Publicidade
 
 
   
 
   
   
. Um quarteto afinadíssimo
. Receita para viver melhor
. A medida da sua saúde
. Com o coração nas mãos
. Dá para vencer
. O maior culpado é o cigarro
. O mal das mulheres modernas
. Vergonha que mata
. Quando a coluna pede socorro
. A praga dos ossos fracos
. "Ela não pára de doer"
. Um ninho de bactérias
. A grande inimiga
. Coma de tudo um pouco
. Xô, preguiça!
. A maior vitrine do tempo
. O bisturi esculpe sonhos
. Aquele calor...
. ...e aquele frio
. É bom e faz bem
. Não é só coisa de maluco
. Nunca deixe de fazer
. Por que eu sinto isso?
. Moacyr Scliar: O idioma da saúde
 

O mal das mulheres modernas

O alastramento do câncer de mama tem
ligação com as mudanças de comportamento.

Uma dieta menos gordurosa ajuda na
prevenção
da doença

Montagem sobre foto de Pedro Rubens

No destaque acima, a imagem de uma mamografia: a mancha amarela é um tumor



Não há doença mais temida por uma mulher do que o câncer de mama, o mais comum e letal entre o sexo feminino. Tirar um seio é ao mesmo tempo uma mutilação física (reparável por meio de plástica) e emocional – não raro, incancelável. O pior é que tal procedimento nem sempre dá resultado: dos 35.000 novos casos registrados a cada ano no Brasil, 8.500 terminam em morte. O componente genético desse tipo de tumor não pode ser menosprezado. Quem tem mãe ou irmã acometidas pela doença tem mais probabilidade de desenvolvê-la. Mas o estilo de vida é preponderante no seu surgimento. De cada dez pacientes, nove foram atingidas pelo mal por causa de hábitos pouco saudáveis. As dietas ricas em gordura, o excesso de peso e o sedentarismo transformam as mulheres em verdadeiras bombas hormonais. Em especial de estrógeno, o hormônio sexual feminino por excelência. Ele é o vilão número 1 quando o assunto é câncer de mama. Em demasia, o estrógeno se torna pernicioso. Grandes quantidades da substância incrementam a multiplicação das células mamárias. E, nesse processo, cresce a possibilidade de ocorrer um erro, o que pode levar ao aparecimento de um tumor.

A ingestão exagerada de comidas gordurosas aumenta em até 30% a produção de estrógeno. Ela é especialmente perigosa em dois momentos: no início da idade adulta, época em que os níveis hormonais já são normalmente altos, a fim de garantir a capacidade reprodutiva, e depois da menopausa. Nessa fase da vida, o organismo feminino diminui naturalmente a produção hormonal. Se é estimulado a fazer o contrário, o risco de pane metabólica é maior, o que pode resultar em câncer. Uma boa medida, portanto, é adotar uma alimentação equilibrada. Um estudo publicado na Inglaterra mostra que manter uma dieta com pouca gordura e enriquecida por fibras reduz as taxas hormonais em até 20%. Fazer ginástica para queimar células adiposas, verdadeiras usinas de estrógeno, é outra providência imprescindível. Meia hora diária de exercícios corta os riscos da doença em cerca de 40%.

As profundas mudanças comportamentais verificadas nos últimos cinqüenta anos também contribuíram para o alastramento do câncer de mama. Associado a regimes alimentares desbalanceados, o ritmo mais intenso de vida fez com que as mulheres passassem a menstruar mais cedo e a entrar no climatério mais tarde. Além disso, ao estabelecer a carreira profissional como meta prioritária e deixar o casamento em segundo plano, elas vêm retardando a maternidade, tendo poucos filhos e amamentando por menos tempo. De uma perspectiva social, tudo é fruto de grandes conquistas. Do ponto de vista orgânico, porém, o resultado é uma exposição mais longa à ação do estrógeno (os níveis do hormônio caem drasticamente durante a gravidez e o aleitamento). Para se ter uma idéia, quando o costume era emendar um filho atrás do outro e o tempo entre a menarca e a menopausa era menor, as mulheres tinham ao longo da vida cinqüenta menstruações. Hoje, elas podem menstruar até 400 vezes. Como não dá para revogar a emancipação feminina, é preciso redobrar os cuidados com a prevenção. Um auto-exame mensal, para detectar caroços, deve ser feito a partir dos 20 anos. E mamografias anuais a partir dos 50 anos são obrigatórias. Com essas medidas básicas, é possível flagrar o câncer na sua fase inicial, em que as chances de cura chegam a 90% e as mamas podem ser preservadas.

 

Perguntas comuns

Fotos: Luis Gomes/Priscila Prade


A pílula anticoncepcional e a
reposição hormonal aumentam os riscos de câncer de mama?
Apesar dos inúmeros estudos sobre o assunto, ainda não se chegou a um consenso. Se a ameaça existe, é mínima. Como medida de precaução, vale a recomendação de sempre: não tome remédio sem orientação médica

 

A amamentação protege contra a doença?
A proteção é relativa.
O aleitamento materno não pode ser considerado um fator de prevenção isoladamente. Há mulheres que deram de mamar e, mesmo assim, desenvolveram o câncer de mama. O que se sabe é que, durante o período de amamentação, os níveis do hormônio estrógeno caem drasticamente. E, quanto menos estrógeno, menores são os riscos de tumores malignos

 

Mulheres sem filhos estão mais sujeitas ao câncer?
Ao deixar de engravidar, a mulher fica sob ação constante do estrógeno, responsável pela multiplicação das células mamárias. Quanto mais intensa a proliferação celular, maior a probabilidade de erro no processo e, conseqüentemente, maiores os riscos de aparecimento de um tumor

Cigarro e álcool podem levar ao câncer?
No caso do tumor mamário, o cigarro pode potencializar os efeitos perniciosos da bebida. Em excesso, o álcool altera o funcionamento do fígado, que deixa de processar adequadamente os hormônios sexuais, sobretudo o estrógeno

Os implantes de silicone oferecem perigo?
Não. Mas, como as próteses são colocadas entre o músculo e a glândula mamária, elas podem dificultar a detecção de um tumor pela mamografia e pelo auto-exame

 

 
   
   
 
Copyright © 2001 . Editora Abril S.A. . todos os direitos reservados