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Ele
entorta a zaga
O
queridinho da torcida
triturou zagueiros
e provou que a menor distância entre dois pontos nem sempre é
uma reta

Denilson
ginga na frente do adversário como se estivesse numa pelada de rua
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O
jogador Denilson subverte uma lei da matemática a de que
a distância mais curta entre dois pontos é uma reta. Dono
de um drible excepcional, que às vezes lembra o jogo de Mané
Garrincha, o atacante ginga na frente do adversário como se estivesse
brincando numa pelada de rua. Vai e volta com a bola, azucrina a marcação
do time adversário e cria jogadas pela ponta. Quando dá
certo, invariavelmente consegue alcançar mais rápido a área.
Dono de um estilo inconfundível, esse paulista de 24 anos, solteiro,
tornou-se um dos últimos representantes do futebol-arte no país.
Apesar de raramente sair do banco, onde Luiz Felipe Scolari o tem como
seu décimo segundo homem, Denilson vive um excelente momento em
sua carreira profissional. O melhor depois que deixou o São Paulo,
às vésperas da Copa de 98.
Desde o
primeiro jogo da seleção contra a Turquia, a torcida pedia
aos gritos que Denilson saísse do banco de reservas. Felipão
preferiu guardá-lo como uma carta na manga, para lançá-la
no segundo tempo. Denilson não é um artilheiro preciso,
como Ronaldo, nem tem o chute potente de Roberto Carlos. Sua média
de gols por partida, contando São Paulo, Real Betis, Flamengo e
seleção, é de um a cada sete partidas, irrisória
para um meia-atacante. Mas ele é mestre em quebrar defesas trancadas.
Contra a Turquia, não perdeu o controle da bola. Admitiu seu desempenho
abaixo do esperado na partida contra a China e não brilhou na vitória
sobre a Bélgica. Mesmo assim, seus malabarismos empolgaram.
O jogador
é o queridinho da torcida, adjetivo que ganhou força nos
jogos da Copa América do ano passado, na Colômbia, e durante
as últimas partidas do Brasil pelas eliminatórias. É
recebido pela torcida brasileira e também pela européia
aos gritos de "Denilson! Denilson!". Ganhou de Felipão a
camisa de número 17, escolhida a dedo pelo próprio treinador
da seleção, que elegeu o 7 como seu número de sorte.
Denilson é fã dos Racionais MC's, um raivoso conjunto de
rap da periferia de São Paulo. Diz que as músicas o fazem
lembrar a infância pobre na cidade de Diadema, município
da Grande São Paulo. Teve uma ascensão rápida. Descoberto
pelo técnico Muricy Ramalho num treino dos juvenis do São
Paulo, foi imediatamente conduzido pelas mãos de Telê Santana
ao time profissional do clube. Em apenas quatro anos de carreira, transformou-se
num dos atletas mais caros do mundo, quando o Real Betis, da Espanha,
desembolsou 35,5 milhões de dólares por seu passe. Teve
um começo muito difícil na Espanha, mas deu a volta por
cima e justificou o investimento ajudando o Betis a voltar à primeira
divisão espanhola. Preferência feminina, hoje ele reina em
Sevilha e engatou até um romance com uma das moças mais
disputadas da cidade, Vicky Martín Berrocal, filha de um milionário
espanhol e ex-mulher do famoso toureiro Manuel Díaz, "El Cordobés".
Nos últimos anos, Denilson passou a treinar mais e a sair menos
à noite. Quando dá, até que ele tenta ser mais solidário
nas partidas, menos fominha e passar a bola para os companheiros de time.
Mas só quando dá.
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