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Um quarteto afinadíssimo |
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Receita para viver melhor |
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A medida da sua saúde |
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Com o coração nas mãos |
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Dá para vencer |
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O maior culpado é o cigarro |
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O mal das mulheres modernas |
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Vergonha que mata |
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Quando a coluna pede socorro |
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A praga dos ossos fracos |
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"Ela não pára de doer" |
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Um ninho de bactérias |
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A grande inimiga |
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Coma de tudo um pouco |
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Xô, preguiça! |
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A maior vitrine do tempo |
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O bisturi esculpe sonhos |
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Aquele calor... |
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...e aquele frio |
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É bom e faz bem |
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Não é só coisa de maluco |
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Nunca deixe de fazer |
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Por que eu sinto isso? |
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Moacyr Scliar: O idioma da saúde |
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Com
o coração
nas mãos
As
doenças cardíacas são a principal causa
de
morte no país, com 300.000 vítimas fatais a
cada
ano.
Está ao alcance de todos evitá-las
Principal
causa de óbitos no país, as doenças cardiovasculares
matam 300.000 brasileiros por ano, o equivalente à população
de uma cidade como Florianópolis, capital de Santa Catarina. Desses
males, o mais comum é o infarto. Ele sobrevém quando há
obstrução de um ou mais vasos sanguíneos e o coração
deixa de ser suficientemente irrigado em certas áreas. Sem o oxigênio
transportado pelo sangue, os tecidos atingidos necrosam e tornam-se inativos.
Dependendo da extensão do estrago, a função cardíaca
pode ser inteiramente comprometida, levando à morte do paciente.
O infarto é repentino e costuma manifestar-se sob a forma de uma
dor aguda no peito e nas costas, acompanhada de formigamento nos braços,
suadouro e respiração ofegante. Mas está longe de
ser uma ocorrência imprevista. Por trás de um ataque, há
invariavelmente uma longa história de descaso com os fatores que
mais ameaçam o coração a hipertensão,
o colesterol alto, o diabetes e o tabagismo. Todos podem ser mantidos
sob controle.
Nada é mais pernicioso à saúde do coração
que a hipertensão uma pressão arterial acima dos
padrões normais. Medi-la significa determinar o impacto do fluxo
de sangue sobre as artérias. A pressão é máxima
quando o músculo cardíaco se contrai e bombeia sangue para
o resto do organismo. E mínima entre um batimento e outro, no momento
em que o coração relaxa. A pressão ideal é
uma máxima de 12 e uma mínima de 8 (os números referem-se
ao marcador de mililitros de mercúrio do aparelho que o médico
coloca no seu braço numa consulta). Quando ela alcança 14
por 9 ou mais, o diagnóstico é de hipertensão. Ou
seja, o sangue está circulando com uma velocidade e uma força
além das que seriam recomendáveis. Por que isso causa danos?
Imagine uma estrada em que veículos pesados trafegam em velocidade
acima da permitida. É natural que o asfalto não resista.
O sinal mais visível desse desgaste são os buracos que surgem
na pista. Pois bem, o mesmo acontece com as artérias de um hipertenso.
Submetidas a impacto muito grande, as paredes arteriais sofrem uma erosão
que resulta na formação de sulcos. Está aberto, dessa
maneira, o caminho para o depósito de gorduras que causam infarto.
A hipertensão também pode arrebentar uma artéria
a isso se dá o nome de derrame.
Os
hipertensos brasileiros somam cerca de 18 milhões de pessoas. Um
terço não sabe que está doente. Outro terço
sabe, mas não se trata. Mais um dado dramático: no Brasil,
a medição da pressão arterial é adotada como
rotina em apenas 30% das consultas. Ainda assim, de cada dez aparelhos
em uso, seis estão descalibrados o que induz a erro de diagnóstico.
