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Um trio
de ferro
Depois
de muita crítica
e algum susto,
a defesa se tornou um dos pontos
fortes da equipe de Felipão
AFP
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| Roque
Júnior segurou quando foi preciso, mas anulou os ingleses |
Se houve
uma ala da seleção brasileira que mostrou superação
nesta Copa do Mundo foi a defesa, comandada pelo zagueiro Lúcio.
No início da competição, o setor defensivo foi alvo
das críticas mais ferozes e responsável pelos comentários
mais ácidos contra o time do Brasil. O trio de zagueiros, com o
mineiro Roque Júnior, o ex-bóia-fria paulista Edmílson
e o gaúcho Anderson Polga, em alguns jogos provocou arrepios na
espinha cada vez que tocava na bola. Foi um festival de sustos. Um deles,
um dos momentos mais difíceis de toda a competição,
foi a bola que Lúcio deu de presente para o gol da Inglaterra.
Mas depois da falha o becão mostrou personalidade, muita garra,
recuperou-se e anulou a Inglaterra. Com o decorrer dos jogos o trio foi
se acertando e tornou-se uma das peças principais na conquista
do penta. Acabou brindando o torcedor com momentos bonitos, como o gol
de Edmílson contra a Costa Rica, uma meia-bicicleta de fazer inveja
a qualquer atacante. Mas o maior mérito dessa formação
foi proporcionar a segurança suficiente na defesa para que o Brasil
partisse para o ataque com mais homens. A trinca liberava, por exemplo,
os laterais Cafu e Roberto Carlos para as investidas mortais contra os
times adversários. Os defensores brasileiros, apesar da larga experiência
no futebol europeu, onde é comum jogar com três zagueiros,
não tiveram muito tempo para treinar essa formação
e foram obrigados a buscar entrosamento durante a Copa. Daí os
acidentes de percurso que tanto assustaram os torcedores.
AFP
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| Lúcio
em ação: mão no pesçoco do chinês
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AP
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| O
ex-bóia-fria Edmílson exibiu talento e raça:
peitou os belgas e fez gol de bicicleta |
O Brasil nunca se destacou em Copas do Mundo pela qualidade técnica
de seus zagueiros e homens encarregados da defesa. Ao longo da história,
a maior característica da seleção foi a química
perfeita entre um meio-campo habilidoso e um ataque selvagem. Mesmo na
inquestionável seleção tricampeã de Pelé,
Tostão e Gérson, a desconfiança em relação
ao setor defensivo era gigantesca. Poucos se lembram, mas no finzinho
do primeiro tempo contra a Itália na Copa de 70, Clodoaldo cedeu
o empate num lance bobo, em que tentou uma jogada de calcanhar que terminou
nas redes brasileiras. O Brasil venceu por 4 a 1, mas passou sufoco até
recuperar o controle da partida. Erros como esse também ocorreram
no caminho das seleções campeãs de 58, 62 e 94. Mas
os sustos dessas ocasiões foram apagados pelas brilhantes conquistas
dos times. O mesmo vai acontecer com a defesa da Copa de 2002. O trio
comandado por Lúcio não será lembrado pelas bobeadas,
mas sim como herói do penta. Eles peitaram e seguraram pelo pescoço
os adversários sempre que necessário. Eles mostraram que,
se não foram brilhantes como o ataque, tiveram raça de sobra
e espírito de luta para garantir que o Brasil sempre fizesse mais
gols do que levasse.
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