. O estilo faz o homem e a mulher
. Não dá para não fazer
. O segredo é não desligar nunca
. O corpo aquecido pela alegria
. Debaixo daqueles lençóis...
. Sirva-se à vontade
. Doses de incerteza
. Alguns funcionam
. A miragem hormonal
. A boa noite dos jovens
. Cremes que esticam
. Pequenos cortes, grandes mudanças
. Quando a cabeleira começa a minguar
. Sorriso saudável, aparência jovial
. O guia da saúde
. Os novos horizontes da ciência
. Está nas suas mãos
. Bradley Trevor Greive
 

Os novos horizontes da ciência

O que está em pesquisa nos laboratórios
mais modernos do mundo para vencer as
doenças associadas ao envelhecimento

No clássico Teogonia, escrito 700 anos antes do nascimento de Cristo, o poeta grego Hesíodo conta a seguinte história: Eos, a deusa da alvorada, pede que Zeus conceda a vida eterna a Títon, príncipe de Tróia e seu grande amor. Seu desejo é atendido. Ela não se lembra, porém, de pedir que ele também permaneça jovem para sempre. O tempo passa. Carcomido pela velhice, sem conseguir mais mexer as mãos e os pés, Títon quer morrer. Clama por isso. Mas se tornou imortal, está acorrentado à velhice. Quando entra em total estado de decrepitude, Eos, compadecida, o transforma em gafanhoto, o mais musical dos insetos, para ouvir eternamente a voz de seu amado.

O mito transmitido por Hesíodo construiu-se a partir de duas dificuldades que, aos povos antigos, pareciam ser tão intransponíveis quanto voar – a de uma pessoa viver por décadas a fio e a de um velho manter a força dos verdes anos. Desde então, é uma obviedade ululante, vários obstáculos foram superados nos dois aspectos. No entanto, para a realização do sonho de uma juventude que ultrapasse os limites biológicos, a ciência ainda tem de percorrer um árduo caminho. Não foi decifrado, por exemplo, o processo de envelhecimento em toda a sua complexidade. E esse ponto é fundamental para que se consiga detê-lo.

É curioso notar que essas questões não fazem parte da ordem natural das coisas. No livro Como e Por que Envelhecemos, o médico americano Leonard Hayflick, professor de anatomia da Universidade da Califórnia, observa que o envelhecimento é um produto da civilização. "A natureza planejou as coisas de modo que morrêssemos antes de envelhecer. O envelhecimento é um fenômeno que a natureza nunca pretendeu que experimentássemos", escreve Hayflick. Ele explica que a degeneração do corpo humano começa entre 25 e 30 anos. Isso porque, nessa época da vida, homens e mulheres já teriam cumprido a sua única função: a de gerar uma prole, garantindo, assim, a continuidade da espécie. Morrer cedo, portanto, está inscrito na lógica dos genes – contra a qual, felizmente, nos opomos. Graças às conquistas da civilização, o homem aprendeu a domar as adversidades que encurtavam demais a sua expectativa de vida. Em contrapartida, viu-se obrigado a enfrentar doenças associadas ao envelhecimento (caso do câncer e dos distúrbios cardíacos). Veja a seguir quais são as armas que a ciência está desenvolvendo para ganhar essa batalha.

 

CÉLULAS-TRONCO

Uma das grandes esperanças da medicina são as células-tronco. Sem função específica, elas podem se transformar em qualquer um dos mais de 200 tipos de células diferentes que compõem o corpo humano. Dada essa versatilidade, vêm sendo testadas na regeneração de tecidos e órgãos lesados de pessoas doentes. Entre elas, vítimas de diabetes, mal de Alzheimer, mal de Parkinson, distúrbios cardiovasculares e vários tipos de câncer. Experiências de sucesso já foram feitas com portadores de leucemia e determinados problemas cardíacos. A melhor fonte de células-tronco são os embriões com até uma semana de gestação – quando eles não passam, do ponto de vista da ciência, de um amontoado de células sem função específica. Os estudos com células-tronco começaram em 1998. Desde então, avançaram em ritmo espantoso. Hoje já se sabe que é possível encontrar células-tronco no sangue do cordão umbilical de um bebê recém-nascido e no organismo de um adulto, ainda que em quantidades inferiores e com uma capacidade de multiplicação inferior à das encontradas em embriões. A descoberta resolve dois problemas. O primeiro é técnico: com uma célula-tronco própria, o paciente se livra do risco de rejeição. O segundo, ético-religioso: a Igreja Católica e governos comprometidos com fundamentalistas cristãos, como o dos Estados Unidos, condenam a utilização de embriões humanos para experimentos científicos. O uso das células-tronco em tratamentos médicos é relativamente simples. Em laboratório, os cientistas induzem essas células a se especializar em células do tecido ou órgão a ser regenerado. Em seguida, injetam as células-tronco modificadas no doente e esperam que elas se reproduzam. Atualmente, é possível transformar células-tronco em cerca de 150 tipos de células especializadas.

 

TERAPIA GÊNICA

Há pelo menos 7 000 doenças de origem genética. Entre elas, alguns tipos de câncer, obesidade, distrofias musculares, esquizofrenia e fibrose cística. Por meio de mapeamentos genéticos, é possível verificar hoje em dia se uma pessoa está sujeita a algumas centenas de distúrbios. Em determinados casos, como o câncer de mama, o mapeamento pode levar a uma prevenção mais efetiva. A terapia gênica vai além: prevê a substituição do gene defeituoso, causador de uma doença, por um gene sadio. Os estudos nesse campo começaram na década de 70. Na época, imaginava-se que esse tipo de terapia seria facilmente aplicável. Hoje, as pesquisas continuam mais ou menos no mesmo lugar. A grande dificuldade está em encontrar uma maneira de trocar os genes ruins por bons. A aposta é que isso possa ser feito por meio de vírus com DNA modificado. Como são estruturas com facilidade de penetrar nas células, os vírus seriam encarregados de "infectar" com genes sadios as células com genes ruins. Mas há dois problemas a ser solucionados. O primeiro é fazer com que o vírus funcione como um míssil teleguiado e vá diretamente para as células que devem ser tratadas. O segundo é que nem todas as pessoas reagem da mesma forma a um mesmo vírus – o que torna o tratamento imprevisível. Superados esses obstáculos, a terapia gênica deverá representar uma revolução na medicina.

 

VACINAS

As pesquisas avançam pelo caminho de usar a imunização no tratamento de doenças que nada têm a ver com infecção, o campo de atuação inicial das vacinas. A esperança é que sejam desenvolvidas vacinas capazes de tratar o câncer, o mal de Alzheimer, as doenças cardiovasculares, a artrite reumatóide e o diabetes. Uma das áreas em que as pesquisas estão mais adiantadas é a das vacinas contra males associados a problemas do coração, a principal causa de mortes por doença em todo o mundo. Daqui a cinco anos, deve ser lançada uma vacina contra o colesterol alto. Normalmente, o organismo produz um tipo de proteína, chamada de CETP, que participa da transformação de parte do colesterol bom, o HDL, em LDL, o colesterol ruim. A vacina estimula a produção de uma substância que bloqueia a ação dessa proteína. No terreno do tratamento do câncer, o método mais promissor consiste em injetar uma bactéria ou um vírus enfraquecido geneticamente num tumor. O objetivo é fazer com que esse microrganismo deflagre um ataque do sistema imunológico, o qual acabaria por destruir as células cancerosas. Alguns experimentos já foram feitos com pessoas portadoras de melanoma, o tipo mais agressivo de câncer de pele. Os resultados foram bastante animadores.

 

 
   
     
   
     
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