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O pequeno notável
Quando
partia para
cima dos zagueirões,
Juninho parecia muito maior e mais
forte do que é
AFP
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| Juninho
Paulista: velocidade para puxar os contra-ataques |
Uma contusão
de última hora privou os gramados da França, em 1998, das
passadas ligeiras de um meio-campista atrevido, que da altura de seu 1,65
metro cresce para cima dos adversários com a velocidade de uma
lebre e a leveza de seus 58 quilos. Nome certo na seleção
de Zagallo, ele amargou o corte em cima da hora. Nos campos da Coréia
e do Japão, ele foi à forra. Quando pegava na bola e partia
para cima dos zagueirões adversários, Juninho lembrava dom
Quixote enfrentando gigantescos moinhos de vento.
Chamado
pelas torcidas adversárias por apelidos pejorativos, como surfista
de microondas e Franguinho Paulista, Oswaldo Giroldo Júnior, 29
anos, já foi grande. No dia 22 de fevereiro de 1973 ele era o maior
bebê na maternidade do Hospital Beneficência Portuguesa. Ele
surgiu para o futebol no Ituano, clube do interior paulista (campeão
do Estado neste ano), e do São Paulo se projetou para o futebol
mundial, em 1993. Dois anos depois de chegar ao Morumbi, arrumou as malas
e partiu para a Inglaterra, onde jogou no Middlesbrough. Seu desempenho
atraiu a atenção do milionário futebol espanhol,
e o Atlético de Madrid o contratou em 1997. Há dois anos,
depois de um retorno ao Middlesbrough, voltou para o Brasil e foi jogar
no Vasco. Atraso nos salários levaram-no a transferir-se para o
Flamengo. Graças a isso, embora paulista, foi o único representante
de clube carioca neste Mundial.
Eleito um
dos dois melhores na posição no campeonato nacional do ano
passado, não há quem não o queira carregando o piano
no meio-de-campo. Convocado por todos os técnicos que penaram na
sofrida saga da seleção durante as eliminatórias
da Copa, Juninho é freqüentemente tachado de peladeiro. Seu
estilo fominha, de quem parece que vai levar a bola para casa, deixa em
desespero técnicos e torcedores. Mas, quando ele bagunça
o coreto adversário com penetrações velozes pelo
meio da área e dribles desconcertantes, todos elogiam seu arrojo
e desprendimento. Líder nato, sempre gritando e orientando os companheiros
em campo, ele não tem medo de cara feia: "Não mudo meu jeito
de jogar nem para ficar na seleção", diz o Peter Pan canarinho.
Quando se
casou com Juliana Bchara, em janeiro último, depois de um ano e
sete meses de namoro, o padre saiu do script: "Tomara que você possa
estar na seleção brasileira para dar algo de bom ao Brasil",
disse o vigário de forma profética. Juninho, a formiguinha
atômica do Brasil, deu ao país nada menos que o título
mundial.
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