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30 de junho de 2002
Kaká

nestaedição
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Índice

A glória dos pentacampeões
Corações em campo
A imagem do sucesso
O país do futebol
Oriente loiro
Palpiteiros profissionais
Quarenta e quatro anos de glória
O esporte mais democrático
Talento à venda
Os juízes: trapalhadas sem fim
O penta em números
Os avanços da bola

Perfis
A vitória de Big Phil
Ronaldo
Rivaldo
Ronaldinho Gaúcho
Roberto Carlos
Gilberto Silva
Cafu
Kléberson
Juninho Paulista
Denilson
Marcos, o verdadeiro Kahn
O trio de ferro
Kaká
O Brasil do banco

Papel de parede: pôster da seleção pentacampeã
 


 

O galã

Caçula do time, Kaká arrebata
corações adolescentes e vira ídolo
sem gastar as chuteiras

 
Reuters

Kaká: assédio nos hotéis e recorde de cartas

Ele mal chegou a pisar no gramado – mas mostrou que bate um bolão. Com sua cara de menino, porte de modelo e sorriso de galã, Ricardo Izecson dos Santos Leite, o Kaká, nem precisou gastar as chuteiras para se transformar no mais novo xodó das adolescentes brasileiras. Nas portas dos hotéis da Coréia e do Japão, era o nome dele que elas gritavam. No centro de treinamento do São Paulo, time em que joga desde 1994, mais de 1 500 cartas aguardam o seu retorno, e na casa em que mora, no Morumbi, os presentes enviados pelos fãs já quase não cabem na sala. Só de ursinhos de pelúcia chegaram mais de cinqüenta. Para as meninas, Kaká é "fofo" – uma espécie de Sandy do futebol.

Como a musa teen, ele não bebe, não fuma e não fala palavrão. É avesso a farras, esforçado nos treinos e pontual nos compromissos. Para completar, mora com os pais e é evangélico praticante: só ouve música gospel e comemora seus gols gritando que "Deus é fiel". Kaká nasceu em família de classe média. O pai é engenheiro civil e a mãe, professora. Entrou no São Paulo aos 8 anos, como sócio, começou a jogar aos 12 e tornou-se profissional aos 18. Agora, aos 20, é o caçula da seleção de Felipão – e como tal se comporta: adora jogar videogame e ainda usa aparelho nos dentes para dormir. Na porta do seu quarto, tem pendurada até hoje uma placa onde se lê que "criança feliz tem Jesus no coração".

Tanta meiguice só vale para quando está fora dos gramados. Em campo, Kaká é um matador. Cerebral e calculista, impressionou Felipão pela frieza com que se aproxima da área e o destemor com que enfrenta uma dividida. Para agüentar as trombadas com os zagueirões, submeteu-se a um trabalho muscular que, em um ano, elevou seu peso de 71 para 74 quilos. A meta é chegar aos 76, coisa fácil para quem encara os exercícios com devoção de missionário. "Kaká é um dos jogadores mais disciplinados que já conheci", afirma seu empresário, Wagner Ribeiro. "É um menino que vale ouro", diz. Os anunciantes, pelo visto, já perceberam. Kaká, o fofo, acaba de fechar polpudo contrato com uma marca de guaraná. E isso é só o começo. Daqui para a frente, não faltarão motivos para o craque exibir seu sorriso de levantar a galera.

 
 
   
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