A hipertensão tem um forte componente hereditário. A herança
genética, no entanto, pode vir a não se manifestar caso
sejam adotados hábitos saudáveis. Um deles é não
exagerar no consumo de sal. Poucos povos adoram tanto um saleiro quanto
o brasileiro. O consumo nacional per capita chega a absurdos 12 gramas
diários. De acordo com o estabelecido pela Organização
Mundial de Saúde (OMS), essa quantidade não deveria ultrapassar
os 2 gramas. Sal em excesso retém líquido e, conseqüentemente,
aumenta o volume de sangue nas artérias. Com isso, a pressão
sobe. Domar o stress também é vital a tensão
e a ansiedade intensificam a produção de substâncias
que danificam as artérias.
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| Cirurgia
cardíaca: no Brasil, a chance de vida de um operado quintuplicou desde
a década de 70 |
O colesterol é um dos compostos mais importantes para o bom funcionamento
do organismo. Trata-se de uma lipoproteína que serve de matéria-prima
na produção de hormônios e de vitamina D. Seu excesso
no sangue, contudo, representa um tremendo perigo. Como o organismo não
dá conta de processar grandes quantidades do colesterol ruim, o
LDL, o excedente circula pelo sangue até encontrar um buraco em
alguma artéria onde se acumula e pode causar obstrução.
Dietas ricas em gorduras são um prato cheio para o aumento dos
níveis de LDL. A substância é encontrada sobretudo
em alimentos de origem animal, como carne vermelha, leite e derivados,
ovos etc. Falou-se em colesterol ruim porque existe um colesterol bom,
o HDL, que funciona como uma espécie de desentupidor. Ele recolhe
as gorduras grudadas nas paredes arteriais e as despeja no fígado,
onde são processadas e eliminadas. Ao lado de uma dieta balanceada,
a prática regular de exercícios físicos tende a baixar
as concentrações de LDL e a aumentar as de HDL. Recentemente,
foram descobertos dois aliados de peso na luta contra o colesterol ruim.
O primeiro deles é o ômega 3, um ácido graxo que vem
sendo adicionado a leites e margarinas. O outro é uma substância
chamada atorvastatina cálcica, que, ao reduzir em até 30%
os níveis de colesterol, se transformou numa das vedetes da indústria
farmacêutica e só deve ser tomado com indicação
médica.
A inatividade física está associada a 35% das doenças
cardiovasculares fatais. Concorre, por exemplo, para o desenvolvimento
da obesidade e do diabetes. Quase 9 milhões de brasileiros, entre
30 e 69 anos, são diabéticos. Metade deles não sabe
que está doente. O diabetes caracteriza-se pela incapacidade (total
ou parcial) de o pâncreas produzir insulina, o hormônio que
serve de chave para a glicose, principal fonte de energia do organismo,
entrar nas células. O excesso de glicose no sangue escava a parede
das artérias e facilita o depósito de gordura nos vasos
sanguíneos, tal como se verifica na pressão alta.
Muita gente pensa que problemas cardíacos são quase que
exclusividade masculina. É um equívoco. Com a emancipação
feminina, aumentou exponencialmente o número de mulheres com distúrbios
cardíacos. Na década de 60, para cada vítima feminina
de doenças cardiovasculares havia nove masculinas. Hoje, a proporção
é de uma para três. Depois da menopausa, o quadro torna-se
ainda mais sombrio. Isso porque elas perdem a proteção do
estrógeno, o hormônio sexual feminino por excelência,
cuja produção cai com o climatério. Vilão
no câncer, o estrógeno ajuda a impedir o acúmulo de
colesterol ruim nas artérias. Por isso, é importante que
as mulheres também passem a cuidar da saúde do coração
desde cedo.
