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30 de junho de 2002
Os juízes

nestaedição
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Índice

A glória dos pentacampeões
Corações em campo
A imagem do sucesso
O país do futebol
Oriente loiro
Palpiteiros profissionais
Quarenta e quatro anos de glória
O esporte mais democrático
Talento à venda
Os juízes: trapalhadas sem fim
O penta em números
Os avanços da bola

Perfis
A vitória de Big Phil
Ronaldo
Rivaldo
Ronaldinho Gaúcho
Roberto Carlos
Gilberto Silva
Cafu
Kléberson
Juninho Paulista
Denilson
Marcos, o verdadeiro Kahn
O trio de ferro
Kaká
O Brasil do banco

Papel de parede: pôster da seleção pentacampeã
 


 

Por que erram?

Teimosia da Fifa em não permitir o uso
de tecnologia para esclarecer lances

duvidosos congelou o futebol no século
passado


AP
O zagueiro Hierro, da Espanha, desespera-se diante do juiz: gols anulados

Os cartolas da Fifa, a entidade máxima do futebol, chutaram para fora do campo o uso da tecnologia para dirimir dúvidas de arbitragem com o argumento de que a polêmica provocada por algumas decisões torna o esporte ainda mais apaixonante. Essa política gerou uma situação anacrônica. Enquanto o futebol até hoje descarta o uso de recursos eletrônicos para esclarecer lances duvidosos, alguns esportes adotam o sistema há quase um século. Nas Olimpíadas de Estocolmo, em 1912, o atletismo e a natação ganharam o photo-finish, o equipamento que registra através de uma foto a final das provas para, quando necessário, esclarecer quem chegou em primeiro lugar. O basquete adotou há décadas o sistema de dois juízes para cobrir com mais eficiência as ações na quadra. Nessa área, o futebol americano foi mais radical. Cada jogo conta com uma equipe de sete árbitros, e os técnicos dos times têm o direito de pedir a revisão das jogadas duvidosas. O tira-teima é realizado com o auxílio de um equipamento de vídeo que fica ao lado do campo.


AP
Juízes apontam uma infração no jogo de futebol americano: os erros atrapalham o espetáculo

Graves erros dos juízes sempre fizeram parte da história das Copas do Mundo. Na final de 1966, a Inglaterra abriu vantagem sobre a Alemanha num lance em que uma bola chutada pelo atacante Hurst bateu no travessão, pingou na risca do gol, mas não entrou. Vinte anos depois, foi a vez dos ingleses serem prejudicados, quando o juiz validou o lance em que o argentino Maradona mandou com a mão a bola para as redes. Nada disso, porém, pode ser comparado ao que ocorreu no Mundial da Coréia e Japão. Jamais se viu tamanha quantidade de equívocos concentrados numa só competição. Os italianos tiveram nada menos que cinco gols anulados em quatro jogos – um deles na derrota contra a Coréia, nas oitavas-de-final, que eliminou a Azzurra do torneio. A Espanha deixou de se classificar para as semifinais numa partida em que foram anulados dois gols legais do time contra a mesma Coréia. Em duas partidas difíceis, o Brasil foi beneficiado por decisões polêmicas dos homens de preto. Em sua estréia na competição, os canarinhos bateram a Turquia graças a uma falta fora da área que o juiz anotou como sendo um pênalti. Contra a Bélgica, nas oitavas-de-final, o juiz anulou um gol aparentemente legítimo do atacante Wilmots.

Com as dezenas de câmeras de TVs registrando a todo momento as falhas dos homens de preto, a Copa teve sua credibilidade ameaçada. Criou-se até uma tese conspiratória para justificar o que uma série de grandes jornais estrangeiros classificou como "roubo". Segundo a tal teoria, os erros dos juízes seriam uma vingança orquestrada à oposição feita por algumas federações européias à reeleição do cartola Joseph Blatter para o comando da Fifa. Apesar de não surgir nenhum fato concreto comprovando as suspeitas, os cartolas da entidade máxima do futebol viram-se acuados e na situação constrangedora de pedir desculpas pelas atuações dos homens de preto. "Os auxiliares foram um desastre, e houve graves erros de arbitragem", reconheceu o presidente da Fifa.

Graças à evolução da preparação física, jogadores de algumas posições correm nos dias de hoje quase 12 quilômetros durante as partidas – três vezes mais que na década de 60. Apesar da dinâmica do esporte ter se tornado muito mais frenética, só recentemente a Fifa autorizou experiências com dois árbitros durante as partidas. O nível de sofisticação que as transmissões esportivas atingiram tornam o quadro ainda mais difícil para os juízes e seus auxiliares. Cada lance é captado por câmeras em ângulos diferentes e as jogadas duvidosas são analisadas em sofisticados tira-teimas computadorizados. Num estudo realizado há dois anos, um grupo de pesquisadores da Universidade Autônoma de Amsterdã, na Holanda, depois de analisar em vídeo algumas situações de partidas, mostrou que os auxiliares cometem um erro a cada cinco anotações de impedimento. Pressionados pela série de equívocos cometidos durante o Mundial da Coréia e Japão, os dirigentes da Fifa admitiram estar estudando a adoção de equipamentos de vídeo para ajudar a esclarecer lances em que existam sérias dúvidas se a bola entrou ou não no gol. Parece pouco, diante da gravidade da situação atual. Mas pode abrir uma brecha importante para promover outras mudanças que ajudem o futebol a entrar no século XXI.

 
 
   
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