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"Ela não pára de doer"Ninguém
escapa da dor
de cabeça. Muitas vezes
A dor de cabeça deve ser combatida como um incêndio quanto mais cedo, melhor. No entanto, um estudo realizado pela Sociedade Brasileira de Cefaléia revela que mais da metade das pessoas só toma remédio depois de uma hora de sofrimento. A longa exposição à dor leva ao recrudescimento da crise e à necessidade cada vez maior de ingerir analgésicos. O resultado é clássico: com o tempo, para funcionar, maiores quantidades de medicamentos são necessárias, devido à resistência que o organismo vai criando. Há até quem se vicie. Um estudo realizado por neurologistas alemães e dinamarqueses mostra que, após três meses de uso constante de analgésicos, uma pessoa pode ser considerada viciada. Uso constante, aqui, significa tomar dois ou mais comprimidos por dia, três ou mais vezes por semana. Só há um jeito de curar o vício: suspender completa e abruptamente o consumo de analgésicos. No primeiro mês de desintoxicação, alguns pacientes vivem os sintomas típicos de abstinência, como suores, tonturas, náuseas, tremores. O abuso de remédios também tem um efeito paradoxal as dores se tornam mais freqüentes. A explicação é que, quando se acostuma com as grandes quantidades de comprimidos, o cérebro deixa de produzir automaticamente endorfina. Esse neurotransmissor com propriedades semelhantes às da morfina funciona como uma espécie de analgésico. A falta dessa proteção natural agrava ainda mais o quadro e faz com que o mal se torne crônico. De cada dez brasileiros, sete são acometidos mensalmente por até cinco crises da dor de cabeça mais comum. A sensação é de que há uma faixa apertando o crânio, de uma têmpora à outra. A cefaléia tensional episódica tem esse nome porque, até o início da década de 60, acreditava-se que ela era motivada por tensão muscular. Os médicos descobriram, no entanto, que o retesamento dos músculos localizados nas proximidades do local da dor não é causa, mas conseqüência de um processo desencadeado por um desequilíbrio na química cerebral. Os percalços da vida moderna, como poucas horas de sono, servem de gatilho para que a alteração metabólica ocorra e desemboque em dor. As pessoas confundem a dor de cabeça mais corriqueira com enxaqueca (veja quadro). Cerca de 40% dos brasileiros tratam a primeira recorrendo a drogas sintetizadas contra a segunda o que não a alivia em nada. A enxaqueca conta com um forte componente genético 75% dos pacientes têm parentes que sofrem do mesmo mal. Seus sintomas são bem claros. Além da dor latejante, o enxaquecoso é acometido por náuseas, vômito, formigamento nas mãos, visão embaralhada, raciocínio confuso, hipersensibilidade à luz, ao barulho e a odores fortes. A doença afeta cerca de 15% da população mundial. Certos alimentos, como chocolates, frutas cítricas, café, queijos amarelos, cerveja, vinhos e salsichas, podem desencadear uma crise. As mulheres são as que mais sofrem. Culpa das alterações hormonais, especialmente no período pré-menstrual. Na tentativa de diagnosticar a cefaléia do tipo tensional episódica, há médicos que adotam condutas inadequadas. É desnecessário pedir exames como raio X do crânio, da coluna cervical e eletroencefalograma. Esses testes são capazes de detectar problemas de que a dor de cabeça é apenas sintoma. Para a identificação da cefaléia do tipo tensional não há nada melhor do que um médico bem preparado. Os bons especialistas conseguem fazê-la sem a necessidade de nenhum exame. Chegam a uma conclusão por meio de um interrogatório minucioso do paciente. As armas disponíveis hoje para combater a dor de cabeça são muito eficazes. Os analgésicos de última geração agem mais rápido e causam menos efeitos colaterais no sistema gastrointestinal. São ótimos desde que tomados na medida certa e com orientação.
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