Ao mesmo tempo que enfatiza a prevenção, a medicina avança
no tratamento das pessoas que sofrem um ataque cardíaco. Um infartado
que consegue ser atendido em um pronto-socorro até seis horas depois
da crise tem 95% de chance de sobreviver. No campo das cirurgias de desobstrução
de artérias e implantação de pontes de safena e mamárias,
as conquistas foram enormes nos últimos vinte anos. Na década
de 70, de cada dez operados apenas dois continuavam vivos passado um ano
da realização da cirurgia. Hoje, esse número situa-se
na casa dos 90%. Mas é sempre bom ter em mente o lado negativo
de tais estatísticas. O coração é um órgão
do formato de uma pêra, tem em média 300 gramas de peso e
pulsa 90.000 vezes ao longo de 24 horas. A cada minuto, distribui de 5
a 6 litros de sangue oxigenado por todo o corpo. Com o tempo, é
normal que haja um endurecimento das artérias. Completamente dispensável
é contribuir para o aceleramento dessa marcha.
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O
que se diz, o que é verdade e o que não é
Vinho
tinto faz bem ao coração
O
estudo de Harvard, citado no quadro das páginas anteriores,
menciona
o consumo moderado de vinho tinto como fator de prevenção.
O vinho tinto começou a chamar a atenção dos
cardiologistas
no início da década de 90. Não é a bebida
em
si que ajuda o coração, mas os flavonóides,
pigmentos naturais encontrados
na casca da uva rosa. Eles reduzem as taxas de colesterol
ruim no sangue. Os médicos, no entanto, não se sentem
à
vontade em receitar bebidas alcoólicas afinal, elas
podem causar outros
males. Por via das dúvidas, fique com o suco de uva natural.
Tem
o mesmo efeito
Bebidas
alcoólicas, em geral, evitam infartos
Esqueça.
Nenhum estudo científico comprovou os benefícios
do
etanol, o álcool etílico utilizado nas bebidas, como
substância capaz
de dilatar veias e artérias, o que facilitaria o fluxo sanguíneo.
Ao
contrário. Em excesso, o etanol aumenta o risco de hipertensão
Café
é um perigo
Sem
dúvida. A cafeína é um estimulante e, como
tal, funciona como
vasoconstritor. Consumida em excesso, promove a contração
das veias e artérias, dificultando a circulação
sanguínea. Além disso, aumenta os batimentos do coração.
Quem toma muito café está sujeito a sofrer de pressão
alta ou de arritmia cardíaca
Sal
faz mal
O
consumo exagerado de sal é um dos principais fatores
de
risco de hipertensão. O perigo aumenta porque
poucos sabem que existe o "sal invisível", aquele
que
já está contido naturalmente em muitos alimentos
Alimentos
ricos em fibras ajudam na prevenção
Como
não são digeridas nem absorvidas pelo organismo, as
fibras funcionam
como uma espécie de meio de transporte para os
resíduos. Ao estimular o funcionamento dos intestinos,
cereais
integrais, verduras, legumes e frutas ajudam a baixar os
níveis
de colesterol ruim, o LDL. Isso porque as moléculas de LDL
se
grudam às fibras e são eliminadas nas fezes. Recomenda-se
o consumo
diário de 16 gramas de fibras o equivalente a
250
gramas de espinafre
O
que importa é a intensidade do exercício físico
Mais importante que o vigor da atividade física
é a regularidade com
que ela é praticada. O coração agradece a quem
faz ginástica, no mínimo, três vezes por semana,
em sessões de meia hora cada uma. Os melhores exercícios
são os aeróbicos como caminhada, bicicleta
ou natação. Regular, a ginástica pode aumentar
a concentração do colesterol bom no sangue e baixar
os níveis do colesterol ruim
Suplementos
vitamínicos ajudam a manter a saúde do coração
Na
virada das décadas de 80 e 90, os suplementos vitamínicos
foram
anunciados como os maiores aliados da boa saúde.
Seriam
capazes de combater de unha fraca a câncer. Com o
tempo,
viu-se que não era bem assim. No que diz respeito ao
coração,
o que se tem por certo é que o ácido fólico
e as vitaminas B6 e B12, encontradas em verduras, frutas
e
carnes, ajudam a manter os níveis normais de homocisteína.
Em grandes quantidades, esse aminoácido
pode lesionar a parede das artérias, facilitando
o depósito de placas de gordura
Fotos Jorge Butsem/Antonio Ribeiro
Pedro Rubens/Claudio Pinheiro
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