Garra
de estreante
Com
desembaraço
de veterano e classe
de campeão, Kléberson encantou
Reuters

Diante
do turco Hasan Sas, o garoto do Paraná mostra sua força |
Alçado à seleção brasileira pela boa campanha
do Atlético Paranaense, campeão brasileiro de 2001, José
Kléberson Pereira, 23 anos, não decepcionou o técnico
Felipão, que acompanhou os jogos do rapaz com atenção.
Antes mesmo de convocá-lo, teve uma conversa com ele. "Eu sei do
seu potencial. Se você fizer na seleção o que está
fazendo no Atlético, para mim já está bom", disse
Felipão. Ele continuou a fazer tudo direitinho e foi convocado.
Na fase de treinamento e amistosos, mostrou a mesma destreza tanto na
marcação dos adversários quanto nas subidas ao ataque.
A camisa não lhe pesou nos ombros. Jogou como se estivesse brincando
no Centro Social Urbano de Ibiporã, onde foi criado. Uma atitude
que impressionou a todos e conferiu ao garoto nascido em Uraí,
minúsculo município do interior do Paraná, um
status só desfrutado por veteranos.
Elegante em seu 1,75 metro de altura, o jovem paranaense chegou a fazer
um desfile para a Hugo Boss, e não se saiu mal. Raciocínio
rápido, fala fluente, ele não gagueja nem com a bola nos
pés. É um meia seguro, que sabe sair jogando e não
vacila diante do inimigo.
Essa segurança toda ficou patente no jogo contra a Bélgica,
quando entrou para jogar nos últimos minutos do segundo tempo e
na primeira bola que pegou fez a jogada aguda pela ponta direita que resultou
no segundo gol do Brasil. O reflexo rápido ele tirou das quadras
de futebol de salão de Ibiporã, e a destreza exibida quando
corre rente à linha lateral veio da experiência como ala,
posição que defendeu no início da carreira.
Quando Felipão colocou Kléberson para jogar, os críticos
acharam que ele não daria conta do recado. O meio-de-campo do Brasil
estava muito desprotegido. Havia um vazio entre a defesa e o ataque. Kléberson
entrou e ocupou o setor, dando ao time uma consistência que ele
não tinha até então. Quando criança, gostava
de acompanhar o pai aos jogos da várzea de sua cidade. Enquanto
o velho trocava caneladas com os adversários, o garoto não
largava a bola, sempre correndo pelas beiradas do gramado. Por orientação
do pai, treinou chutes com os dois pés, o que lhe permite arrematar
bolas para o gol da posição em que elas estiverem.
Ao lado de Gilberto Silva, Kléberson é a grande surpresa
desta Copa. Os dois mostraram talento, juventude e desembaraço
diante dos desafios que lhes foram propostos. Seguraram o meio-de-campo
com fibra de campeões e brilho de craques. Em 2006, na Alemanha,
os dois são nomes certos na luta pelo hexacampeonato. Basta que
sigam o conselho de Felipão e continuem fazendo em seus clubes
o que faziam antes de ser convocados.
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