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"Ela não pára de doer"

Ninguém escapa da dor de cabeça. Muitas vezes
ela é crônica
por causa do excesso de analgésicos,
tomados sem orientação médica


Montagem sobre obra "Orfeu", de Antonio Canova


O tormento da dor de cabeça (ou cefaléia) está registrado até na mitologia grega. Zeus, a divindade máxima do Olimpo, teve uma tão forte que, desesperado, pediu que lhe partissem o crânio a machadadas. De dentro saiu Palas Atena, a deusa da sabedoria. Foi uma maneira poética de abordar um assunto que, desde os primórdios da humanidade, está literalmente na cabeça de todo mundo. Quem jamais sentiu dor nessa parte do corpo deveria ter seu caso estudado por cientistas. Dos 150 tipos de cefaléias catalogados pela medicina como doença, a mais comum é a tensional episódica – aquela que se manifesta depois de um dia de muito stress, por exemplo. Essa versão da dor de cabeça não tem um quadro clínico tão definido quanto o da enxaqueca. Um fato contribui para que se torne persistente: o exagero no uso de analgésicos, sem a devida prescrição de especialistas. As cefaléias são o território por excelência da automedicação.

A dor de cabeça deve ser combatida como um incêndio – quanto mais cedo, melhor. No entanto, um estudo realizado pela Sociedade Brasileira de Cefaléia revela que mais da metade das pessoas só toma remédio depois de uma hora de sofrimento. A longa exposição à dor leva ao recrudescimento da crise e à necessidade cada vez maior de ingerir analgésicos. O resultado é clássico: com o tempo, para funcionar, maiores quantidades de medicamentos são necessárias, devido à resistência que o organismo vai criando. Há até quem se vicie. Um estudo realizado por neurologistas alemães e dinamarqueses mostra que, após três meses de uso constante de analgésicos, uma pessoa pode ser considerada viciada. Uso constante, aqui, significa tomar dois ou mais comprimidos por dia, três ou mais vezes por semana. Só há um jeito de curar o vício: suspender completa e abruptamente o consumo de analgésicos. No primeiro mês de desintoxicação, alguns pacientes vivem os sintomas típicos de abstinência, como suores, tonturas, náuseas, tremores. O abuso de remédios também tem um efeito paradoxal – as dores se tornam mais freqüentes. A explicação é que, quando se acostuma com as grandes quantidades de comprimidos, o cérebro deixa de produzir automaticamente endorfina. Esse neurotransmissor com propriedades semelhantes às da morfina funciona como uma espécie de analgésico. A falta dessa proteção natural agrava ainda mais o quadro e faz com que o mal se torne crônico.

De cada dez brasileiros, sete são acometidos mensalmente por até cinco crises da dor de cabeça mais comum. A sensação é de que há uma faixa apertando o crânio, de uma têmpora à outra. A cefaléia tensional episódica tem esse nome porque, até o início da década de 60, acreditava-se que ela era motivada por tensão muscular. Os médicos descobriram, no entanto, que o retesamento dos músculos localizados nas proximidades do local da dor não é causa, mas conseqüência de um processo desencadeado por um desequilíbrio na química cerebral. Os percalços da vida moderna, como poucas horas de sono, servem de gatilho para que a alteração metabólica ocorra e desemboque em dor.

As pessoas confundem a dor de cabeça mais corriqueira com enxaqueca (veja quadro). Cerca de 40% dos brasileiros tratam a primeira recorrendo a drogas sintetizadas contra a segunda – o que não a alivia em nada. A enxaqueca conta com um forte componente genético – 75% dos pacientes têm parentes que sofrem do mesmo mal. Seus sintomas são bem claros. Além da dor latejante, o enxaquecoso é acometido por náuseas, vômito, formigamento nas mãos, visão embaralhada, raciocínio confuso, hipersensibilidade à luz, ao barulho e a odores fortes. A doença afeta cerca de 15% da população mundial. Certos alimentos, como chocolates, frutas cítricas, café, queijos amarelos, cerveja, vinhos e salsichas, podem desencadear uma crise. As mulheres são as que mais sofrem. Culpa das alterações hormonais, especialmente no período pré-menstrual.

