é mínima e não influi na dieta", diz o endocrinologista mineiro
Eduardo Ribeiro Mundim, do Hospital Belo Horizonte. Se o objetivo for manter uma
alimentação saudável, o mel sai ganhando. "Ele tem mais vitaminas
e minerais que o açúcar, e, por isso, substituir açúcar
por mel traz mais benefícios à saúde", afirma Eduardo.
É VERDADE QUE FAZ MAL MISTURAR CERTOS ALIMENTOS NA MESMA REFEIÇÃO? Esqueça
a proibição de leite e manga. Trata-se de pura superstição.
Mas há determinados alimentos que prejudicam a absorção dos
nutrientes contidos em outros. O exemplo mais conhecido é a mistura de
alimentos ricos em ferro (carne vermelha, espinafre) com outros fartos em cálcio,
como o leite e derivados. O cálcio prejudica a absorção de
ferro pelo organismo. "É como se houvesse uma competição
entre os dois no intestino", diz Marcia Daskal Hirschbruch, mestre em nutrição
pela Universidade Federal de São Paulo.
Luis
Medici
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O QUE É MELHOR PARA A SAÚDE, MANTEIGA OU MARGARINA? De
modo geral, a margarina é mais saudável do que a manteiga", diz
a nutricionista Ana Maria Lottenberg, do Hospital Israelita Albert Einstein, de
São Paulo. A manteiga é rica em gorduras saturadas e colesterol,
ambos ruins para o sistema cardíaco. A margarina não tem nenhuma
dessas duas substâncias, o que a torna, em teoria, mais saudável.
Como tudo tem um senão na relação nutrição-saúde,
a margarina contém gordura trans, cujo efeito perverso é o de aumentar
os níveis do LDL, o chamado colesterol ruim, e reduzir o HDL, o colesterol
bom. Por sorte, a porcentagem de trans na fórmula da margarina é
baixa. "O perigo só existe para quem ingere quantidades enormes de margarina",
explica Ana Maria.
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