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Por que erram?
Teimosia
da Fifa em não permitir o
uso
de tecnologia para esclarecer lances
duvidosos congelou o futebol no século
passado
AP
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| O
zagueiro Hierro, da Espanha, desespera-se diante do juiz: gols anulados
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Os cartolas
da Fifa, a entidade máxima do futebol, chutaram para fora do campo
o uso da tecnologia para dirimir dúvidas de arbitragem com o argumento
de que a polêmica provocada por algumas decisões torna o
esporte ainda mais apaixonante. Essa política gerou uma situação
anacrônica. Enquanto o futebol até hoje descarta o uso de
recursos eletrônicos para esclarecer lances duvidosos, alguns esportes
adotam o sistema há quase um século. Nas Olimpíadas
de Estocolmo, em 1912, o atletismo e a natação ganharam
o photo-finish, o equipamento que registra através de uma foto
a final das provas para, quando necessário, esclarecer quem chegou
em primeiro lugar. O basquete adotou há décadas o sistema
de dois juízes para cobrir com mais eficiência as ações
na quadra. Nessa área, o futebol americano foi mais radical. Cada
jogo conta com uma equipe de sete árbitros, e os técnicos
dos times têm o direito de pedir a revisão das jogadas duvidosas.
O tira-teima é realizado com o auxílio de um equipamento
de vídeo que fica ao lado do campo.
AP
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| Juízes
apontam uma infração no jogo de futebol americano: os
erros atrapalham o espetáculo |
Graves erros
dos juízes sempre fizeram parte da história das Copas do
Mundo. Na final de 1966, a Inglaterra abriu vantagem sobre a Alemanha
num lance em que uma bola chutada pelo atacante Hurst bateu no travessão,
pingou na risca do gol, mas não entrou. Vinte anos depois, foi
a vez dos ingleses serem prejudicados, quando o juiz validou o lance em
que o argentino Maradona mandou com a mão a bola para as redes.
Nada disso, porém, pode ser comparado ao que ocorreu no Mundial
da Coréia e Japão. Jamais se viu tamanha quantidade de equívocos
concentrados numa só competição. Os italianos tiveram
nada menos que cinco gols anulados em quatro jogos um deles na
derrota contra a Coréia, nas oitavas-de-final, que eliminou a Azzurra
do torneio. A Espanha deixou de se classificar para as semifinais numa
partida em que foram anulados dois gols legais do time contra a mesma
Coréia. Em duas partidas difíceis, o Brasil foi beneficiado
por decisões polêmicas dos homens de preto. Em sua estréia
na competição, os canarinhos bateram a Turquia graças
a uma falta fora da área que o juiz anotou como sendo um pênalti.
Contra a Bélgica, nas oitavas-de-final, o juiz anulou um gol aparentemente
legítimo do atacante Wilmots.
Com as dezenas
de câmeras de TVs registrando a todo momento as falhas dos homens
de preto, a Copa teve sua credibilidade ameaçada. Criou-se até
uma tese conspiratória para justificar o que uma série de
grandes jornais estrangeiros classificou como "roubo". Segundo a tal teoria,
os erros dos juízes seriam uma vingança orquestrada à
oposição feita por algumas federações européias
à reeleição do cartola Joseph Blatter para o comando
da Fifa. Apesar de não surgir nenhum fato concreto comprovando
as suspeitas, os cartolas da entidade máxima do futebol viram-se
acuados e na situação constrangedora de pedir desculpas
pelas atuações dos homens de preto. "Os auxiliares foram
um desastre, e houve graves erros de arbitragem", reconheceu o presidente
da Fifa.
Graças
à evolução da preparação física,
jogadores de algumas posições correm nos dias de hoje quase
12 quilômetros durante as partidas três vezes mais
que na década de 60. Apesar da dinâmica do esporte ter se
tornado muito mais frenética, só recentemente a Fifa autorizou
experiências com dois árbitros durante as partidas. O nível
de sofisticação que as transmissões esportivas atingiram
tornam o quadro ainda mais difícil para os juízes e seus
auxiliares. Cada lance é captado por câmeras em ângulos
diferentes e as jogadas duvidosas são analisadas em sofisticados
tira-teimas computadorizados. Num estudo realizado há dois anos,
um grupo de pesquisadores da Universidade Autônoma de Amsterdã,
na Holanda, depois de analisar em vídeo algumas situações
de partidas, mostrou que os auxiliares cometem um erro a cada cinco anotações
de impedimento. Pressionados pela série de equívocos cometidos
durante o Mundial da Coréia e Japão, os dirigentes da Fifa
admitiram estar estudando a adoção de equipamentos de vídeo
para ajudar a esclarecer lances em que existam sérias dúvidas
se a bola entrou ou não no gol. Parece pouco, diante da gravidade
da situação atual. Mas pode abrir uma brecha importante
para promover outras mudanças que ajudem o futebol a entrar no
século XXI.
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