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30 de junho de 2002
Denilson

nestaedição
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Índice

A glória dos pentacampeões
Corações em campo
A imagem do sucesso
O país do futebol
Oriente loiro
Palpiteiros profissionais
Quarenta e quatro anos de glória
O esporte mais democrático
Talento à venda
Os juízes: trapalhadas sem fim
O penta em números
Os avanços da bola

Perfis
A vitória de Big Phil
Ronaldo
Rivaldo
Ronaldinho Gaúcho
Roberto Carlos
Gilberto Silva
Cafu
Kléberson
Juninho Paulista
Denilson
Marcos, o verdadeiro Kahn
O trio de ferro
Kaká
O Brasil do banco

Papel de parede: pôster da seleçăo pentacampeă
 


 

Ele entorta a zaga

O queridinho da torcida triturou zagueiros
e provou que a menor distância entre dois pontos nem sempre é uma reta

 

Denilson ginga na frente do adversário como se estivesse numa pelada de rua

O jogador Denilson subverte uma lei da matemática – a de que a distância mais curta entre dois pontos é uma reta. Dono de um drible excepcional, que às vezes lembra o jogo de Mané Garrincha, o atacante ginga na frente do adversário como se estivesse brincando numa pelada de rua. Vai e volta com a bola, azucrina a marcação do time adversário e cria jogadas pela ponta. Quando dá certo, invariavelmente consegue alcançar mais rápido a área. Dono de um estilo inconfundível, esse paulista de 24 anos, solteiro, tornou-se um dos últimos representantes do futebol-arte no país. Apesar de raramente sair do banco, onde Luiz Felipe Scolari o tem como seu décimo segundo homem, Denilson vive um excelente momento em sua carreira profissional. O melhor depois que deixou o São Paulo, às vésperas da Copa de 98.

Desde o primeiro jogo da seleção contra a Turquia, a torcida pedia aos gritos que Denilson saísse do banco de reservas. Felipão preferiu guardá-lo como uma carta na manga, para lançá-la no segundo tempo. Denilson não é um artilheiro preciso, como Ronaldo, nem tem o chute potente de Roberto Carlos. Sua média de gols por partida, contando São Paulo, Real Betis, Flamengo e seleção, é de um a cada sete partidas, irrisória para um meia-atacante. Mas ele é mestre em quebrar defesas trancadas. Contra a Turquia, não perdeu o controle da bola. Admitiu seu desempenho abaixo do esperado na partida contra a China e não brilhou na vitória sobre a Bélgica. Mesmo assim, seus malabarismos empolgaram.

O jogador é o queridinho da torcida, adjetivo que ganhou força nos jogos da Copa América do ano passado, na Colômbia, e durante as últimas partidas do Brasil pelas eliminatórias. É recebido pela torcida brasileira – e também pela européia – aos gritos de "Denilson! Denilson!". Ganhou de Felipão a camisa de número 17, escolhida a dedo pelo próprio treinador da seleção, que elegeu o 7 como seu número de sorte. Denilson é fã dos Racionais MC's, um raivoso conjunto de rap da periferia de São Paulo. Diz que as músicas o fazem lembrar a infância pobre na cidade de Diadema, município da Grande São Paulo. Teve uma ascensão rápida. Descoberto pelo técnico Muricy Ramalho num treino dos juvenis do São Paulo, foi imediatamente conduzido pelas mãos de Telê Santana ao time profissional do clube. Em apenas quatro anos de carreira, transformou-se num dos atletas mais caros do mundo, quando o Real Betis, da Espanha, desembolsou 35,5 milhões de dólares por seu passe. Teve um começo muito difícil na Espanha, mas deu a volta por cima e justificou o investimento ajudando o Betis a voltar à primeira divisão espanhola. Preferência feminina, hoje ele reina em Sevilha e engatou até um romance com uma das moças mais disputadas da cidade, Vicky Martín Berrocal, filha de um milionário espanhol e ex-mulher do famoso toureiro Manuel Díaz, "El Cordobés". Nos últimos anos, Denilson passou a treinar mais e a sair menos à noite. Quando dá, até que ele tenta ser mais solidário nas partidas, menos fominha e passar a bola para os companheiros de time. Mas só quando dá.

 
 
   
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