Publicidade
 
 
   
 
   
   
. Um quarteto afinadíssimo
. Receita para viver melhor
. A medida da sua saúde
. Com o coração nas mãos
. Dá para vencer
. O maior culpado é o cigarro
. O mal das mulheres modernas
. Vergonha que mata
. Quando a coluna pede socorro
. A praga dos ossos fracos
. "Ela não pára de doer"
. Um ninho de bactérias
. A grande inimiga
. Coma de tudo um pouco
. Xô, preguiça!
. A maior vitrine do tempo
. O bisturi esculpe sonhos
. Aquele calor...
. ...e aquele frio
. É bom e faz bem
. Não é só coisa de maluco
. Nunca deixe de fazer
. Por que eu sinto isso?
. Moacyr Scliar: O idioma da saúde
 

É bom e faz bem

O sexo protege o coração, eleva a auto-estima
e melhora o humor. Até quando não é lá grande
coisa, ajuda: queima um monte de calorias

 
Zeca Rodrigues

Em meados da década de 70, a americana Shere Hite, autora do best-seller Relatório Hite, anunciou que no ano 2000 o ato sexual deixaria de ser importante. "O intercurso não será tão popular no futuro", disse ela. Como era previsível, quem perdeu a importância foi Shere Hite – e bem antes do ano 2000. O sexo não apenas continua (e continuará) a ser o maior prazer físico que um ser humano pode experimentar, como nos últimos anos a medicina vem valorizando as delícias de uma noite de amor. Se bem feito, protege o coração, alivia o stress e remoça. Ah, sim, queima gordura, mesmo quando não é grande coisa. Em média, uma relação sexual consome 660 calorias, o equivalente a quatro barras de 30 gramas de chocolate. É tão importante que a Organização Mundial de Saúde incluiu o sexo freqüente, prazeroso e seguro (em tempos de Aids, esse dado é fundamental) entre os quatro parâmetros utilizados para definir a qualidade de vida de uma pessoa. Os outros são: poder trabalhar, não depender de ninguém para as tarefas do dia-a-dia e manter um convívio familiar e social satisfatório.

O estudo mais recente sobre os benefícios do sexo para a atividade cardíaca foi produzido por médicos ingleses. Ao longo de uma década, eles acompanharam mais de 900 homens com idade inicial entre 45 e 59 anos. Ao final da pesquisa, constataram que, entre os que mantinham a média de uma relação sexual por mês, os riscos de morte por doenças cardiovasculares dobravam se comparados aos que faziam sexo mais de duas vezes por semana. Isso porque, durante uma relação (o que inclui as preliminares), o cérebro libera substâncias vasodilatadoras que facilitam a irrigação sanguínea do coração, o que diminui a probabilidade de ataques. Entre duas pessoas que se amam, então, tudo fica ainda melhor: afora outras maravilhas, a descarga de endorfina, substância responsável por sensações de bem-estar, é muito maior. O resultado é que a auto-estima vai lá para cima e o humor se torna mais estável.

Essa visão do sexo como um aspecto essencial para a manutenção da saúde tem estimulado homens e mulheres a recorrer a especialistas em busca de uma solução para suas disfunções. As mais comuns são as seguintes:

Falta de desejo – É problema de 35% das mulheres e de 12% dos homens brasileiros. São poucos os casos em que a falta de desejo é causada por problemas físicos, como a baixa do nível de estrógeno nas mulheres durante a menopausa, ou pela ação de medicamentos que interferem na libido. Os fatores psicológicos, especialmente a depressão, têm papel decisivo no apetite sexual.

Falta de orgasmo – Quase 30% das brasileiras sofrem de anorgasmia – não conseguem ter orgasmo. Na maioria das vezes, essa impossibilidade tem origem na falta de habilidade de seus parceiros. A ausência de desejo somada à anorgasmia caracteriza a frigidez.

Ejaculação precoce – O problema afeta sobretudo jovens de até 25 anos. Os principais fatores são ansiedade e insegurança. A ejaculação é precoce quando ocorre com menos de dois minutos de relação. Se não tratada, pode levar à impotência.

Disfunção erétil – A incapacidade de ter ou manter uma ereção afeta quase a metade da população masculina, em maior ou menor grau. Muitos casos de impotência, principalmente até os 50 anos de idade, têm fundo psicológico e estão ligados a depressão, stress e insegurança. A partir dessa idade, os fatores físicos tendem a predominar. São eles: hipertensão, diabetes, colesterol alto ou desequilíbrio na produção do hormônio masculino, a testosterona. Com o lançamento do Viagra, em 1998, milhões de homens livraram-se da impotência (veja quadro). A droga funciona, mas só se houver desejo pela parceira.

 

A Terra é azul

O Viagra conseguiu fazer com que milhões de homens perdessem a vergonha e reclamassem aos médicos a potência perdida. Lançada em 1998, a pílula azul em forma de losango é consumida hoje em cerca de 100 países, com índices de satisfação que ultrapassam os 80%. Para fazer efeito, é preciso que o usuário sinta desejo pela parceira – o remédio não causa ereções automáticas. Funciona como uma espécie de quebra-gelo, ao inibir a ação de uma enzima que dificulta a dilatação dos vasos sanguíneos do pênis e, conseqüentemente, leva à impotência. O comprimido deve ser tomado uma hora antes do ato. Só essa característica já representa um avanço e tanto. Até então, os métodos mais utilizados contra esse tormento masculino eliminavam o romantismo de qualquer encontro amoroso: injeções na base do pênis dez minutos antes e bombas a vácuo durante a relação. Um verdadeiro constrangimento.

O remédio é vetado a pacientes cardíacos sob tratamento com vasodilatadores à base de nitratos. Como também é um vasodilatador, a combinação dos dois medicamentos pode ser fatal. O sucesso do Viagra deflagrou uma corrida na indústria farmacêutica. Os grandes laboratórios se empenham em desenvolver pílulas contra a impotência mais eficazes e seguras. Outro alvo são as mulheres frígidas. Os pesquisadores procuram sintetizar uma droga capaz de combater a frigidez. Por último, a recomendação de sempre: o Viagra não é um afrodisíaco. Só deve ser tomado sob orientação médica.

 

 

 
 

O GRÁFICO DO PRAZER

Uma relação sexual de um casal jovem e estável tende a durar de 20 a 35 minutos. Ela se divide em quatro etapas, como está ilustrado ao lado. Na primeira fase, a do desejo, o organismo libera uma maior quantidade de dopamina, substância relacionada a necessidades básicas, como a vontade de comer. A partir daí, se tudo correr bem, tanto o homem quanto a mulher experimentam um vaivém de informações entre o cérebro e as mais diversas partes do corpo. A troca é tão acelerada que, para que o cérebro não entre em pane, há uma descarga violenta de endorfinas, a morfina natural. Essa forma de apaziguar o sistema nervoso central é conhecida como orgasmo

 

 
   
 
Copyright © 2001 . Editora Abril S.A. . todos os direitos reservados