Na tentativa de diagnosticar a cefaléia do tipo tensional episódica, há médicos que adotam condutas inadequadas. É desnecessário pedir exames como raio X do crânio, da coluna cervical e eletroencefalograma. Esses testes são capazes de detectar problemas de que a dor de cabeça é apenas sintoma. Para a identificação da cefaléia do tipo tensional não há nada melhor do que um médico bem preparado. Os bons especialistas conseguem fazê-la sem a necessidade de nenhum exame. Chegam a uma conclusão por meio de um interrogatório minucioso do paciente. As armas disponíveis hoje para combater a dor de cabeça são muito eficazes. Os analgésicos de última geração agem mais rápido e causam menos efeitos colaterais no sistema gastrointestinal. São ótimos desde que tomados na medida certa e com orientação.

 

Dor de cabeça ou enxaqueca?

É comum chamar uma dor de cabeça mais forte de enxaqueca. Mas há grande diferença entre uma e outra. A dor de cabeça, não importa a intensidade ou a causa, pode ser episódica ou sintoma de outra doença. A enxaqueca, por sua vez, é um mal crônico, que atrapalha a vida e contra o qual só funcionam remédios específicos. Confira se você sofre ou não de enxaqueca

Quanto tempo costumam durar as crises?
a) De 4 a 72 horas
b) Até uma semana

Onde a dor se localiza?
a) De um lado só da cabeça
b) Dos dois lados

Como é a dor?
a) Latejante, pulsátil
b) Em pressão, como se uma faixa apertasse a cabeça

Qual é a intensidade da dor?
a) De moderada a forte
b) De fraca a moderada

Quando a dor chega você...
a) ...tem de interromper o que está fazendo
b) ...consegue manter suas atividades

Marque a situação mais recorrente nos momentos de dor
a) Náuseas e vômito
b) Náuseas ou vômito

Durante a crise...
a) ...tenho aversão à luz e a sons
b) ...tenho aversão ou à luz ou a sons

 

Pontuação

Respostas "A"
Respostas "B"

 

 

AVALIAÇÃO

Predominância das alternativas "a"
Você provavelmente sofre de enxaqueca. Seria bom procurar um médico

Predominância das alternativas "b"
É quase certo que você apenas experimente de vez em quando uma cefaléia tensional episódica, o tipo mais comum de dor de cabeça

 

A sinusite crônica e a dor de cabeça

A dor de cabeça é freqüentemente sintoma de sinusite aguda, uma inflamação da mucosa dos seios faciais. Além da dor, ela se manifesta por meio de inchaço das maçãs do rosto, espirros sucessivos, entupimento do nariz, coriza, perda de olfato, lacrimejo e dor na gengiva e nos ossos do rosto. O paciente ainda pode ser acometido por febre e calafrios. A sinusite aguda surge subitamente e persiste por semanas. A doença, no entanto, pode assumir a forma crônica, em que os sintomas são menos intensos e, geralmente, não há dor de cabeça. Ou seja, a vítima de uma sinusite crônica que sofre de cefaléia pode ter dois problemas a tratar.

A maioria das pessoas, no entanto, tende a confundir as duas doenças. É comum achar que a cabeça dói por causa da sinusite crônica. Hoje em dia, há métodos bastante eficazes para distinguir uma da outra. O diagnóstico da sinusite é feito por meio de um raio X ou de uma tomografia computadorizada. As imagens dos exames mostram onde estão os focos da inflamação. Para atenuar os sintomas de ambas as formas de sinusite, é importante beber muita água, não fumar e evitar ambientes com fumaça, poeira e tapetes felpudos. Conforme o grau da doença, o tratamento é feito com analgésicos, antitérmicos, antiinflamatórios e antibióticos receitados pelo médico. Sem a orientação de um especialista, não se deve usar descongestionantes nasais nem infusões. Para quem tem os sintomas de sinusite aguda há mais de uma semana, a recomendação é procurar um especialista antes que se torne crônica. Quando isso ocorre, muitas vezes a única solução é a mesa de cirurgia. O paciente é submetido a uma operação para desobstruir os canais de ligação entre os seios da face e as vias respiratórias nasais.

 

 
   
   
 
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