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A IGREJA ABRE SUAS PORTAS O ano 2000 foi um ano-chave no longo reinado do papa João Paulo II. A Igreja Católica celebrou seu jubileu, convocado em honra do segundo milênio do nascimento de Jesus Cristo. João Paulo cercou as festividades com pompa e circunstância e distribuiu gestos conciliatórios ao longo do ano. Sua viagem a Israel, em março, representou o esforço máximo da Igreja em favor da aproximação com os judeus. Foi no ano 2000 que, pela primeira vez, um papa pediu perdão pelos pecados cometidos pela Igreja durante as cruzadas medievais contra os muçulmanos, a evangelização forçada do Novo Mundo e as torturas da Santa Inquisição.
UMA HORA GRAVE PARA O PAPA O papa está doente. São visíveis os sinais de decadência física de um homem de 80 anos que sofreu um atentado a tiros em 1981, passou por seis cirurgias ao longo da vida e padece do mal de Parkinson. Ao receber a rainha Elizabeth II, da Inglaterra, em outubro, o papa tinha as mãos trêmulas. A voz, vacilante, era quase inaudível. A fragilidade de João Paulo II levou pessoas com posição de destaque na hierarquia eclesiástica, como o cardeal belga Godfried Danneels, a sugerir sua renúncia. A Igreja recomenda aos bispos que se aposentem aos 75 anos, e a renúncia papal está prevista no Código Canônico, a constituição da Igreja Católica. O último pontífice a deixar em vida a liderança espiritual dos católicos foi Gregório XII, há mais de 500 anos.
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